Resumo
Esta pesquisa tem como objetivo comparar a motivação para mudança em dependentes de álcoolNa terminologia química, os álcoois constituem um numeroso grupo de compostos orgânicos derivados de hidrocarbonetos que contém um ou mais grupos hidroxila (-OH). O etanol (ou álcool etílico, C2H5OH) é um dos membros dessa classe de compostos, e é o principal ingrediente psicoativo das bebidas alcoólicas. Por extensão, o termo “álcool” também é usado para referir-se a bebidas alcoólicas.O etanol resulta da fermentação de açúcar produzida por lêvedos. Em condições normais, as bebidas produzidas por fermentação têm uma concentração de álcool que não ultrapassa 14%. Na produção de álcoois por destilação, ferve-se uma mistura fermentada e o etanol que se evapora é recolhido como um condensado quase puro. Além do seu uso para consumo humano, o etanol é também usado como combustível, como solvente e na manufatura química (veja álcool impróprio para o consumo humano).O álcool absoluto (etanol anidro) é o etanol contendo não mais do que 1% de água por massa. Nas estatísticas sobre produção ou consumo de álcool, o álcool absoluto refere-se ao conteúdo de álcool (como 100% de etanol) das bebidas alcoólicas.Do ponto de vista químico, o metanol (CH3OH), também conhecido como álcool metílico e álcool de madeira (ou de amido), é o mais simples dos álcoois. É usado como um solvente industrial e também como um adulterador para desnaturar o etanol e torná-lo impróprio para o consumo (bebidas metiladas). O metanol é altamente tóxico; dependendo da quantidade consumida, pode produzir turvação da visão, cegueira, coma e morte.Outros álcoois impróprios para o consumo, com efeitos potencialmente nocivos, são consumidos ocasionalmente, como, p.ex., o isopropanol (álcool isopropílico, freqüente em desinfetantes) e etilenoglicol (usado como anticongelante em automóveis).O álcool é um sedativo/hipnótico com efeitos semelhantes aos dos barbitúricos. Além dos efeitos sociais do uso, a intoxicação pelo álcool pode resultar em envenenamento e até morte; o uso excessivo e prolongado pode resultar em dependência ou numa ampla variedade de transtornos mentais orgânicos e físicos.Os transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de álcool (F10) são classificados como transtornos decorrentes do uso de substância psicoativa na CID-10 (F10-F19).Veja também:cardiopatia alcoólica; cirrose alcoólica; dano cerebral associado ao álcool; delirium; encefalopatia de Wernicke; escorbuto; fígado gorduroso alcólico; gastrite alcoólica; hepatite alcoólica; miopatia relacionada com álcool ou drogas; neuropatia periférica; pancreatite alcoólica; pelagra; pseudo-síndrome de Cushing; síndrome amnésica induzida por álcool ou droga; síndrome de deficiência de tiamina; síndrome fetal alcoólica. internados em hospitais gerais para tratamento de doença clínicaClínica médica, no Brasil, também conhecida como Medicina Interna e Clínica geral, é a especialidade médica que trata de pacientes adultos, atuando principalmente em ambiente hospitalar. Inclui o estudo das doenças de adultos, não cirúrgicas, não obstétricas e não ginecológicas, sendo a especialidade médica a partir da qual se diferenciaram todas as outras como Cardiologia e Pneumologia.No Brasil, o especialista em Clínica médica deve cumprir, além do curso de Medicina, dois anos de Residência médica.Em Portugal, trata-se de um termo actualmente a cair em desuso. Em sua substituição, surgiu a Especialidade de Medicina Geral e Familiar, mais abrangente e de natureza diferente. com pacientes alcoolistas que buscaram tratamento em unidades especializadas. Trata-se de um estudo transversal, de comparação entre dois grupos. A amostra teve 91 sujeitos: 42 com doença clínica associada à dependência(F1x.2)Em termos gerais, o estado de necessidade ou dependência de alguma coisa ou alguém para apoio, funcionamento ou sobrevivência. Quando aplicado ao álcool e outras drogas, o termo implica a necessidade de repetidas doses da droga para sentir-se bem ou para evitar sensações ruins. No DSM-IIIR, a dependência é definida como “um conjunto de sintomas cognitivos, comportamentais e psicológicos que indicam que uma pessoa tem o controle do uso da substância psicoativa prejudicado e persiste nesse uso a despeito de conseqüências adversas”. Equivale aproximadamente à síndrome de dependência da CID-10. No contexto da CID-10, o termo dependência refere-se de maneira geral a qualquer dos elementos da síndrome. O termo é freqüentemente usado como equivalente de adicção e de alcoolismo.Em 1964 uma Comissão de Peritos da OMS introduziu “dependência” em substituição a adicção e hábito10. O termo pode ser usado de maneira genérica em relação a todas as drogas psicoativas (dependência de drogas, dependência química, dependência do uso de substância), ou referir-se especificamente a uma droga em particular ou a uma classe de drogas (p.ex., dependência de álcool, dependência de opióide). Embora a CID-10 descreva dependência em termos aplicáveis a todas as classes de drogas, há diferenças entre os sintomas de dependência característicos das diferentes drogas.De forma não qualificada, dependência refere-se a ambos os elementos físicos e psicológicos. A dependência psicológica ou psíquica refere-se à vivência de controle prejudicado sobre o beber ou o uso da droga (veja craving, compulsão), ao passo que a dependência fisiológica ou física refere-se à tolerância e aos sintomas de abstinência (veja também neuro-adaptação). Em discussões de orientação biológica, dependência é freqüentemente usada com referência à dependência física apenas.Ainda no contexto psicofarmacológico, emprega-se também dependência ou dependência física num sentido mais limitado para referir-se exclusivamente ao desenvolvimento de sintomas de abstinência que seguem uma interrupção do uso de droga. Neste sentido restrito, a dependência cruzada é vista como complementar a tolerância cruzada, e ambas definições referem-se somente à sintomatologia física (neuroadaptação). do álcool (grupo 1) e 49 dependentes do álcool internados em unidades especializadas para o tratamento da dependência química (grupo 2).
Os instrumentos utilizados no estudo foram: entrevista estruturada, o The Alcohol Use Disorder Test (AUDIT), o Short-Form Alcohol Dependence Data (SADD), o The Drinker Inventory of Consequences (DrInC) e a University of Rhode Island Change Assessment Scale (URICA). Os resultados demonstraram haver diferença significativa entre os grupos 1 e 2 no estágio da ação (p = 0,006), não sendo encontrada diferença nos estágios de pré-contemplação (p = 0,098) e contemplação (p = 0,342). Foi encontrada diferença significativa entre os grupos apenas no estágio de manutenção (p = 0,000). Os pacientes internados em hospitais gerais apresentaram-se menos motivados para mudança do comportamento dependente do que os internados em unidades especializadas em dependência química. Conclui-se, portanto, a importância de trabalhar a motivação para mudança do comportamento dependente em pacientes alcoolistas internados em hospitais gerais por complicações físicas.
