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DROGAS: MACONHA, COCAINA E CRACK

Ronaldo Laranjeira, Flavia Jungerman e John Dunn

Aceitando o convite da Editora Contexto, docentes das melhores universidades brasileiras redigiram os livros desta colecao especialmente para a nossa realidade, a partir de cuidadosas pesquisas e de longa pratica de consultorio

  • Maconha e o inicio da escalada para o uso de outras drogas mais pesadas
  • Quais os efeitos do uso da maconha, da cocaina e do crack?
  • Como saber se seu filho esta usando drogas?
  • Qual o papel do dependente?

Neste livro, Laranjeira, John Dunn e Flavia Jungerman esclarecem os mitos sobre as drogas aos pais - maconha, cocaina e crack Uma obra para usuarios, familiares e educadores.

SUMARIO

  1. Introducao
  2. Maconha
  3. Efeitos da maconha
  4. Cocaina e crack
  5. Efeitos da cocaina e do crack
  6. Familia
  7. Tratamento

INTRODUCAO

E crescente a preocupacao dos pais em relacao ao "uso das drogas; a imprensa falada e escrita tem

revelado com certa frequencia o mundo das drogas, recheando-o de imagens de destruicao, violencia e empobrecimento; em qualquer reuniao de pais e professores se discute este tema, e mesmo familias que nao convivem com usuarios de drogas ja estao preocupadas em evitar que isso aconteca um dia a um dos seus; a sua maneira, as autoridades se interessam pelo problema, pois sabem que esse comercio ilegal movimenta a soma astronomica de 600 bilhoes de dolares por ano no mundo, soma inferior apenas ao da industria de armamentos; os profissionais da saude tambem procuram orientar a sociedade passando as informacoes mais uteis aos usuarios em potencial, aos usuarios propriamente ditos, suas familias e autoridades em geral. Mas tudo isso ainda parece pouco diante da dimensao da questao.

Se por um lado o assunto drogas esta em nosso dia-a-dia, por outro a qualidade das' informacoes que permeiam esse debate e por demais superficial, sem credibilidade cientifica e rica de calor ideologico. Para os que se opoem as drogas, qualquer argumento e valido para manter sua familia longe delas. Para os que querem experimentar ou estao experimentando alguma droga, a propria experiencia ou a de amigos sao usa-

das como evidencia do exagero que existe em relacao aos problemas decorrentes do uso das drogas.

Consideramos que o melhor argumento contra as drogas sao as evidencias cientificas, claras e objetivas, sem a retorica evangelica e sem o desespero de querer convencer quem quer que seja. O objetivo deste livro e discutir os principais mitos que rondam as drogas ilegais no Brasil: a maconha, a cocaina e o crack. E todos os dados aqui apresentados basearam-se em pesquisas cientificas publicadas nos ultimos anos e na experiencia dos autores no tratamento de pessoas com serios problemas de dependencia de drogas na UNIAD (Unidade de Pesquisas em Alcool e Drogas), da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de Sao Paulo.

com esta obra queremos orientar pais e professores, e estamos certos de que tambem vamos colaborar para a desmitificacao do tema e para a elaboracao de politicas publicas adequadas pelas autoridades educacionais e de saude.

MACONHA

onhecida tambem como marijuana, erva, fumo, dentre outros nomes, a maconha e produto de uma planta de nome Cannabis sativa. Uma resina grudenta cobre as flores e as folhas superiores, principalmente na planta femea, e contem mais de sessenta substancias chamadas canabinoides. No entanto, a substancia que produz os efeitos mentais desejados e o Thc (delta-9-tetraidrocanabinol). Existem outras quatrocentas substancias quimicas na maconha que, embora nao resultem em efeitos para o cerebro, produzem outros no corpo.

O uso da maconha e conhecido ha cerca de 12.000 anos. com a planta, os gregos e os chineses faziam cordas que eram utilizadas em navios. Como medicamento, comecou a ser usada na China ha 3.000 anos no tratamento de constipacao intestinal, malaria, dores reumaticas e doencas femininas. Por suas propriedades psicoativas, a planta era recomendada para melhorar o sono e estimular o apetite. Um pouco mais tarde, na india, sua capacidade de produzir euforia foi descoberta e entao a Cannabis passou a ser prescrita para reduzir a febre, estimular o apetite, curar doencas venereas e como analgesico. Por volta de 1850, suas propriedades anticonvulsivantes, analgesicas, antiansiedade e antivomito foram pesquisadas por varios medicos europeus.

Foi no inicio do seculo XX que o uso da maconha como medicamento praticamente desapareceu do mundo ocidental com a descoberta das drogas sinteticas, muito mais seguras e eficazes. A partir dai, a maconha passou a ser usada quase que exclusivamente como droga de abuso, o que acontece ate os dias de hoje.

O mito:

A concentracao da maconha e sempre igual nas suas preparacoes.

A verdade

O conteudo da substancia ativa da maconha (Thc) varia conforme o clima, solo, plantacao e tipo de planta. Existem evidencias de que nos ultimos anos a concentracao de Thc na maconha vem aumentando: nos anos 60, ficava em torno de 1%; atualmente chega a 4%, podendo em algumas situacoes atingir

20%. Em alguns paises, como a Holanda, produtores aparentemente criaram uma nova cepa da planta (netherweed] com concentracoes de THC maiores que 20%, procedimento que pode alterar substancialmente as complicacoes provocadas pela droga num futuro muito proximo.

o mito:

Haxixe tambem e maconha.

