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Álcool e adolescência II: Marcadores biológicos
Enviado por Daniel em dom, 12/02/2007 - 23:11.
É importante ressaltar que não é necessário um indivíduo ser dependente de álcool para que possa apresentar transtornos relacionados ao álcool. Conforme Romelsjo (1995) "Não existe consumo de álcool isento de riscos."(Citado por MARQUES & RIBEIRO, 2002). Há muito mais indivíduos não diagnosticados medicamente como alcoolistas, mas que consomem álcool de forma prejudicial à saúde. Há fatores sociais com tanto poder de persuasão para a prevenção quanto para estimular padrões inadequados para o beber, por exemplo, demanda e oferta de bebida, informação e propaganda (LARANJEIRA & PINSKY, 1997).
1.3. Marcadores biológicos, escalas para a clínica e pesquisa e critérios de quantidade de consumo de álcool e risco à saúde
1.3.1. Marcadores biológicos
Os marcadores biológicos ou bioquímicos do consumo alcoólico ou "marcadores de estado"podem fornecer evidências se um indivíduo está consumindo bebida alcoólica de forma abusiva, mesmo que minimize tal consumo, bem como podem monitorar a evolução do tratamento conforme a normalização das alterações biológicas (MASUR, 1986).
Os testes laboratoriais disponíveis, por meio dos quais podem ser utilizadas as dosagens bioquímicas que permitem auxiliar a detecção da ocorrência do consumo pesado ou abuso de álcool são: transaminase sérica glutâmica oxaloacética (aspartato aminotransferase) (SGOT AST), transaminase sérica glutâmica pirúvica (alanina aminotransferase) [SGTP(ALT)], beta-hexossaminidase (ß-HEX), gamaglutamiltranspeptidase (?-GT), transferrina deficiente de carboidrato (CDT), volume corpuscular médio (VCM), ácido úrico, triglicérides (SHUCKIT, 1999; ROTH, RESEM & PERES, 2001).
Os exames laboratoriais utilizados com mais freqüência são: ?-GT (talvez 80% de sensibilidade e especificidade) (SHUCKIT, 1999) e a CDT com 83%-94% de sensibilidade e 98%-100% de especificidade (Sadler et al, 1996; Eloma et al, 1996) (Citado por ROTH, RESEM & PERES, 2001). A CDT, em particular, por apresentar sensibilidade e especificidade superiores aos marcadores tradicionais, tem possibilitado diagnosticar precocemente o alcoolismo. É estimado que o mínimo necessário para elevar os valores da CDT seja o consumo diário de 50 a 80g de álcool durante pelo menos uma semana (Litten et al, 1995) (Citado por ROTH, RESEM & PERES, 2001).
1.3.2. Escalas de avaliação
Dentre várias Escalas existentes sobre o uso de substâncias psicoativas, destacamos aquelas para a avaliação do consumo de álcool que têm como objetivo o levantamento preliminar do problema, detectar sensibilidade e triagem.
Os instrumentos de triagem visam identificar indivíduos que provavelmente apresentam problemas relacionados ao uso ou abuso de álcool ou outras drogas: Alcohol Use Disorders Identification Test (AUDIT) (Barbor, de la Fuente, Saunders & Grant, 1992); Cage Questionnaire (CAGE) (Mayfield, Mcleod & Hsll, 1974); Drug Use Screening Inventory (DUSI) (Tarter, 1990); MAST (Michigan Alcoholism Screening Test) (Selzer, 1971); T-ACE (Sokol, Martier & Ager, 1989). O CAGE (Masur & Monteiro, 1983) e o DUSI ( DeMicheli & Formigoni, 1997; 2000) foram traduzidos e validados para amostra brasileira. O AUDIT foi traduzido e validado, mas ainda não foi publicado (Méndez, Lima, Olinto & Farrel) ( Citado por FORMIGONI & CASTEL, 2000).
Escalas ou instrumentos para a avaliação do consumo de álcool são utilizados tanto para a pesquisa quanto para a clínica e a confiabilidade do relato do sujeito pesquisado deve ser levado em consideração. Escalas mais utilizadas para a avaliação do consumo de álcool: CPD (Comprehensive Drinker Profile) (Miller & Marllat, 1984); CLA (Computerized Lifestyle Assessment) (Skinner, 1984; Skinner, 1993); LDH (Lifetime Drinking History) (Skinner & Sheu, 1988); QFV (Quantity-Frequency Variability Index) (Cahalan & Cisin, 1969); NIAAA QF (National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism Quantity-Frequency) (Armor, Polich & Stambul, 1978) ( Citado por FORMIGONI & CASTEL, 2000).
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