Palavras-chave: Álcool, motivação, doença clínica, hospital geral.
Abstract
The objective of this study is to compare the motivation to change drinking behavior in two distinct samples of alcohol-addicted patients, namely general hospital inpatients and patients seeking treatment in specialized addiction units. Ninety one subjects were recruited for a cross-sectional assessment; 42 had one or more clinical conditions related to alcohol addiction (group 1) and 49 were inpatients at a clinical dependence unit (group 2). Assessments were performed until the following instruments: We found significant differences between the two groups in the “action” (p = 0,006) and the “maintenance” (p < 0,00001) scores, but no significant differences in the “contemplation” and “pre-contemplation” scores (p = 0,0098 and 0,342, respectively). General hospital inpatients seem to be less motivated to change patterns in their addiction behavior than those treated in addiction units. Therefore it is important to reinforce motivation in order to change the addiction behavior among patients with physical illnesses who seek treatment in general hospital facilities.
Key-words: Alcohol, motivation, clinical disorders, general hospital.
Introdução
O alcoolismo está diretamente relacionado a diversos distúrbios físicos e psíquicos, além de ser um grande problema social (Ribeiro et al., 1995). Estudos clínicos apontam que, juntamente com o uso abusivo do álcool e a dependência, ocorrem prejuízos no desempenho profissional, familiar e/ou social, o que muitas vezes acarreta desemprego, aposentadoria por invalidez, entre outros problemas (Antony et al., 1994; White et al., 2002).
O consumo do álcool aumenta o risco do desenvolvimento de várias patologias, como câncer, hipertensão e doenças Doença (do latim dolentia, padecimento) é uma condição anormal de um organismo que interfere nas funções corporais e está associada a sintomas específicos. Pode ser causada por fatores externos, como outros organismos (infecção), ou por desfunções ou malfunções internas, como as doenças autoimunes. A patologia é a ciência que estuda as doenças e procura entendê-las.Resulta da consciência da perda da homeostasia de um organismo vivo, total ou parcial, estado este que pode cursar devido a infecção, inflamação, isquémias, modificações genéticas, sequelas de trauma, hemorragias, neoplasias ou disfunções orgânicas. Distingue-se da enfermidade, que é a alteração danosa do organismo.O dano patológico pode ser estrutural ou funcional. O médico faz a História clínica e examina o paciente a procura de sinal (médico) e sintomas que definem a síndrome da doença, solicita os exame complementar conforme suas hipótese diagnóstica, visando chegar a um diagnóstico.O passo seguinte é indicar um tratamento. do fígado, além de casos de agressões com graves conseqüências. Os índices de pacientes admitidos nas enfermarias dos hospitais com problemas físicos causados pelo álcool são altos (Gerke et al., 1997). Por essa razão, o hospital geral deveria ser um espaço de promoção de prevenção secundária para pacientes alcoolistas. Além disso, pode ser uma oportunidade de incentivar e encaminhar o paciente para tratamento especializado para a dependência alcoólica (Moore et al., 1989). Em um hospital geral, as taxas de homens hospitalizados por apresentarem algum problema causado ou agravado pelo uso de álcool variam de 20% a 35% (James et al., 1997). Com relação aos dados brasileiros, há uma variação de 8,5% a 35%, sendo que uma dificuldade para as estimativas é a prática do sub-registro, pois apenas cerca de 1% dos dados são registrados nos prontuários (Masur, 1986). Dessa forma, o registro em prontuários parece não ser um meio eficiente para detecção da síndrome de dependência do álcoolVeja síndrome de dependência. (Ramos et al., 2002).
Estudos têm demonstrado que 70% dos alcoolistas são atendidos em serviços de saúde geral e não em serviços especializados nos Estados Unidos (Shapiro et al., 1984). Dados da literatura mostram que a realização de rastreamento para problemas com álcool combinando instrumentos auto-aplicados validados com breves conselhos ou com encaminhamento constitui um método simples, efetivo e não dispendioso para prevenir o desenvolvimento e progressão das complicações clínicas (Longabaugh et al., 1994; D’ Onofrio e Degutis, 2002; Maio e Cunningham, 2002).
Um levantamento realizado pela Unidade de Pesquisa em Álcool e DrogasUm termo de uso variado. Em medicina, refere-se a qualquer substância com o potencial de prevenir ou curar doenças ou aumentar o bem estar físico ou mental; em farmacologia, refere-se a qualquer agente químico que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos. Portanto, droga é uma substância que é, ou pode ser, incluída numa farmacopéia. Na linguagem comum, o termo se refere especificamente a drogas psicoativas e em geral ainda mais especificamente às drogas ilícitas, as quais têm um uso não médico além de qualquer uso médico. As classificações profissionais (por exemplo: “álcool e outras drogas”) normalmente procuram indicar que a cafeína, o tabaco, o álcool e outras substâncias de uso habitual não médico sejam também enquadradas como drogas, na medida em que elas são consumidas, pelo menos em parte, por seus efeitos psicoativos. (UNIAD) sobre o consumo nocivo do álcool em pacientes internados no Hospital São Paulo constatou que 22% dos homens internados apresentavam uso nocivo(F1x.1) (em inglês: harmful use)Um padrão de consumo de qualquer substância psicoativa que causa dano para a saúde. O dano pode ser físico (por exemplo, hepatite secundária ao uso de injeção de drogas) ou mental (por exemplo, episódios depressivos secundários à ingestão abundante de álcool). Comumente, mas não invariavelmente, o uso nocivo tem conseqüências sociais adversas; no entanto apenas conseqüências sociais não são suficientes para justificar o diagnóstico de uso nocivo.O termo foi introduzido na CID-10 e suplantou o “uso não dependente” como formulação diagnóstica. O equivalente mais aproximado em outros sistemas diagnósticos (por exemplo, o DMS-IIIR) é abuso de substância, que usualmente inclui conseqüências sociais.Veja também:uso arriscado ou dependência de álcoolVeja dependência., sendo a prevalência maior na gastroenterologiaA Gastroenterologia ou Gastrenterologia (do grego gastro =estômago + entero = intestino), é a especialidade médica que se ocupa do estudo, diagnóstico e tratamento clínico das doenças do aparelho digestivo. O tratamento cirúrgico de tais patologias é abordado pela Cirurgia do Aparelho Digestivo. (27%). De 275 casos investigados, 29% apresentaram história pregressa de consumo alcoólicoVeja alcoolista. e apenas 2,2% dos pacientes procuraram tratamento especializado para alcoolismo (Figlie et al., 1997). No mesmo hospital, Masur et al. (1979) constataram que cerca de 45% dos pacientes masculinos do ambulatório de nefrologiaNefrologia é a especialidade médica que se ocupa do diagnóstico e tratamento clínico das doenças do sistema urinário, em especial o rim. A urologia se ocupa do tratamento cirúrgico de tais doenças. consumiam bebidas alcoólicas de forma prejudicial ao organismo. Em um estudo com 50 pacientes hospitalizados com tuberculose pulmonar, Leite e Puel (1985) constataram que 52% deles apresentavam dependência alcoólica. No Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, Nasi et al. (1992) investigaram os pacientes politraumatizados graves atendidos na emergência e concluíram que 57% destes estavam alcoolizados.