A verdade

O haxixe deriva da mesma planta que a maconha, porem esta ultima e preparada a partir dos topos floridos secos e das folhas da planta colhida. Haxixe, ou hash, e a resina da planta seca e das flores comprimidas. A diferenca fundamental reside no fato de o haxixe ser de cinco a dez vezes mais potente do que a maconha comum.

Ha ainda uma terceira forma popular da droga: o oleo de hash, altamente potente e viscoso, e obtido pela extracao do Thc do

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haxixe ou da maconha com um solvente organico, concentrando o extrato filtrado e, as vezes, submetendo-o a futura purificacao. No Brasil, a forma mais popular de consumo e mesmo a maconha usada como cigarro.

O mito:

Qualquer um reconhece a maconha.

A verdade

A maconha tem aparencia marrom-esverdeada, apresenta folhas secas e e mais comumente fumada com as folhas "dichavadas" (separadas) num papel de cigarro ou seda. O produto final tem aspecto de cigarro e e conhecido como baseado, no qual algumas pessoas inserem um filtro para tornar a inalacao mais facil e menos direta. As vezes a maconha e misturada com tabaco comum para diminuir sua potencia; os usuarios mantem a fumaca da maconha nos pulmoes por varios segundos, quando querem aumentar a absorcao da droga.

O mito:

A maconha demora para fazer efeito.

A verdade

Cannabis na forma de maconha fumada nao demora para fazer efeito e atinge seu pico apos vinte minutos do inicio do uso, comecando, a partir dai, a diminuir. O efeito da maconha dura de

5 a 12 horas, dependendo da quantidade usada.

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O mito:

"Nenhum exame clinico consegue determinar se uma pessoa fumou maconha ou nao.

A verdade

Atraves do exame de sangue e possivel determinar se a maconha foi usada e se o uso foi recente (mas nao e possivel indicar com exatidao o quao recente). No caso de consumidores cronicos e diarios, o organismo fica limpo do ThC depois de 19 a 27 horas; nos usuarios menos cronicos, de 50 a 57 horas. Atualmente existem alguns exames que podem detectar quantidades de maconha na urina. E um procedimento bastante simples, e com ele fica-se sabendo se o individuo usou a droga nos ultimos dois dias. Este exame esta sendo muito usado nos EUA.

O mito:

A legalizacao da maconha aumenta o consumo da droga.

A verdade

Esse assunto e polemico no mundo todo. Existem paises, como a Holanda, onde a maconha e tolerada para venda ate certas quantidades. Esses paises sao adeptos de uma politica de diminuicao de risco: ja que ha consumo, que ele seja feito entao da forma mais segura. No Brasil, essas ideias comecam a ser discutidas.

Um dos aspectos importantes dessa questao e se a eventual legalizacao, ou seja, a descriminacao da maconha, levaria ao aumento de seu consumo. Existem evidencias de que a legalizacao das drogas vem acompanhada de maior consumo e, portanto, maior risco de dependencia dos usuarios.

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As pessoas tem a tendencia de encarar a maconha como uma droga leve, no entanto ela passou a ser mais perigosa nos ultimos tempos devido ao aumento de sua concentracao. Nesse sentido, a sua legalizacao ficara cada vez mais dificil de se sustentar.

Mito: A maconha pode ficar no organismo.

A verdade

Pesquisas mostram que o THC pode permanecer de tres a cinco dias no organismo de usuarios cronicos. Existem evidencias de que esses usuarios ficam com quantidades significativas de ThC na gordura do corpo. Ainda nao se sabe exatamente as consequencias da acumulacao e de como se da tal processo, mas todos os usuarios deveriam saber disso.

O mito:

Nao ha quem nao tenha experimentado maconha.

A verdade

A maconha e a droga ilicita mais experimentada no Brasil: 60% dos meninos de rua usaram maconha pelo menos uma vez; por volta de 10% dos estudantes de 1a grau ja experimentaram a droga; pesquisa feita com universitarios da cidade de Sao Paulo em

1995 mostra que 26% deles ja experimentaram maconha. Esses dados, no entanto, comprovam que nem todo mundo ja fumou maconha.

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EFEITOS DA MACONHA

Os efeitos prazerosos da maconha geralmente relatados sao:

sensacao generalizada de relaxamento e de paz;

- os cinco sentidos parecem mais agucados, ou seja, ocorre um aumento da sensibilidade aos aromas, aos sabores, ao toque, aos ruidos;

- qualquer coisa, por mais banal que seja, torna-se um divertimento;

- euforia;

-- aumento do prazer sexual.

Incluindo os acima mencionados, os efeitos adversos agudos psicologicos e de saude que podem ocorrer sao:

- ansiedade, panico e paranoia, especialmente em usuarios menos experientes;

- diminuicao das habilidades mentais, especialmente da atencao e da memoria;

- diminuicao da capacidade motora;

- aumento do risco de ocorrerem sintomas psicoticos entre os usuarios com predisposicao para tal.

