Enquanto Conselheira do Conselho Federal de Psicologia e membro da Comissão Gestora do Conselho Regional de Psicologia do Estado do Rio de Janeiro, não poderia deixar de posicionar-me em relação à matéria publicada pelo Jornal O Globo, onde a Diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (NEPAD-UERJ) - Psiquiatra Maria Tereza Aquino, afirmou que a "psicologia errou ao dizer que não se pode frustar as crianças", fazendo uma relação entre esse fato, a educação promovida pela família e a possibilidade do uso abusivo de drogas. Por não concordarmos que as teorias psicológicas, cientificamente validadas, tenham defendido tal ponto de vista e porque não consideramos suficiente psicologizar um tema tão complexo, é que opto por expressar alguns outros pontos de vista como contribuição para o debate.
Cabe inicialmente destacar que não acreditamos que existam produções científicas dissociadas do seu tempo histórico de emergência, querendo com isto afirmar que além das ciências não serem neutras, expressam e difundem valores (sobre o bem e o mal, sobre as variantes estéticas, sobre os prazeres e afetos, etc) atinentes ao tempo de suas produções. As teorias psicológicas (assim como as demais produções teóricas), são geradas no mundo e enquanto tal, explicitam visões sobre o homem e mais especificamente sobre a subjetividade, que não são unívocas e que muitas das vezes, são até conflitantes.