Ao avaliar as conseqüências negativas do hábito de beberIngestão de bebida; especificamente, neste contexto, uso de bebida alcoólica. em dois grupos de pacientes, um que buscou atendimento no ambulatório de gastroenterologia e outro que foi atendido no ambulatório especializado em alcoolismo, Figlie (1999) constatou que o grupo do ambulatório especializado em alcoolismo apresentou médias mais elevadas com relação às conseqüências decorrentes do consumo do álcool. Em um ensaio clínico randomizado, Oliveira (2000) avaliou as conseqüências negativas do hábito de beber, constatando na avaliação de seguimento que, tanto o grupo que foi acompanhado por meio da entrevista motivacional, como os que receberam o tratamento convencional da unidade onde estavam internados, diminuíram consideravelmente a média de conseqüências negativas do hábito de beber. Isso denota que a abstinênciaA abstenção do uso de droga ou (particularmente) de bebidas alcoólicas, por questão de princípio ou por outras razões.Quem pratica a abstinência de álcool é chamado de “abstêmio” ou “abstêmio total”. A expressão “atualmente abstinente”, freqüentementeempregada em inquéritos populacionais, geralmente define uma pessoa que não ingeriu bebidas alcoólicas nos últimos 12 meses; esta definição não coincide necessariamente com a descrição que o próprio indivíduo faz de si como um abstêmio.O termo “abstinência” não deve ser confundido com “síndrome de abstinência” ( Deve-se, no entanto, diferenciar “abstêmio” (pessoa que não bebe ou não usa drogas) de “abstinente” (pessoa que presentemente não está bebendo, que não está usando drogas).Veja também: sobriedade; temperança. do álcool reduz os prejuízos causados pelo álcool e que isso é possível por meio de abordagens relativamente breves, como a entrevista motivacional.
BaseadoUm termo genérico usado para denotar os vários preparados da planta de maconha (cânhamo), Cannabis sativa. Isso inclui a folha de maconha ou diamba (com variada sinonímia de gíria), o cânhamo-da-índia ou haxixe (derivado da resina dos extremos floridos da planta) e o óleo de haxixe.Na Convenção Única de Narcóticos e Drogas de 1961, a maconha foi definida como “as extremidades floridas ou frutificadas da planta de cannabis (excluindo as sementes e as folhas sem aquelas extremidades) das quais a resina não foi extraída”, enquanto que a resina da cânabis é “a resina bruta ou purificada, extraída da planta da cannabis”. As definições são baseadas na terminologia tradicional indiana como ganja (= cânabis) e charas (= resina). Um terceiro termo indiano, o bhang se refere às folhas. O óleo de cânabis (óleo de haxixe, cânabis líquida ou haxixe líquido) é um concentrado de cânabis obtido pela extração geralmente através de um óleo vegetal.O termo marijuana é de origem mexicana. Originalmente um termo usado para o tabaco barato (ocasionalmente misturado com cânabis), tornou-se um termo genérico para as folhas de cânabis ou a cânabis em geral, em muitos países. O haxixe, inicialmente um termo utilizado para a cânabis nas áreas do Mediterrâneo oriental, é hoje utilizada para a resina da cânabis.A cânabis contém pelo menos 60 canabinóides, muitos dos quais biologicamente ativos. O componente mais ativo é o delta 9-tetrahidrocanabinol (THC), o qual pode ser detectado na urina várias semanas após seu uso (geralmente após ter sido fumado), bem como seus metabólitos.A intoxicação pela cânabis produz sensação de euforia, leveza dos membros e geralmente retração social. Prejudica a capacidade para dirigir veículos bem como para executar outras atividades complexas que requerem habilidade; prejudica a memória imediata, o nível de atenção, o tempo de reação, a capacidade de aprendizado, a coordenação motora, a percepção de profundidade, a visão periférica, a percepção do tempo (a pessoa geralmente tem a sensação de passagem mais lenta do tempo) e a detecção de sinais. Outros sinais de intoxicação podem incluir ansiedade excessiva, desconfiança ou idéias paranóides em alguns e euforia ou apatia em outros, juízo crítico prejudicado, irritação conjuntival, aumento de apetite, boca seca e taquicardia. A cânabis às vezes é consumida com álcool, o que aumenta os efeitos psicomotores.Há registros de que, em casos de esquizofrenia, o uso da cânabis pode precipitar recaídas. Estados de ansiedade e de pânico agudos, e estados delirantes foram também relatados na intoxicação por cânabis; estes geralmente regridem em alguns dias. Os canabinóides são às vezes usados terapeuticamente para glaucoma e para as náuseas em tratamentos quimioterápicos do câncer.Os transtornos por uso de canabinóides estão incluídos nos transtornos por uso de substância psicoativa na CID-10 (classificados em F12)Sinonímia: ceruma; diamba; erva; fumo; liamba; maconha; suruma; marihuana; marijuana.Veja também:síndrome nolitiva. nos estágios de motivação para mudança, McCrady e Langenbucher (1996) concluíram que o impacto de uma internação hospitalar causada por uma complicação clínica associada ao uso do álcool pode ser o ponto de partida para o aumento da motivação para mudança no comportamento de beber, e, em função disso, o hospital geral torna-se um local de captura dos pacientes alcoolistas.
Um estudo realizado por Rumpf et al. (1999) comparou a motivação para a mudança em 118 pacientes alcoolistas admitidos em hospital geral para tratamento de doenças clínicas com 50 sujeitos alcoolistas da população em geral. Foram encontradas diferenças entre os dois grupos, sendo que os pacientes do hospital geral encontram-se menos na pré-contemplação (5,9%) e mais na contemplação (50,8%) e na ação (43,2%), enquanto os pacientes da população geral encontram-se mais no estágio da pré-contemplação (26%) e da contemplação (58%) e menos na ação (16%). Heater et al. (1993) corroboram esses dados ao avaliarem pacientes alcoolistas internados em hospital geral, identificando que 27% destes estavam no estágio de pré-contemplação, 40,8% no de contemplação e 30,5% no de ação.
Outro estudo com pacientes alcoolistas internados em hospital geral, realizado por Rumpf et al. (1998), comparou a relação entre busca prévia de ajuda formal para o problema do álcool com a motivação para a mudança dos pacientes na internação. Os achados mostraram que, entre os pacientes dependentes de álcool, 38,2% estavam buscado tratamento pela primeira vez. Com relação aos estágios motivacionais, 10,9% encontraram-se na pré-contemplação, 45,7% na contemplação, 39,1% na ação e 4,3% na manutenção. Entre o grupo de pacientes que já havia procurado ajuda alguma vez na vida, 2,6% estavam no estágio de pré-contemplação, 51,3% no estágio da contemplação, 41% na ação e 5,1% na manutenção. Quando comparada a motivação para mudança entre os dois grupos, não foi encontrada diferença estatisticamente significativa (p= 0,80).