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Quadro l - Principais efeitos do uso agudo da maconha

Sistema

Efeitos

Geral

Relaxamento / euforia Pupilas dilatadas Conjuntivas avermelhadas Boca seca

Aumento do apetite Rinite/faringite

Neurologico

Comprometimento da capacidade mental Percepcao alterada Coordenacao motora alterada Voz pastosa (mole, preguicosa)

Cardiovascular

Aumento dos batimentos cardiacos

Aumento da pressao arterial

Psiquico

Despersonalizacao

Ansiedade/confusao

Alucinacoes

Perda da capacidade de msights

Os efeitos adversos cronicos psicologicos e de saude sao:

- disturbios respiratorios como, por exemplo, bronquite, se a via de uso for a fumada;

- desenvolvimento de uma sindrome de dependencia, caracterizada pela incapacidade de se abster ou controlar o uso;

- diminuicao sutil das capacidades cognitivas, com ou sem possibilidade de melhora apos abstinencia prolongada;

- aumento do risco de diminuicao do peso do bebe se a maconha for usada na gravidez.

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Quadro 2 - Principais efeitos do uso cronico da maconha

Sistema

Efeitos

Geral

Fatiga cronica e letargia Nausea cronica

Dor de cabeca Irritabilidade

Respiratorio

Tosse seca

Dor de garganta cronica

Congestao nasal (

Piora da asma

Infeccoes frequentes dos pulmoes

Bronquite cronica

Neurologico

Diminuicao da coordenacao motora Alteracao da memoria e da concentracao Alteracao da capacidade visual (profundidade e cor) Alteracao do pensamento abstrato

Reprodutivo

Infertilidade

Problemas menstruais

Impotencia

Diminuicao da libido e da satisfacao sexual

Psiquico

Social

Depressao e ansiedade

Mudancas rapidas do humor/irritabilidade

Ataques de panico

Mudancas de personalidade

Tentativas de suicidio

Isolamento social

Afastamento do lazer e de outras atividades sociais

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Alguns efeitos adversos da maconha precisam de confirmacao cientifica, como:

- desenvolvimento de cancer no trato aerodigestivo;

- risco de leucemia em bebes de mulheres expostas a maconha durante a gravidez;

- declinio na atividade ocupacional, marcado nos adultos por dificuldades no trabalho e, nos adolescentes, por dificuldades nos estudos (sindrome amotivacional};

- defeitos congenitos em bebes de mulheres expostas a maconha durante a gravidez.

mito:

Fumar maconha faz menos mal do que fumar cigarro.

A verdade

E sempre dificil comparar duas drogas. A maconha e o fumo produzem efeitos adversos e distintos em seus consumidores, mas tambem compartilham alguns efeitos agudos e cronicos, dentre eles os irritativos nos pulmoes e os estimulantes no coracao (advindos tanto da nicotina como do ThC), principalmente em pessoas com algum problema previo nesses orgaos.

No que se refere aos efeitos cronicos, tanto o cigarro como a maconha geram disturbios respiratorios, como bronquite, e, provavelmente, cancer de pulmao, boca, esofago e estomago. O fato de o usuario de maconha reter a fumaca por mais tempo nos pulmoes do que o fumante de cigarro comum facilita o aparecimento de irritacao nos orgaos e o desenvolvimento do cancer. Alem disso, a maconha e geralmente fumada sem filtro e sua fumaca tem cerca de 50% mais substancias cancerigenas, o que contribui para um maior risco de desenvolvimento de cancer. As pessoas

que associam o uso do cigarro com o da maconha estao se arriscando a desenvolver problemas pulmonares graves.

Varios outros efeitos tambem deveriam ser considerados nessa questao. Certamente as alteracoes cerebrais produzidas pela maconha (ThC) sao mais pronunciadas do que as produzidas pela nicotina. A maconha provoca alteracoes significativas no eletrencefalograma e no fluxo sanguineo cerebral. Ademais, causa alteracoes consideraveis de memoria e de capacidade mental, alem de problemas psiquiatricos que a nicotina nao causa.

O mito:

A maconha faz menos mal do que o alcool.

A verdade

O uso agudo da maconha traz (pelo menos) os mesmos riscos que a intoxicacao pelo alcool. Em primeiro lugar, as duas drogas produzem alteracao da coordenacao motora e comprometimento mental (com relacao a memoria e a capacidade de planejamento intelectual). Esse tipo de comprometimento aumenta as chances de ocorrerem varios tipos de acidente e acaba estimulando comportamentos de risco, como dirigir perigosamente, manter relacoes sexuais sem protecao, ter comportamentos anti-sociais etc.

com relacao ao uso cronico, tanto a maconha quanto o alcool produzem:

- Dependencia: Caracterizada pela dificuldade de interromper e/ou controlar o uso e pelo desconforto apos sua interrupcao.

- Alteracoes mentais significativas: A maconha pode produzir um quadro de psicose (desorganizacao mental grave), precipitar doencas mentais em individuos predispostos ou

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exacerbar sintomas mentais em individuos com doencas mentais ja instaladas, como depressao e esquizofrenia.

- Comprometimento do desempenho profissional: Tanto o alcool quanto a maconha diminuem a capacidade mental de concentracao e, portanto, alteram o desempenho no estudo e no trabalho.

