É importante ressaltar que não é necessário um indivíduo ser dependente de álcoolNa terminologia química, os álcoois constituem um numeroso grupo de compostos orgânicos derivados de hidrocarbonetos que contém um ou mais grupos hidroxila (-OH). O etanol (ou álcool etílico, C2H5OH) é um dos membros dessa classe de compostos, e é o principal ingrediente psicoativo das bebidas alcoólicas. Por extensão, o termo “álcool” também é usado para referir-se a bebidas alcoólicas.O etanol resulta da fermentação de açúcar produzida por lêvedos. Em condições normais, as bebidas produzidas por fermentação têm uma concentração de álcool que não ultrapassa 14%. Na produção de álcoois por destilação, ferve-se uma mistura fermentada e o etanol que se evapora é recolhido como um condensado quase puro. Além do seu uso para consumo humano, o etanol é também usado como combustível, como solvente e na manufatura química (veja álcool impróprio para o consumo humano).O álcool absoluto (etanol anidro) é o etanol contendo não mais do que 1% de água por massa. Nas estatísticas sobre produção ou consumo de álcool, o álcool absoluto refere-se ao conteúdo de álcool (como 100% de etanol) das bebidas alcoólicas.Do ponto de vista químico, o metanol (CH3OH), também conhecido como álcool metílico e álcool de madeira (ou de amido), é o mais simples dos álcoois. É usado como um solvente industrial e também como um adulterador para desnaturar o etanol e torná-lo impróprio para o consumo (bebidas metiladas). O metanol é altamente tóxico; dependendo da quantidade consumida, pode produzir turvação da visão, cegueira, coma e morte.Outros álcoois impróprios para o consumo, com efeitos potencialmente nocivos, são consumidos ocasionalmente, como, p.ex., o isopropanol (álcool isopropílico, freqüente em desinfetantes) e etilenoglicol (usado como anticongelante em automóveis).O álcool é um sedativo/hipnótico com efeitos semelhantes aos dos barbitúricos. Além dos efeitos sociais do uso, a intoxicação pelo álcool pode resultar em envenenamento e até morte; o uso excessivo e prolongado pode resultar em dependência ou numa ampla variedade de transtornos mentais orgânicos e físicos.Os transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de álcool (F10) são classificados como transtornos decorrentes do uso de substância psicoativa na CID-10 (F10-F19).Veja também:cardiopatia alcoólica; cirrose alcoólica; dano cerebral associado ao álcool; delirium; encefalopatia de Wernicke; escorbuto; fígado gorduroso alcólico; gastrite alcoólica; hepatite alcoólica; miopatia relacionada com álcool ou drogas; neuropatia periférica; pancreatite alcoólica; pelagra; pseudo-síndrome de Cushing; síndrome amnésica induzida por álcool ou droga; síndrome de deficiência de tiamina; síndrome fetal alcoólica. para que possa apresentar transtornos relacionados ao álcool. Conforme Romelsjo (1995) "Não existe consumo de álcool isento de riscos."(Citado por MARQUES & RIBEIRO, 2002). Há muito mais indivíduos não diagnosticados medicamente como alcoolistas, mas que consomem álcool de forma prejudicial à saúde. Há fatores sociais com tanto poder de persuasão para a prevenção quanto para estimular padrões inadequados para o beberIngestão de bebida; especificamente, neste contexto, uso de bebida alcoólica., por exemplo, demanda e oferta de bebida, informação e propaganda (LARANJEIRA & PINSKY, 1997).