Figlie (1999) comparou os estágios de mudança em dois grupos de pacientes alcoolistas no Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), sendo que um grupo buscava tratamento para um dano físico no ambulatório de gastroenterologia e outro, atendimento no ambulatório especializado em alcoolismo. Os resultados mostraram que houve diferença significativa entre os grupos somente no estágio de manutenção (p = 0,01), com o grupo de pacientes do ambulatório especializado em alcoolismo apresentando escores mais elevados, demonstrando a necessidade de trabalhar a motivação dos pacientes que chegam aos serviços de saúde em geral, pois, embora apresentem um dano físico, muitas vezes não associam este à necessidade de parar a ingestão de álcool.
Dessa forma, o presente trabalho tem como objetivo comparar a motivação para mudança e as conseqüências negativas do hábito de beber em pacientes dependentes de álcool internados em hospital geral para tratamento de uma doença clínica com pacientes dependentes de álcool internados em unidades especializadas em dependência química.
Métodos
Delineamento
Trata-se de um estudo transversal, de comparação entre dois grupos, sendo utilizada uma metodologia quantitativa: comparou-se o grupo de pacientes alcoolistas internados em hospital geral, nas unidades de medicina interna e gastroenterologia, devido a uma doença clínica (grupo 1), com um grupo que não apresenta comorbidade clínica e que está internado em unidades especializadas para dependência química (grupo 2).
Participantes
Foi utilizada nesta pesquisa uma amostra “por conveniência” composta por 42 sujeitos para o grupo de pacientes com doenças clínicas associados à dependência do álcool (grupo 1) e por 49 sujeitos para o grupo de pacientes somente com dependência do álcool (grupo 2).
A amostra foi constituída por sujeitos do sexo masculino, com diagnóstico de dependência do álcool segundo a 10a Edição da Classificação Internacional de Doenças – CID-10 (Organização Mundial da Saúde, 1993), com idades entre 20 e 65 anos, internados para tratamento em unidades especializadas em dependência química e para tratamento clínico das comorbidades de ordem fisiológica associadas à dependência do álcool em hospital geral. A escolaridade mínima exigida foi a 5a série do ensino fundamental para os dois grupos.
Os critérios de exclusão da pesquisa para ambos os grupos foram: presença de transtornos psiquiátricos severos (como esquizofrenia, transtornos de humor, demência alcoólica(F10.7)Um termo de uso variado; mais comumente designa um transtorno crônico ou progressivo resultante de um beber arriscado, caracterizado pelo comprometimento das múltiplas funções corticais superiores, incluindo memória, raciocínio, orientação, compreensão, cálculo, capacidade de aprendizagem, linguagem e juízo crítico. A consciência não se turva. As perturbações cognitivas são usualmente acompanhadas de deterioração do controle emocional, do comportamento social ou da motivação. A existência da demência alcoólica como uma síndrome específica é posta em dúvida por alguns que atribuem a demência a outras causas.) e dependência de outras substâncias psicoativas, com exceção da nicotinaUm alcalóide que é a principal substância psicoativa do tabaco. Tem efeitos tanto estimulantes quanto relaxantes. Produz um efeito de alerta no eletroencefalograma e, em alguns indivíduos, um aumento na capacidade de focalização da atenção. Em outros, reduz a ansiedade e a irritabilidade.A nicotina é utilizada sob forma de inalação da fumaça do tabaco ou como “tabaco sem fumaça” (tabaco de mascar), rapé ou goma de mascar com nicotina. Cada tragada de fumaça de tabaco inalada contém nicotina que é rapidamente absorvida através dos pulmões e chega ao cérebro em segundos. A nicotina provoca uma tolerância e uma dependência consideráveis. Devido ao seu rápido metabolismo, os níveis cerebrais de nicotina caem rapidamente e o fumante sente um desejo intenso (craving) de mais um cigarro, 30-45 minutos depois de fumar o último.No usuário de nicotina que se tornou fisicamente dependente, desenvolve-se uma síndrome de abstinência depois de algumas horas da última dose: necessidade imperiosa (craving) de fumar, irritabilidade, ansiedade, raiva, dificuldade de concentração, aumento do apetite, diminuição da freqüência cardíaca e, por vezes, dor de cabeça e perturbações do sono. O desejo intenso tem seu pico em 24 horas e declina ao longo de várias semanas, apesar de poder ser evocado por estímulos associados a hábitos de fumar anteriores.O tabaco contém várias outras substâncias além da nicotina. O uso prolongado do tabaco pode resultar em câncer do pulmão, cabeça ou pescoço, em doenças cardíacas, em bronquite crônica, em enfisema e em outros transtornos físicos.A dependência de nicotina (F17.2) está classificada na CID-10 como um transtorno por uso do tabaco em transtorno por uso de substância psicoativa.. Nos dois grupos também foram excluídos pacientes que apresentassem síndrome de abstinência(F1x.3)Um grupo de sintomas de configuração e gravidade variáveis que ocorrem após a cessação ou redução do uso de uma substância psicoativa que vinha sendo usada repetidamente e geralmente após um longo período e/ou em altas doses. A síndrome pode ser acompanhada por sinais de alterações físiológicas.A síndrome de abstinência é um dos indicadores da síndrome de dependência. Também é uma característica distintiva do significado mais estrito do termo dependência.O início e o curso da síndrome de abstinência são limitados no tempo e são relacionados ao tipo de substância e à dose que vinham sendo usadas imediatamente antes da interrupção ou da redução do uso. Tipicamente, as características da síndrome são opostas às da intoxicação aguda.A síndrome de abstinência do álcool é caracterizada por tremores, sudorese, ansiedade, agitação, depressão, náusea e mal estar. Ocorre entre 6-48 horas após a interrupção do consumo de álcool e, quando não complicada, termina em 2-5 dias. Pode complicar-se por convulsões tipo grande mal e progredir para um delirium (conhecido como delirium tremens).As síndromes de abstinência de sedativos têm várias características comuns com a abstinência do álcool, mas podem também incluir dores musculares e espasmos, distorções perceptivas e distorções da imagem corporal.A abstinência de opióides é acompanhada de rinorréia (secreção nasal), lacrimejamento (excesso de formação de lágrimas), dores musculares, calafrios, arrepios e, após 24-48 horas, cãibras abdominais e musculares. O comportamento de busca da droga é proeminente e continua após a diminuição dos sintomas físicos.A abstinência de estimulantes (crash) não é tão bem definida quanto às síndromes de abstinência de substâncias depressoras do sistema nervoso central; a depressão é proeminente e acompanhada por mal-estar, inércia e instabilidade.Veja também:ressaca.Sinonímia: estado de privação; reação de abstinência; síndrome de privação grave que alterasse o desempenho nos testes, como, por exemplo, delirium tremens(F10.4)Síndrome de abstinência com delirium; um estado psicótico agudo que ocorre em indivíduos dependentes de álcool, durante a fase de abstinência, e caracterizado por confusão, desorientação, ideação paranóide, delírios, ilusões, alucinações (tipicamente visuais ou táteis, menos comumente auditivas, olfatórias ou vestibulares), inquietação, distraibilidade, tremores (algumas vezes grosseiros), sudorese, taquicardia e hipertensão. É usualmente precedida por sinais de síndrome de abstinência simples.O início do delirium tremens ocorre usualmente 48 hs ou mais após a suspensão ou a redução do consumo de álcool, mas pode apresentar-se até 1 semana após este período. Deve ser distinguido da alucinose alcoólica, que nem sempre é um fenômeno da abstinência. A condição é conhecida coloquialmente como “DT”.. Nas unidades de dependência química, foram excluídos os pacientes que apresentaram anteriormente comorbidades clínicas associadas à dependência alcoólica, pois o objetivo do estudo foi comparar a motivação para mudança entre pacientes que tinham diagnóstico de uma doença clínica e aqueles que não tinham este diagnóstico, pois, assim, poderíamos ver se esta estaria influenciando na prontidão para mudança. Os pacientes internados no hospital geral que não apresentavam as condições clínicas mínimas para responderem aos instrumentos também foram excluídos da amostra.