- Aumento da mortalidade por acidentes, suicidio e violencia: Pesquisas tem sugerido que o alcool e a maconha aumentam a probabilidade de mortes desse tipo,

O mito:

A maconha pode deixar o usuario louco, isto e, psicotico ou esquizofrenico.

A verdade

Existem evidencias suficientes de que a maconha produz, em usuarios "pesados", uma psicose aguda (desorganizacao mental grave) com os seguintes sintomas: confusao mental, perda da memoria, delirio, alucinacoes, ansiedade, agitacao. Porem, nao ha dados que comprovem que seu uso possa gerar uma psicose cronica que perdure apos o periodo de intoxicacao. Ja foi descrita uma sindrome amouvadonal em usuarios cronicos, caracterizada pelo declinio do interesse pelas atividades diarias em geral, quando o individuo nao tem motivacao para fazer nada a nao ser usar a maconha. Essa sindrome ainda nao e aceita por muitos cientistas.

Contrariamente, ha fortes evidencias de que a maconha pode precipitar o aparecimento de um quadro psicotico, como a esquizofrenia, em pessoas com predisposicao para tal. Outros dados sugerem que o uso da maconha exacerba os sintomas nas pessoas que ja apresentam alguma doenca mental, como a esquizofrenia ou a depressao.

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mito;

A maconha queima neuronios.

A verdade

Nao esta provado que a maconha causa danos cerebrais irreversiveis nos seres humanos. Porem, o seu uso cronico traz consequencias mais sutis a atividade cerebral, como a diminuicao das habilidades mentais, especialmente da capacidade de prestar atencao nos fatos e da memorizacao de acontecimentos mais recentes. A medio e a longo prazo, a reducao dessas habilidades persiste enquanto o usuario se mantiver cronicamente intoxicado e pode ou nao se reverter apos o uso descontinuo da droga ou a sua abstinencia por um tempo prolongado.

Quanto mais tempo a maconha for usada, mais afetadas ficarao as habilidades mentais. Esse tipo de efeito e especialmente importante entre os adolescentes, que ainda estao em fase de desenvolvimento.

Omito:

Fumar maconha durante a gravidez nao e tao perigoso.

A verdade

Estudos sugerem que o uso da maconha durante a gravidez, principalmente no primeiro trimestre, provoca dificuldades de desenvolvimento fetal e nascimentos de bebes com menor peso, pois a maconha estimula o parto prematuro. Ha algumas evidencias de que a exposicao do feto a maconha durante a gestacao aumente a

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possibilidade de defeitos congenitos, bem como disturbios de comportamento e desenvolvimento durante os primeiros meses depois do nascimento. Portanto, e recomendavel que mulheres gravidas ou com intuito de engravidar evitem usar a maconha.

O mito:

A maconha estimula a atividade sexual.

A verdade

Pode ser que o efeito relaxante da maconha diminua a resistencia dos usuarios, tornando-os mais disponiveis a qualquer contato social, afetivo ou sexual, mas uma grande parte dos usuarios acaba se desinteressando das atividades sexuais em funcao desse relaxamento e da introspeccao produzida pelo uso da maconha.

Esta provado que, em animais, altas doses do ThC afetam o aparelho reprodutor tanto feminino como masculino, diminuindo a producao de hormonios, a motilidade e a viabilidade dos espermatozoides em machos e interferindo no ciclo ovulatorio em femeas. O quanto isso e aplicavel aos humanos ainda nao foi comprovado.

O mito:

Todos os fumantes de maconha

correm os mesmos riscos.

A verdade

Como afirmamos anteriormente, alem das gravidas e das pessoas com algum disturbio preexistente (desde pessoas com pro-

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blemas cardiacos, respiratorios, com esquizofrenia ou dependentes de outras drogas), os adolescentes em geral correm mais risco ao usar maconha, pois estao em fase de formacao de carater e o uso da maconha pode desviar seu desenvolvimento normal. Adolescentes, em geral, ja tem certa tendencia as dificuldades de adaptacao a uma percepcao de mundo que esta em constante mudanca, fato que pode desencadear problemas de comportamento e de insercao, alem de dificultar o aprendizado na escola. O uso da maconha pode exacerbar essas dificuldades, gerando diminuicao das habilidades mentais ou piorando o desempenho naqueles individuos em quem essas dificuldades ja existiam.

O mito:

A maconha e o inicio da escalada para o uso de outras drogas mais pesadas.

A verdade

Ha muita polemica em relacao a essa questao. O que se sabe e que um sujeito que ja usou a maconha esta mais propenso a experimentar as drogas ditas "pesadas" do que outro que nunca viu um cigarro de maconha. E isso nao se deve aos efeitos da maconha em si, mas a algumas circunstancias: na maioria dos casos o usuario tem contato com pessoas que consomem outras drogas e faz programas em que a maconha esta sempre presente. Portanto, o ciclo de amizades, os locais que frequenta, bem como os programas, podem estimular a curiosidade em relacao a outras drogas. Sabe-se tambem que adolescentes que comecam a fumar maconha muito cedo tem mais chance de progredir para um uso cronico da droga (caindo muitas vezes na dependencia) e de usar outras drogas mais pesadas.