1.3. Marcadores biológicosUm composto ou atributo biológico que evidencia a presença de um transtorno específico ou uma vulnerabilidade ao mesmo. Em geral, distinguem-se dois tipos de marcadores. Um marcador de estado identifica uma anormalidade corrente que, mais comumente, assinala uma condição transitória ou reativa do indivíduo, tal como o nível de atividade de um transtorno subjacente ou o uso recente de uma droga. Um indicador de traço identifica uma característica relativamente estável e duradoura, que assinala uma condição contínua ou, particularmente no caso de um indicador genético, uma predisposição a um transtorno específico.A maioria dos marcadores biológicos usados para o álcool e outras drogas é constituída por indicadores de estado e muitos deles apenas refletem a história recente do seu consumo. Um alto teor alcoólico no sangue, por exemplo, pode identificar um estado de intoxicação alcoólica, mas não confirma uma dependência do álcool. Muitos (porém não todos) indicadores de estado usados para o álcool são na realidade exames de dano hepático (tais como glutamiltransferase elevada no plasma). São testes diagnósticos de alterações do estado do fígado decorrentes da ingestão contínua de álcool e não indicadores válidos de dependência de álcool. Outros indicadores de estado do consumo excessivo de álcool, de natureza biológica, incluem a dessialotransferina e alguns adutores acetaldeídicos de proteína ou seus anticorpos.Veja também:teste de triagem., escalas para a clínicaClínica médica, no Brasil, também conhecida como Medicina Interna e Clínica geral, é a especialidade médica que trata de pacientes adultos, atuando principalmente em ambiente hospitalar. Inclui o estudo das doenças de adultos, não cirúrgicas, não obstétricas e não ginecológicas, sendo a especialidade médica a partir da qual se diferenciaram todas as outras como Cardiologia e Pneumologia.No Brasil, o especialista em Clínica médica deve cumprir, além do curso de Medicina, dois anos de Residência médica.Em Portugal, trata-se de um termo actualmente a cair em desuso. Em sua substituição, surgiu a Especialidade de Medicina Geral e Familiar, mais abrangente e de natureza diferente. e pesquisa e critérios de quantidade de consumo de álcool e risco à saúde
1.3.1. Marcadores biológicos
Os marcadores biológicos ou bioquímicos do consumo alcoólicoVeja alcoolista. ou "marcadores de estado"podem fornecer evidências se um indivíduo está consumindo bebida alcoólicaLíquido que contém álcool (etanol) e é destinado a ser bebido. Quase todas as bebidas alcoólicas são preparadas por fermentação, que pode ser seguida – no caso dos destilados – por destilação. A cerveja é produzida através da fermentação de cereais (cevada maltada, arroz, milho, etc.) freqüentemente com a adição de lúpulo. Os vinhos são produzidos através da fermentação de frutas, particularmente de uvas. O Xerez, o vinho do Porto e outros vinhos fortificados são vinhos aos quais se adicionam certos destilados, habitualmente para obter-se um conteúdo de etanol de cerca de 20%. Outros produtos de fermentação tradicionais são o hidromel (a partir de mel), cidra (de maçã ou outras frutas), saquê (de arroz), pulque (do cacto agave) e chicha (de milho).Os destilados variam quanto à matéria prima (cereal ou fruta) da qual são derivados: por exemplo, a vodca é feita a partir de cereais ou de batatas; o uísque, de centeio ou milho; o rum, de cana de açúcar; e o conhaque, de uvas ou outras frutas.O álcool também pode ser sintetizado quimicamente (do petróleo, por exemplo), mas raramente tem-se usado isso para produzir bebidas alcoólicas.Inúmeros congêneres – constituintes das bebidas alcoólicas que não o etanol e a água – já estão identificados, mas o etanol é o principal ingrediente psicoativo em todas as bebidas alcoólicas comuns.As bebidas alcoólicas têm sido usadas desde a pré-história na maioria das sociedades tradicionais, exceto na Australásia, na América do Norte (logo ao norte da atual fronteira entre os EUA e o México) e na Oceania. Muitas bebidas fermentadas tradicionais tinham um conteúdo de álcool relativamente baixo e só podiam ser armazenadas por poucos dias.A maioria dos governos procura criar alvarás ou impostos especiais ou mesmo controlar completamente a produção e a venda de álcool, embora possa permitir a produção caseira de diversos tipos de bebidas alcoólicas. Em vários países, certas bebidas alcoólicas (principalmente destiladas) são produzidas ilicitamente, e podem se contaminar com substâncias tóxicas (chumbo, por exemplo) no processo de produção. de forma abusiva, mesmo que minimize tal consumo, bem como podem monitorar a evolução do tratamento conforme a normalização das alterações biológicas (MASUR, 1986).