Instrumentos
- Entrevista estruturada com o objetivo de definir o perfil sociodemográfico da amostra estudada, como história de consumo de álcool e dados da evolução do diagnóstico clínico e psiquiátrico. A quantidade de bebida alcoólicaLíquido que contém álcool (etanol) e é destinado a ser bebido. Quase todas as bebidas alcoólicas são preparadas por fermentação, que pode ser seguida – no caso dos destilados – por destilação. A cerveja é produzida através da fermentação de cereais (cevada maltada, arroz, milho, etc.) freqüentemente com a adição de lúpulo. Os vinhos são produzidos através da fermentação de frutas, particularmente de uvas. O Xerez, o vinho do Porto e outros vinhos fortificados são vinhos aos quais se adicionam certos destilados, habitualmente para obter-se um conteúdo de etanol de cerca de 20%. Outros produtos de fermentação tradicionais são o hidromel (a partir de mel), cidra (de maçã ou outras frutas), saquê (de arroz), pulque (do cacto agave) e chicha (de milho).Os destilados variam quanto à matéria prima (cereal ou fruta) da qual são derivados: por exemplo, a vodca é feita a partir de cereais ou de batatas; o uísque, de centeio ou milho; o rum, de cana de açúcar; e o conhaque, de uvas ou outras frutas.O álcool também pode ser sintetizado quimicamente (do petróleo, por exemplo), mas raramente tem-se usado isso para produzir bebidas alcoólicas.Inúmeros congêneres – constituintes das bebidas alcoólicas que não o etanol e a água – já estão identificados, mas o etanol é o principal ingrediente psicoativo em todas as bebidas alcoólicas comuns.As bebidas alcoólicas têm sido usadas desde a pré-história na maioria das sociedades tradicionais, exceto na Australásia, na América do Norte (logo ao norte da atual fronteira entre os EUA e o México) e na Oceania. Muitas bebidas fermentadas tradicionais tinham um conteúdo de álcool relativamente baixo e só podiam ser armazenadas por poucos dias.A maioria dos governos procura criar alvarás ou impostos especiais ou mesmo controlar completamente a produção e a venda de álcool, embora possa permitir a produção caseira de diversos tipos de bebidas alcoólicas. Em vários países, certas bebidas alcoólicas (principalmente destiladas) são produzidas ilicitamente, e podem se contaminar com substâncias tóxicas (chumbo, por exemplo) no processo de produção. consumida foi padronizada em unidades internacionais.
- Para medir a gravidade da dependência, foi utilizado o Short-Form Alcohol Dependence Data (SADD), criado por Raistrick em 1983 e padronizado para uso no Brasil por Jorge e Masur (1986).
- O instrumento utilizado para detectar os pacientes alcoolistas da internação clínica foi o Alcohol Use Disorder Identification Test (AUDIT). Este questionário foi desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde e objetiva identificar bebedores com consumo nocivo ou dependentes de álcool. Mesmo uma pontuação mínima no AUDIT já é indicativo do uso inadequado do álcool e da necessidade de investigação do diagnóstico. No Brasil, tal instrumento foi validado por Mendez (1999), Mendonza-Sassi e Béria (2003), sendo a sensibilidade do instrumento de 91,8% e a especificidade de 62,3% quando comparadas ao padrão-ouro (critérios da CID-10).
- O inventário de conseqüências negativas (DrInC – The Drinker Inventory of Consequences) foi criado por Miller e Tonigan (1995) e validado por Figlie (1999) para medir as conseqüências negativas do hábito de beber. Nos estudos de fidedignidade, a consistência interna foi de r = 0,91, e a confiabilidade teste-reteste, de r = 0,94 (Miller e Tonigan, 1995). O inventário é dividido em subescalas, e os itens são distribuídos em: conseqüência físicas (8 itens), conseqüências interpessoais (10 itens), conseqüências intrapessoais (8 itens), conseqüências da responsabilidade social (7 itens), conseqüências no controle dos impulsos (12 itens) e escala de controle (5 itens). O escore total é o somatório dos escores de todas essas escalas, excluindo a de controle. A classificação é distribuída em uma escala de 0 a 100.
- A escala University of Rhode Island Change Assessment Scale (URICA) foi desenvolvida por McConnaughy, Prochaska e Velicer (1983) e validada por Figlie (1999). Trata-se de uma escala constituída por 32 itens, divididos em 4 subescalas: pré-contemplação (8 itens), contemplação (8 itens), ação (8 itens) e manutenção (8 itens). Objetiva auxiliar no tratamento pela identificação dos estágios motivacionais em que o paciente se encontra.
Procedimentos para a coleta de dados
O projeto foi avaliado pelo comitê de ética em pesquisa da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), e, a partir da aprovação deste, foi encaminhado para o comitê de ética das instituições, onde foi iniciada a coleta de dados.
Termo de consentimento livre e esclarecido.
Avaliação individual de cada paciente que preenchia os critérios de inclusão.
Para identificar os bebedores nocivos no hospital geral, foi aplicado o AUDIT, sendo que os que obtiveram pontuação mínima neste instrumento foram entrevistados com o objetivo de realizar o diagnóstico de dependência do álcool segundo a CID-10. Destes pacientes, os que preenchiam os critérios diagnósticos para dependência do álcool prosseguiram para a aplicação individual das escalas SADD, DrInC e URICA. Como os sujeitos da unidade de dependência química (grupo 2) já possuíam diagnóstico prévio de dependência do álcool pela CID-10, foi realizada somente a aplicação individual das escalas citadas.
Análise dos dados
Foi utilizada a análise estatística descritiva para caracterização da amostra. A comparação dos grupos foi feita por meio do teste não-paramétrico de Mann-Whitney e do teste paramétrico t de Student.
Resumo
A distribuição da amostra nos grupos foi de 42 sujeitos (46,2%) para o grupo 1 e 49 sujeitos (53,8%) para o grupo 2. No AUDIT, obteve-se uma média de 22,64 pontos (SD = 7,70) e escores mínimo e máximo de 15 e 38 pontos, respectivamente.