Outro aspecto polemico desse mito e o de se poder classificar as drogas em leves (incluindo o alcool, o cigarro e a maconha) e

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pesadas (a cocaina e o crack). E preciso relativizar a questao. Para um dependente, a sua droga de consumo e o seu maior problema: para um alcoolatra, por exemplo, a cocaina nao e um risco, e as consequencias do uso cronico do alcool sao por demais severas para se considerar esta droga como leve. Quando se fala nessa classificacao, devem-se levar em conta dois fatores:

1. O poder de uma droga gerar dependencia no usuario Considerando esse fator como preponderante, o crack seria a mais pesada das drogas, pois a maioria dos consumidores ficam dependentes num curtissimo espaco de tempo desde a primeira fumada.

2. As reacoes adversas que a droga pode gerar-Varios aspectos devem ser levados em conta nesse fator, seja no caso do consumo da droga impura, seja no de overdose, a saber: quem usa a droga, qual droga e usada, qual a qualidade dela e em que circunstancia e quantidade e consumida. Nesse sentido, fica muito dificil generalizar e categorizar as drogas entre leves e pesadas.

O mito:

A maconha gera dependencia.

A verdade

A dependencia e medida pela dificuldade do usuario em diminuir ou cessar o consumo da droga e pelo modo como sua falta e sentida no corpo (chamada de sintomas de abstinencia). No caso da maconha, apesar de estar provado que o seu uso cronico nao resulta em severos sintomas de abstinencia, existem pessoas que os acusam.

Os principais sintomas da falta de maconha (abstinencia) sao: insonia, nausea, dores musculares, ansiedade, inquietacao,

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irritabilidade, sensacao de frio, suor, diarreia, falta de apetite, sensibilidade acentuada a luz, vontade intensa de usar a droga, depressao, perda de peso, tremores discretos.

Ha evidencias de que o uso da maconha altera o grau de tolerancia a droga, isto e, com o tempo o usuario precisa ir aumentando as doses para que a droga continue a fazer efeito.

A dependencia psicologica e o fenomeno mais comumente observado em usuarios de maconha. Ainda que nao ocorram os sintomas fisicos da abstinencia, a ansiedade, a depressao etc. sao suficientemente fortes para que o usuario continue fazendo uso da maconha. Na sua essencia, os sintomas da dependencia psicologica advem de mudancas no cerebro devido a falta da droga.

O mito:

Os efeitos indesejaveis da maconha nao precisam de primeiros socorros.

A verdade

Apesar do poder relaxante da maconha, a maioria das pessoas sente algum tipo de efeito desagradavel ao fuma-la pela primeira vez. Quase sempre os usuarios toleram os efeitos indesejaveis da maconha ou seus proprios companheiros de uso acabam socorrendo-os com medidas gerais de apoio, que sao suficientes.

No entanto, algumas pessoas, principalmente as menos experientes com a droga, tornam-se muito ansiosas, podendo ter reacoes semelhantes as de um ataque de panico. Nessas situacoes, elas deverao ser orientadas e asseguradas por alguem experiente, num local calmo e iluminado. Em raras ocasioes, um calmante leve, como Diazepam, Valium, Lexotan, pode ajudar.

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Omito:

A maconha tem efeitos terapeuticos.

A verdade

Esse e outro ponto polemico em relacao a maconha. No seculo XIX, alguns derivados da Cannabis eram recomendados pela medicina americana para tratar gota, reumatismo, tetano, convulsoes, depressoes e deliriam tremens. Existem evidencias de que algumas das substancias presentes na maconha possam agir de forma terapeutica em alguns casos:

- diminui a nausea em pacientes que fazem quimioterapia. Lembramos que existem medicacoes muito melhores e mais seguras que produzem esse mesmo efeito;

- estimula o apetite em aideticos. No entanto, o fato de haver evidencias de que a maconha tambem diminui a resposta imunologica faz com que seu uso nao seja recomendado em pacientes ja debilitados e com risco maior de infeccao;

- e auxiliar no tratamento do glaucoma. Frisamos que existem medicacoes mais efetivas e seguras para esse efeito.

Seu potencial como analgesico, antiasmatico, antiespasmodico, anticonvulsivante e antidepressivo ainda esta em estudo, mas com poucas evidencias. A pesquisa sobre o uso da maconha de forma terapeutica nao tem sido estimulada, ja que o ThC (componente da Cannabis de maior potencial terapeutico) e tambem aquele que gera os efeitos psicoativos nos usuarios esporadicos (nao-dependentes).

As tentativas de separar os efeitos colaterais indesejaveis da droga dos seus efeitos terapeuticos tem-se mostrado frustrantes. Alem disso, nao existem evidencias suficientes de que o uso da maconha como medicamento seja util, especialmente quando comparado aos medicamentos ja existentes.

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O mito

e perigoso misturar maconha com outras drogas.

A verdade

Os riscos ligados a mistura da maconha com outras drogas dependerao do "coquetel" usado. Logicamente o perigo aumenta na medida em que as doses tambem aumentam e os periodos de intoxicacao se tornam mais prolongados. Ha evidencias de que o uso associado do alcool e da maconha, por exemplo, aumenta a incidencia de acidentes de carro (a diminuicao da capacidade motora se acentua pela associacao das duas drogas).

O mito:

A maconha pode matar.