Os testes laboratoriais disponíveis, por meio dos quais podem ser utilizadas as dosagens bioquímicas que permitem auxiliar a detecção da ocorrência do consumo pesado ou abusoabuso (de drogas, de álcool, de substâncias, de produtos químicos ou de substâncias psicoativas)Um grupo de termos muito utilizado embora com significados variáveis. Na 3a. edição revista do Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação Psiquiátrica Norte-Americana (DSM-III-R), “abuso de substância psicoativa” é definido como “padrão desajustado de uso indicado pela continuação desse uso apesar do reconhecimento da existência de um problema social, ocupacional, psicológico ou físico, persistente ou recorrente, que é causado ou exacerbado pelo uso recorrente em situações nas quais ele é fisicamente arriscado”. Trata-se de uma categoria residual, ao qual é preferível o diagnóstico de dependência, quando for o caso. O termo “abuso” é algumas vezes utilizado de forma desaprovativa para designar qualquer tipo de uso, particularmente o de drogas ilícitas. Devido à sua ambigüidade, o termo não é usado na 10a. revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) (exceto no caso de substâncias que não produzem dependência; veja mais adiante); uso nocivo e uso arriscado são os termos equivalentes na terminologia da OMS, embora eles geralmente digam respeito apenas aos efeitos físicos e não às conseqüências sociais. O emprego de “abuso” também é desestimulado pelo Escritório de Prevenção do Abuso de Substâncias dos EUA, embora expressões como “abuso de substâncias” sigam sendo amplamente utilizadas na América do Norte, para se referir, de modo geral, aos problemas do uso de substâncias psicoativas.Em outros contextos, o abuso já indicou padrões de uso não-médico ou não aprovado, independentemente das conseqüências. Assim, a definição publicada em l969 pela Comissão de Peritos da OMS em Dependência de Drogas foi “uso excessivo de droga, persistente ou esporádico, inconsistente ou sem relação com a prática médica aceitável” (veja uso indevido de álcool ou droga). de álcool são: transaminase sérica glutâmica oxaloacética (aspartato aminotransferase) (SGOT AST), transaminase sérica glutâmica pirúvica (alanina aminotransferase) [SGTP(ALT)], beta-hexossaminidase (ß-HEX), gamaglutamiltranspeptidase (?-GT), transferrina deficiente de carboidrato (CDT), volume corpuscular médio (VCM), ácido úrico, triglicérides (SHUCKIT, 1999; ROTH, RESEM & PERES, 2001).
Os exames laboratoriais utilizados com mais freqüência são: ?-GT (talvez 80% de sensibilidade e especificidade) (SHUCKIT, 1999) e a CDT com 83%-94% de sensibilidade e 98%-100% de especificidade (Sadler et al, 1996; Eloma et al, 1996) (Citado por ROTH, RESEM & PERES, 2001). A CDT, em particular, por apresentar sensibilidade e especificidade superiores aos marcadores tradicionais, tem possibilitado diagnosticar precocemente o alcoolismo. É estimado que o mínimo necessário para elevar os valores da CDT seja o consumo diário de 50 a 80g de álcool durante pelo menos uma semana (Litten et al, 1995) (Citado por ROTH, RESEM & PERES, 2001).
1.3.2. Escalas de avaliação
Dentre várias Escalas existentes sobre o uso de substâncias psicoativas, destacamos aquelas para a avaliação do consumo de álcool que têm como objetivo o levantamento preliminar do problema, detectar sensibilidade e triagem.
Os instrumentos de triagem visam identificar indivíduos que provavelmente apresentam problemas relacionados ao uso ou abuso de álcool ou outras drogasUm termo de uso variado. Em medicina, refere-se a qualquer substância com o potencial de prevenir ou curar doenças ou aumentar o bem estar físico ou mental; em farmacologia, refere-se a qualquer agente químico que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos. Portanto, droga é uma substância que é, ou pode ser, incluída numa farmacopéia. Na linguagem comum, o termo se refere especificamente a drogas psicoativas e em geral ainda mais especificamente às drogas ilícitas, as quais têm um uso não médico além de qualquer uso médico. As classificações profissionais (por exemplo: “álcool e outras drogas”) normalmente procuram indicar que a cafeína, o tabaco, o álcool e outras substâncias de uso habitual não médico sejam também enquadradas como drogas, na medida em que elas são consumidas, pelo menos em parte, por seus efeitos psicoativos.: Alcohol Use Disorders Identification Test (AUDIT) (Barbor, de la Fuente, Saunders & Grant, 1992); Cage Questionnaire (CAGE) (Mayfield, Mcleod & Hsll, 1974); Drug Use Screening Inventory (DUSI) (Tarter, 1990); MAST (Michigan Alcoholism Screening Test) (Selzer, 1971); T-ACE (Sokol, Martier & Ager, 1989). O CAGE (Masur & Monteiro, 1983) e o DUSI ( DeMicheli & Formigoni, 1997; 2000) foram traduzidos e validados para amostra brasileira. O AUDIT foi traduzido e validado, mas ainda não foi publicado (Méndez, Lima, Olinto & Farrel) ( Citado por FORMIGONI & CASTEL, 2000).
Escalas ou instrumentos para a avaliação do consumo de álcool são utilizados tanto para a pesquisa quanto para a clínica e a confiabilidade do relato do sujeito pesquisado deve ser levado em consideração. Escalas mais utilizadas para a avaliação do consumo de álcool: CPD (Comprehensive Drinker Profile) (Miller & Marllat, 1984); CLA (Computerized Lifestyle Assessment) (Skinner, 1984; Skinner, 1993); LDH (Lifetime Drinking History) (Skinner & Sheu, 1988); QFV (Quantity-Frequency Variability Index) (Cahalan & Cisin, 1969); NIAAA QF (National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism Quantity-Frequency) (Armor, Polich & Stambul, 1978) ( Citado por FORMIGONI & CASTEL, 2000).
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