Os diagnósticos clínicos encontrados nos sujeitos do grupo 1 foram cirrose: 33,3% (n = 14), pancreatite: 28,6% (n = 12), hemorragia digestiva: 9,5% (n = 4), hepatite alcoólica(K70.1)Um transtorno do fígado caracterizado por necrose das células hepáticas e sua inflamação conseqüente ao consumo crônico de níveis arriscados de álcool. É um precursor bem documentado da cirrose alcoólica, especialmente em casos nos quais a ingestão de álcool permanece elevadaEmbora em termos estritos o diagnóstico seja histológico, com freqüência é realizado com base em evidências clínicas e bioquímicas, mesmo que a confirmação pela biópsia não seja possível. Em termos clínicos, o diagnóstico é sugerido pela presença de icterícia (que pode ser intensa), discreta hepatomegalia e, por vezes, ascite e hemorragia.: 9,5% (n = 4), desnutrição: 4,8% (n = 2), intoxicaçãoUma situação conseqüente à administração de uma substância psicoativa e que resulta em perturbações do nível da consciência, da cognição, da percepção, do juízo crítico, do afeto, do comportamento ou de outras funções e reações psicofisiológicas. As perturbações estão relacionadas com a substância através dos efeitos farmacológicos agudos e das reações aprendidas relativos à substância e desaparecem completamente com o tempo, exceto quando houver surgido lesões teciduais ou outras complicações. O termo é mais comumente utilizado em relação ao uso de álcool; seu equivalente da linguagem diária é “embriaguez”. A intoxicação pelo álcool manifesta-se por rubor facial, fala empastada, marcha instável, euforia, hiperatividade, volubilidade, perturbação da conduta, diminuição do tempo de reação, juízo crítico perturbado, descoordenação motora, insensibilidade ou estupor.A intoxicação aguda depende muito do tipo e da dose da droga e é influenciada pelo nível individual de tolerância e por outros fatores. Muitas vezes uma droga é consumida exatamente para se conseguir um grau desejado de intoxicação. A expressão comportamental de um determinado grau de intoxicação é fortemente influenciada pelas expectativas culturais e pessoais acerca dos efeitos da droga.Intoxicação aguda é o termo empregado na CID-10 para designar uma intoxicação com importância clínica (F1x 0). As complicações podem incluir traumatismos, aspiração do vômito, delirium, coma e convulsões, dependendo da substância e do método de administração.A intoxicação habitual (ou embriaguez habitual), expressão usada basicamente em relação ao álcool, designa um padrão regular ou recorrente de beber até à intoxicação. Tal padrão às vezes é considerado como um delito, independentemente de episódios isolados de intoxicação.Outros termos gerais para intoxicação ou intoxicado incluem: embriaguez, embriagado, estar alto, bêbado.Veja também:bebedor de rua; intoxicação. alcoólica: 4,8% (n = 2), hipertensão arterialA hipertensão arterial (HTA) ou hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma das doenças com maior prevalência no mundo moderno e é caracterizada pelo aumento da pressão arterial, medida com esfigmomanômetro ("aparelho de pressão"), tendo como causas a hereditariedade, a obesidade, o sedentarismo, o alcoolismo, o estresse e outras (veja causas de Hipertensão, mais abaixo). A sua incidência aumenta com a idade. sistêmica: 2,4% (n = 1), hepatomegaliaAhepatomegaliaé uma condição na qual o tamanho do fígado está aumentado. Geralmente indica a existência de uma hepatopatia (doença do fígado). No entanto, muitos indivíduos com hepatopatia apresentam um fígado de tamanho normal ou mesmo menor do que o normal.Normalmente a hepatomegalia é assintomática (não produz sintomas). Entretanto, quando o aumento de volume é acentuado, ele pode causar desconforto abdominal ou uma sensação de plenitude.Quando o aumento de volume do fígado ocorre rapidamente, o fígado pode tornasse sensível à palpação. O médico comumente avalia o tamanho do fígado palpando-o através da parede abdominal durante o exame físico. Ao palpar o fígado, o médico também observa a sua textura. Quando aumentado de volume devido a uma hepatite aguda, a uma infiltração gordurosa, a uma congestão sangüínea ou a uma obstrução inicial das vias biliares, o fígado normalmente é macio. Quando o aumento é causado por uma cirrose, o fígado é firme e irregular. A presença de nódulos bem definidos normalmente sugere um câncer.: 2,4% (n = 1), afecções pancreáticas: 2,4% (n = 1) e tumor hepático: 2,4% (n = 1).
A comparação dos dados sociodemográficos dos dois grupos em relação à média de idade foi de 47,69 anos (SD = 8,84) no grupo 1 e de 40,16 anos (SD = 6,45) no grupo 2. Com relação ao estado civil e à ocupação, o grupo 1 dividiu-se em casados: 47,6% (n = 20), separados: 33,3% (n = 14), solteiros: 14,3% (n = 6) e viúvos: 4,8% (n = 2). O grupo 2 dividiu-se em separados: 40,8% (n = 20), casados: 38,8% (n = 19), solteiros: 20,4% (n = 10) e viúvos 0% (n = 0). A situação ocupacional no grupo 1 foi de desempregados: 42,9% (n = 18), empregados: 31% (n = 13) e aposentados: 26,2% (n = 11). Já o grupo 2 dividiu-se em empregados: 75,5% (n = 37), desempregados: 22,4% (n = 11) e aposentados: 2% (n = 1).
A idade em que experimentaram álcool pela primeira vez foi de 18,64 (SD = 4,64) no grupo 1 e de 15,33 (SD = 4,24) no grupo 2.
A gravidade da dependência, de acordo com o SADD, foi de 17,55 pontos no grupo 1 e de 24,39 pontos no grupo 2. A distribuição dos sujeitos quanto à gravidade da dependência no grupo 1 foi de 5 sujeitos na categoria leve, 22 na categoria moderado e 15 na categoria grave. No grupo 2, ninguém apresentou gravidade leve, 14 apresentaram dependência moderada e 35 apresentaram dependência grave.
Resultados da DrInC e da URICA
Observam-se nas tabelas 1 e 2 as subescalas do inventário DrInC e da URICA para cada grupo, respectivamente. Em seguida, serão analisadas as associações entre os grupos.
Discussão dos resultados
Apesar de a idade de experimentação da bebida alcoólica ter sido bastante precoce para os dois grupos, quando comparados, esta variável apresentou diferença significativa (p = 0,001). Estudos apontam a precocidade com que os indivíduos experimentam bebida alcoólica pela primeira vez – entre 12 e 14 anos de idade – (Carrington et al., 1999), fato este que também pôde ser constatado neste estudo, pois, apesar de os sujeitos estarem acima da faixa etária descrita nos estudos, a idade de experimentação mostrou-se bastante precoce.