A verdade

Na literatura medica nao existem casos de morte por overdose de maconha e tampouco por seu uso isolado, isto porque o usuario deveria fumar muito ate chegar a uma dose letal. Portanto, o uso agudo da maconha nao mata diretamente. Os casos descritos de morte por intoxicacao sao devidos a acidentes decorrentes da desorganizacao mental produzida pela maconha.

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COCAINA E CRACK

As folhas de coca sao usadas na Bolivia, Peru, Equador e Colombia ha mais de 2.000 anos. Mas, desde o primeiro contato entre os nativos das populacoes precolombianas e os invasores espanhois, o uso da cocaina passou por reformulacoes constantes quanto ao seu papel social.

Para a Inquisicao espanhola, a cocaina estava associada ao pecado, mas, posteriormente, o fato de ela estimular os camponeses a trabalhar mais serviu para mudar tal concepcao e seu uso passou a ser associado a tradicao indigena.

O interesse pela cocaina na historia mais recente comecou com seu isolamento quimico, em 1882, feito por um alemao chamado Albert Newman. A partir de sua purificacao, usar a cocaina ficou mais facil e ela passou a ser prescrita com fins medicos; varios autores no final do seculo XIX ja ressaltavam uma serie de efeitos beneficos da substancia.

Freud, por exemplo, descreveu os efeitos anestesicos locais da cocaina, que acabou sendo empregada com sucesso em cirurgias oculares durante muitos anos. Alem disso, Freud tambem experimentou ele mesmo a droga e surpreendeu-se com seus efeitos agradaveis e tonificantes. Considerava que a cocaina poderia ser util como estimulante e afrodisiaco, e no tratamento da depressao, do alcoolismo, da dependencia de morfina e da asma. Nao ficou comprovado cientificamente que esses quadros melhorassem com a cocaina, e Freud foi acusado por' muitos medicos de irresponsavel. No final do seculo XIX, nos EUA, o uso da cocaina tornou-se bastante popular, e algumas bebidas, como o Vin Mariani

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e a Coca-Cola, apresentaram concentracoes razoaveis da substancia por varios anos.

com o seu consumo mais difundido no comeco do seculo XX, a literatura medica passou a descrever uma enorme variedade de complicacoes relacionadas ao uso da cocaina, dentre elas os problemas mentais, a dependencia e a morte. Baseando-se nessas evidencias medicas e numa serie de preocupacoes sociais, varios paises, em especial os EUA, aprovaram leis proibindo seu uso. Mas, progressivamente, esses cuidados foram diminuindo ate quase desaparecer. Nos paises andinos, no entanto, mascar folhas de coca continua fazendo parte dos costumes locais.

A partir da decada de 60, a cocaina passou a ser usada pelas elites economicas e sociais. Dez anos depois, ainda se pensava que a cocaina era uma droga muito segura e usada somente por uma minoria. Nos anos 80 o cenario comecou a mudar, gracas ao aumento da oferta da cocaina decorrente do incremento da producao e da distribuicao dirigida pelos carteis de traficantes.

E importante lembrar que esse numero ampliou-se ainda mais quando a cocaina, alem de inalada, passou a ser tambem injetada e fumada na forma de crack.

O mito:

Cocaina e diferente de crack.

A verdade

O crack nada mais e do que a cocaina em po, adicionada de agua e bicarbonato de sodio. Essa mistura e aquecida ate a agua evaporar, e o produto final consiste de pedras de cocaina. O nome "crack" vem de uma palavra inglesa que descreve o som produzido durante o processo de aquecimento da droga na hora de fumar.

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O crack surgiu nos EUA no final da decada de 80 como uma forma de cocaina que pode ser fumada. E impossivel fumar a cocaina em po, pois ela desmancha e nao vira fumaca. O crack geralmente e colocado num tipo de cachimbo caseiro que precisa ser aquecido (com fosforo ou isqueiro).

A cocaina em po parece farinha (alias, "farinha" e uma das girias pela qual a cocaina e conhecida), um po branco e cristalino. O crack parece uma pedra de acucar, com a coloracao variando do branco ao marrom.

A cocaina so pode ser cheirada. E o crack, fumado.

A verdade

Em nosso meio, cheirar o po da cocaina e a forma mais comum de uso. Normalmente o po e colocado numa superficie plana e lisa (por exemplo, um espelho ou mesa), espalhado e juntado com uma gilete, e entao e feita uma carreira do po. Em seguida, esse po e aspirado com a ajuda de algum canudinho ou diretamente com o nariz. Outra alternativa e esfregar o po nas gengivas

A partir de 1985, injetar a cocaina com seringa passou a ser uma pratica frequente. Primeiro o usuario mistura a droga com agua e aquece ate dissolve-la, depois a injeta diretamente na veia do braco. Uma das complicacoes graves desse tipo de uso e o alto risco de transmissao do virus da AIDS.

Desde 1990 uma mudanca no comportamento dos usuarios e aos proprios traficantes do estado de Sao Paulo vem-se firmando: o predominio da cocaina fumada. O crack passou tambem a ser fumado em cigarros de maconha (chamado de mesclado) ou em cachimbos caseiros (feitos de latas de refrigerante, garrafas plasticas etc.).

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O mito:

Cocaina ou crack em altas doses tem efeitos parecidos.