Com relação à média de idade dos dois grupos, o grupo 1 apresentou idade superior, e suas complicações de ordem clínica demonstram que tais sujeitos esperaram ocorrer um prejuízo clínico para buscarem ajuda. Já o grupo 2 não apresentou doença clínica e buscou tratamento para dependência química mais cedo, fator importante para prevenir prejuízos maiores decorrentes do álcool. Observa-se que tal achado corrobora dados da literatura, em que são relatados que os problemas mais freqüentes com o álcool surgem na idade adulta (Edwards e Lader, 1994).
Com relação à gravidade da dependência, constatou-se que, do total da amostra (n = 91), 54,9% (n = 50) apresentaram dependência grave, 39,6% (n = 36) dependência moderada e 5,5% (n = 05) dependência leve. Edwards (1986), refere que a gravidade da dependência é preditivo do sucesso na obtenção de níveis de moderação versus abstinência.
Os pacientes do grupo 1, na sua maioria, referiram nunca terem realizado tratamento para dependência química, tendo buscado tratamento médico apenas quando surgiu um problema físico, fato este já relatado por Edwards et al. (1999); Gerke et al., (1997); James et al. (1997); Lorenzo et al. (1999); e Shapiro et al. (1984).
As diversas morbidades físicas pelas quais os sujeitos do grupo 1 buscaram internação hospitalar são os diagnósticos mais relacionados com o alcoolismo, sendo que o uso do álcool aumenta o risco de desenvolver uma dessas patologias (White et al., 2002; Edwards et al., 1999).
Por meio da alta pontuação obtida no AUDIT, foi possível observar que os pacientes com complicações clínicas relacionadas ao alcoolismo realmente faziam uso nocivo e apresentavam dependência alcoólica, o que corrobora estudos de Figlie et al. (1997) e Masur et al. (1979), realizados em hospitais gerais utilizando o mesmo instrumento. Tal achado ressalta a importância do tema e a necessidade da divulgação de métodos de rastreamento confiáveis e de rápida aplicação entre os profissionais dos hospitais gerais. Laphan et al. (1998) refere que o AUDIT é um instrumento satisfatório para rastreamento do alcoolismo, pois é possível realizar sua aplicação em cerca de 2 minutos, o que o torna de fácil adaptação às rotinas dos hospitais (Conigrave et al., 1995).
Também observou-se que a dependência do álcool é um diagnóstico muito encontrado nos hospitais gerais, além de bastante simples de ser detectado, conforme apontam alguns estudos realizados por Leite e Puel (1985) e Nasi et al. (1992).
Foram analisadas também as conseqüências negativas do hábito de beber entre os dois grupos, tendo sido encontradas diferenças significativas nas subescalas da DrInC. Com relação às conseqüências físicas acarretadas pelo álcool, obteve-se diferença significativa entre os grupos (P = 0,024) e médias de 4,79 (SD = 2,11) para o grupo 1 e 5,80 (SD = 2,08) para o grupo 2. Resultados semelhantes foram encontrados por Figlie (1999) em um estudo em que o grupo de alcoolistas que buscou tratamento por uma patologia física apresentou menor média nas conseqüências físicas do que um grupo de alcoolistas que buscou tratamento em ambulatório especializado em dependência química. Esse achado é preocupante e nos leva a pensar que não são somente os prejuízos obtidos pelo uso do álcool que fazem os pacientes se sentirem prejudicados, mas, sim, a consciência de que essas conseqüências estão associadas à dependência do álcool.
O fato de a escala DrInC ser um instrumento de auto-relato fornece uma avaliação quantitativa do julgamento do paciente, o que possibilita uma aproximação empírica da extensão e da dimensão do funcionamento vital associado ao consumo do álcool (Longabauch et al., 1994).
A subescala de conseqüências interpessoais, através do teste de Mann Whitney, também apresentou diferenças significativas entre os grupos (p = 0,000), sendo que a maior média foi para o grupo 2. Por meio do mesmo teste estatístico, analisou-se a subescala de responsabilidade social, na qual houve significância (p = 0,003) e maior média para o grupo 2, bem como na soma total dos escores das subescalas (p = 0,001).
A partir desses dados, observa-se que os sujeitos que estão nos hospitais gerais não percebem a associação de seus prejuízos com o hábito de beber, pois é conhecido que, junto com a dependência química, surgem conseqüências negativas no desempenho profissional, familiar e social (Ribeiro et al., 1995; Oliveira, 2000). Nesse sentido, avaliar como é abordada a questão do alcoolismo com os pacientes que buscam os hospitais gerais é de crucial importância.
Ainda existe certa dificuldade entre os profissionais da saúde em associar um problema clínico à dependência do álcool (Barros et al., 1997; Edwards et al., 1999). Em muitos casos, o diagnóstico não é esclarecido ao paciente e a seus familiares, os resultados de exames laboratoriais para investigação do diagnóstico não são passados a eles, permanecendo nos prontuários, e não há nenhum registro de uso de álcool descrito nestes. Estudos brasileiros relatam que apenas 1% dos casos de alcoolismo é registrado nos prontuários (Edwards et al., 1999; Masur, 1986). A falta de registros e a não-identificação do uso de álcool já foram observadas em outros estudos utilizando instrumentos fidedignos e de fácil aplicação como o AUDIT (Ramos et al., 2002). Tais dados são preocupantes na medida em que sabemos que os índices de pacientes admitidos em enfermarias de hospitais gerais são altos (Gerke et al., 1997; Shapiro et al., 1984).
A principal razão pela qual o paciente alcoolista busca ajuda é a complicação física. Conforme forem utilizadas as informações sobre os sintomas físicos do paciente, estas poderão se converter em um estímulo para que o paciente reflita sobre sua situação, sendo que muitos pacientes resolvem tentar parar de beber definitivamente quando têm claro que os danos físicos que apresenta são ocasionados pelo álcool. É importante ter cuidado para não utilizar os resultados de forma aterrorizante, pois, neste caso, o paciente poderá ignorar o que ouviu devido à dificuldade em aceitar, ou poderá pensar que, como seu estado é grave, valerá mais a pena beber até morrer (Edwards et al., 1999).
Existem poucos estudos investigando se pacientes alcoolistas que chegam aos serviços de hospitais gerais buscaram atendimento anteriormente para o problema com o álcool; além disso, não existem dados para avaliar se, quando o problema é detectado pela primeira vez no hospital, é trabalhada motivação para mudança do comportamento de beber (Lloyd et al., 1982).
Para muitos pacientes, a conscientização em relação ao problema com a bebida somente ocorre por meio do aparecimento de um prejuízo concreto à saúde, podendo ser este o ponto de partida para a mudança (McCrady e Langebecher, 1996; Edwards et al., 1999).