A verdade

Altas doses de cocaina ou crack podem produzir alguns tipos de movimentos repetitivos (por exemplo, cocar o nariz compulsivamenTe olhar de lado etc.), irritabilidade intensa, violencia, mauTe acao medo exessivo, que pode transformar-se na sensacao de esCudo perseguido (essa" sensacao pode ser tao intensa a pont e ser confundida com uma doenca psiquiatrica muito grav chamada esquizofrenia), e aumento da temperatura do , corpo com febres de mais de 39degC. Podem ocorrer ainda convulsoes

semelhantes a epilepsia, e as arritmias cardiacas (sensacao de que o coracao esta batendo irregularmente) .ao bastante comum

uma das causas mais frequentes de desconforto apos o uso

da cocaina. ,

Quando os efeitos de intensa excitacao ocorrem, eles podem ser seguidos de depressao. O efeito rebote pode ocorrer mesmo com doses baixas de cocaina.

Omito:

Os primeiros efeitos da cocaina sao semprebons.

A verdade

A cocaina e o que se chama de droga estimulante e o seu primeiro efeito e causar um estado de excitacao acentuado. O

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usuario fica euforico, desinibido, alerta ou "eletrico" e tem uma sensacao de bem-estar. A auto-estima e o desejo sexual podem aumentar, a pessoa fala muito e o apetite diminui.

Outros efeitos provaveis sao: falta de sono, agressividade, irritabilidade, inquietacao, dificuldade de tomar decisoes. Ha tambem uma sensacao de anestesia, principalmente nas regioes onde houve contato com a droga (se a pessoa cheirou, o nariz fica adormecido).

Do ponto de vista fisico, ocorre um aumento dos batimentos cardiacos, do tamanho das pupilas, da pressao arterial, da respiracao e da sudorese. Podem ocorrer ainda nauseas, vomitos e ate alucinacoes.

Todos esses efeitos, tanto os "bons" quanto os ruins, sao bastante intensificados pelo uso endovenoso (a droga injetada) ou pelo uso do crack.

No caso do crack, alem dos aspectos ja citados, o usuario tem sua coordenacao motora reduzida, e a tendencia ao isolamento se acentua, diferentemente da maior sociabilidade gerada pela cocaina inalada.

O mito:

A cocaina e o crack mudam o comportamento dos usuarios.

A verdade

Afora os efeitos ja assinalados, podem ocorrer mudancas na personalidade dos usuarios, em especial nos que consomem a droga diariamente. Sentem-se pressionados a consumir a droga e nao se importam com o que deveriam estar fazendo; passam a ficar com

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segredos, a faltar a compromissos e a mentir; comecam a gastar dinheiro muito mais do que antes e podem passar a vender objetos pessoais ou da familia para conseguir comprar a droga. Subsequentemente podem passar a roubar e a assaltar para o mesmo fim.

E notavel que a diminuicao do cuidado consigo mesmo e a perda dos valores morais e sociais ocorrem muito mais rapido com os consumidores de crack, possivelmente devido a capacidade de esta droga provocar dependencia mais rapidamente.

O mito

A cocaina e o crack aumentam o poder de concentracao e o prazer sexual.

A verdade

O usuario da cocaina sente que esta no topo do mundo e que pode tudo, entretanto a sua concentracao e atencao diminuem. Se alguem, sob o efeito da cocaina, tentar ler um livro ou precisar tomar decisoes complexas, nao conseguira, pois a sua capacidade de organizar as informacoes, memorizar e decidir estara comprometida. Alem disso, logo depois de o efeito da droga passar, ele sentira mais ansiedade, cansaco e depressao do que antes do

seu uso.

Em relacao ao prazer sexual, ha o mito de que a cocaina, por ser uma droga estimulante, aumenta o prazer sexual. Na verdade, nossa experiencia comprova que a maior parte dos usuarios deixam de lado o sexo e se dedicam quase que exclusivamente a busca do prazer momentaneo produzido pela droga. Muitos pacientes em tratamento relatam que nao mantem relacoes sexuais ha muito tempo.

No caso do crack, em particular, a diminuicao do convivio social leva a uma consequente diminuicao do interesse sexual.

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O mito:

A cocaina e o crack comprados na rua sao sempre puros.

A verdade

A cor branca da cocaina e bastante enganosa. O grau de impureza encontrado na droga comprada e muito grande. Em relacao ao po da cocaina, a pureza pode variar de 30 a 90%, pois a maioria dos traficantes em geral adicionam uma serie de substancias, como farinha, talco, po de vidro, acucar, lactose, ou uma serie de medicamentos que se parecem muito com o po. Essas impurezas aumentam ainda mais o risco de se usar uma droga que por si so ja e bastante perigosa. No caso do crack, dizem os usuarios que muitas vezes e possivel reconhecer a pureza da droga pela cor e pelo cheiro.

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EFEITOS DA COCAINA E DO CRACK

A

consequencia mais drastica do uso da cocaina e a morte. Nos EUA, mais de 4.000 pessoas morrem por ano de overdose de cocaina (nao dispomos dos dados referentes ao Brasil). Em um estudo conduzido pela unidade de Pesquisas em Alcool e Drogas (uNIAD), da Escola Paulista de Medicina (SP), dos 103 primeiros usuarios de crack que foram internados no Hospital de Taipas da Secretaria da Saude de Sao Paulo, treze haviam morrido apos um periodo de dois anos, revelando uma mortalidade muito alta. Dessas treze mortes, somente uma delas foi decorrente de overdose, sete foram por mortes violentas e cinco por AIDS.