Ao avaliarmos os estágios motivacionais, foi observado que, na pré-contemplação, a média de pontos do grupo 1 foi de 17,64, no estágio da contemplação, foi de 29,38, no estágio da ação, foi de 28,93, e na manutenção, foi de 23,60. Esses dados revelam que, embora ainda seja alta, a menor média de pontos desse grupo nos estágios foi na pré-contemplação, o que nos faz pensar que, embora não associem o diagnóstico clínico à dependência alcoólica, revelaram ter alguma crítica do seu problema em relação ao álcool e que não estão completamente resistentes em reconhecer ou modificar o problema, sendo esta uma característica do estágio da pré-contemplação. Por outro lado, a maior média de pontos do grupo 1 foi no estágio da contemplação, revelando que ainda não tomaram uma atitude, mas que têm consciência do problema e podem estar prontos para a conscientização, estando aptos, portanto, a responder bem às intervenções educacionais (Prochaska et al., 1999). Tanto a realização de uma conscientização, como a utilização de intervenções educacionais, são bastante adequadas e possíveis de serem trabalhadas na internação em hospital geral, pois são objetivas e direcionadas ao problema, facilitando ao paciente iniciar o processo de mudança.
Esses dados corroboram estudos de Heater et al. (1993) e Rumpf et al. (1998; 1999), nos quais esses autores pesquisaram a motivação para mudança em pacientes alcoolistas admitidos em hospitais gerais e observaram que tais pacientes encontravam-se menos no estágio de pré-contemplação e mais no de contemplação. Esse dado traz contribuições no sentido de o hospital geral ser um espaço de prevenção secundária, de ponto de partida para a mudança e uma oportunidade de trabalhar a motivação para a mudança nesses pacientes.
Ao compararmos os dois grupos com relação à motivação para mudança através do teste t, não foram encontradas diferenças significativas no estágio de pré-contemplação (p = 0,098) e contemplação (p = 0,342), porém, no estágio da ação, houve diferença significativa (p = 0,006), bem como no estágio da manutenção (p = 0,000). Os sujeitos do grupo 2 encontraram-se mais motivados para a mudança, e, com exceção da pré-contemplação, em todos os estágios, esse grupo obteve maior média de pontos. Os pacientes do grupo 2 revelaram estar efetivamente fazendo algo para mudar seu estilo de vida (Grant, 1986), caracterizando assim o estágio da ação, diferenciando-os do grupo 1, que apresentaram menor pontuação na ação. O estágio da manutenção também demonstrou maior média de pontos do grupo 2, ou seja, estão trabalhando a prevenção à recaídaO retorno ao uso de bebida ou de outra droga após um período de abstinência, freqüentemente acompanhado pela reinstalação de sintomas de dependência. Alguns autores fazem distinção entre recaída e deslize, este último denotando uma ocasião isolada do uso de álcool ou droga. (Jungerman e Laranjeira, 1999).
De modo geral, o grupo 2 apresentou-se mais motivado para a mudança em relação ao grupo 1, dado já observado por Figlie (1999) ao comparar dois grupos de pacientes: um de ambulatório de gastroenterologia e outro de ambulatório especializado, o que nos alerta para a necessidade da questão do alcoolismo ser mais efetivamente trabalhada no âmbito do hospital geral, pois sabemos que essa prática ainda deixa a desejar, conforme observado em estudos (Ramos et al., 2002). As principais falhas referem-se à investigação diagnóstica do alcoolismo e ao esclarecimento do problema ao paciente visando à conscientização deste em relação ao seu problema com a bebida, bem como da relação que a bebida tem com sua condição física (Edward et al., 1999; De Luca, 1981).
Conclusões
Esta pesquisa não esgota a discussão dos resultados encontrados, mas traz uma reflexão sobre o tema “motivação para mudança e pacientes alcoolistas em serviços não especializados”, de modo que surja o interesse por novas investigações visando à realização de encaminhamentos e até de uma possível intervenção nesses serviços. A utilização dos hospitais gerais, bastante procurados por pacientes com dependência do álcool que apresentam alguma complicação clínica, poderá ser um importante instrumento de auxílio na difícil tarefa de tratar o alcoolismo.
Estudos apontam a efetividade de intervenções breves, como a entrevista motivacional, no tratamento do alcoolismo (Oliveira, 2000). Esse modelo de intervenção, em especial devido aos seus princípios básicos, torna-se bastante adequada para ser utilizada nos serviços de saúde em geral.
O estudo demonstra algumas limitações, pois não foi possível uniformizar a informação que o paciente do hospital geral tinha recebido do médico em relação ao seu problema e, principalmente, se o paciente tinha sido esclarecido que sua complicação clínica estava relacionada ao consumo de bebida alcoólica. Essas limitações provavelmente interferiram nos resultados, visto que os pacientes com doenças clínicas, em sua maioria, não associavam a causa da doença ao consumo excessivo de álcool, fato que pode estar ligado a vários aspectos, como não ter recebido a informação adequadamente e de maneira compreensível ou até mesmo por não querer aceitar que o hábito de beber está diretamente relacionado ao seu problema clínico.
Destacamos também a importância da capacitação dos profissionais da saúde em geral, os quais, por terem bastante contato com pacientes dependentes do álcool, muitas vezes podem não ter o manejo mais adequado no que se refere à dependência química, sendo que o foco principal do atendimento fica sendo a complicação física.
Autor
- Luciane Benvegnú Piccoloto1
- Margareth da Silva Oliveira2
- Renata Brasil Araújo3
- Wilson Vieira Melo4
- Mônica Giaretton Bicca5
- Maria Augusta Mansur de Souza6
1 Psicóloga clínica, mestre em psicologia clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), professora da Graduação da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra-RS).
2 Psicóloga, doutora em ciências pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), professora titular da PUCRS, coordenadora do Grupo de Pesquisa de Intervenções Cognitivas e Comportamentos Dependentes da PUCRS.
3 Psicóloga clínica, professora da residência do Hospital Psiquiátrico São Pedro (HPSP), doutora em psicologia pela PUCRS.
4 Psicólogo clínico, mestrando em psicologia clínica pela PUCRS, professor da Faculdade de Taquara (FACCAT-RS). .
5 Psicóloga clínica.
6 Psicóloga clínica.
Endereço para correspondência:
Luciane Benvegnú Piccoloto. Rua Santa Cecília, 1556. Bairro Santa Cecília – 90420-040 – Porto Alegre, RS. Fone: (51) 3332-3249 – Telefax: (51) 3331-6403. E-mail: terapiascognitivas@terapiascognitivas.com.br
Revista de PsiquiatriaPsiquiatria é uma especialidade da Medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças mentais em humanos, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, tais como depressão, doença bipolar, esquizofrenia e transtornos de ansiedade.A meta principal é o alívio do sofrimento psíquico e o bem-estar psíquico. Para isso, é necessária uma avaliação completa do doente, com perspectivas biológica, psicológica, sociológica e outras áreas afins.Uma doença ou problema psíquico pode ser tratado através de medicamentos ou várias formas de psicoterapia.A avaliação psiquiátrica envolve o exame do estado mental e a história clínica. Testes psicológicos, neurológicos e exames de imagem podem ser utilizados na avaliação, assim como exames físicos. Os procedimentos diagnósticos variam mas os critérios oficiais estão descritos em manuais como a CID-10 da Organização Mundial de Saúde e o DSM-IV da American Psychiatric Association. Clinica volume 33 numero 4 ano 2006 pagina http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/index.html
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