Portanto, se de um lado os usuarios de cocaina ou crack podem morrer pela acao direta da droga (overdose), de outro, indiretamente, eles morrem por complicacoes sociais decorrentes (vinganca de traficantes, acao policial etc.), por agravamentos de saude, como desnutricao e ate infeccoes (o usuario deixa de comer e de manter habitos de higiene), e por acidentes (o usuario perde a coordenacao motora e a nocao de realidade). Ademais, sob o efeito da droga, alguns usuarios tornam-se promiscuos e acabam fazendo sexo sem protecao; outros descuidadamente injetam drogas com seringas e agulhas contaminadas. A AIDS e o resultado dessa falta de cuidado. A cocaina e o crack realmente podem levar a morte um numero significativo de usuarios. E importante salientar que a overdose pode ocorrer com qualquer forma de uso da cocaina - aspirada, injetada ou fumada. Muitas vezes a overdose ocorre em pessoas que se esquecem de que ja estao sem usar a droga ha algum tempo e acabam consumindo doses acima de sua atual tolerancia. Veja a seguir os efeitos agudos e cronicos do uso da cocaina e do crack.

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Quadro 3 - Principais efeitos do uso agudo da cocaina e do crack

Sistema

Efeitos

Geral psicologico

Euforia

Sensacao de bem-estar

Estimulacao mental e motora (o famoso "ficar liga

do" da cocaina)

Aumento da auto estima

Diminuicao do apetite sexual

Agressividade

Inquietacao Sensacao de anestesia

Geral fisico

Aumento do tamanho das pupilas Sudorese

Diminuicao do apetite

Diminuicao de irrigacao sanguinea nos

orgaos

Neurologico

Tiques

Coordenacao motora diminuida

Derrame cerebral

Convulsao

Dor de cabeca Desmaio

Tontura

Tremores

Tinido no ouvido

Visao embacada

Psiquico

Desconfianca e sentimento de perseguicao (a famosa "noia") Depressao (efeito rebote da intensa excitacao)

Cardiovascular

Aumento dos batimentos cardiacos

Batimento cardiaco irregular Aumento da pressao arterial Ataque cardiaco

Social

Isolamento

Falar muito

Desimibicao

Respiratorio

Parada respiratoria, tosse

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Quadro 4 - Principais efeitos do uso cronico da cocaina e do crack

Sistema

Efeitos

Geral psicologico

Irritabilidade

Agressividade Inquietacao Irresponsabilidade Mentiras

Aumento dos segredos

Diminuicao do cuidado consigo (falta de higiene pessoal)

Perda de valores morais e sociais

Diminuicao do apetite sexual

Geral: fisico

Insonia

Infeccoes (devido ao uso da cocaina

AIDS, hepatites etc

Conza (nariz escorrendo - devido ao

Perfuracao do septo nasal (cartilagem

uso Ja cocaina cheirada)

Sinusite

injetada), entre elas

o da cocaina cheirada) do nariz -- devido ao

Diminuicao do apetite

Perda de peso

Diminuicao de irrigacao sanguinea nos

orgaos

Neurologico

Dor de cabeca Tontura

Visao embacada Tinido no ouvido

Tremores

Atencao diminuida Falta de concentracao Convulsao

Derrame cerebral

Respiratorio

Tosse

Infeccoes pulmonares

Psiquico

Depressao Ansiedade

Psicose

hstados confusionais

Nutricional

Diminuicao da vitamina B6 Desnutricao

Cardiovascular

In farto

Cardlopatia (doenca do coracao) Batimento cardiaco irregular

Ginecologico Obstetrico. na mae

Placenta previa Aborto espontaneo

Ginecologico Obstettrico- no feto

Baixo peso fetal Sofrimento fetal

Nascimento prematuro

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O mito:

A cocaina e o crack afetam o sistema nervoso.

A verdade

A cocaina e o crack produzem uma alteracao geral no sistema nervoso, mas tambem provocam alguns problemas mais especificos, como dor de cabeca, tremores, tonturas, desmaios, visao embacada, tinido no ouvido. Dois problemas merecem destaque especial: os derrames (Acidentes Vasculares Cerebrais ou AVC) e as convulsoes.

Pesquisas dos EUA mostram que o derrame esta aumentando entre jovens de 20 a 30 anos, usuarios de cocaina. O mais preocupante e que mesmo as baixas doses podem provoca-lo, independentemente da via de administracao da droga. O derrame pode ser identificado pela dor de cabeca, paralisia de um lado do corpo, confusao mental e convulsoes.

As convulsoes, ataques semelhantes aos que ocorrem nos epilepticos, sao observadas principalmente entre os usuarios de crack.

O mito:

A cocaina pode causar desnutricao e falta de vitaminas.

A verdade

Uma das caracteristicas mais marcantes da cocaina e sua capacidade de diminuir sensivelmente o apetite e causar perda de peso no usuario. Se inicialmente a perda de peso e ate bem-vinda, pro-

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gressivamente se transforma num grande problema, pois a pessoa pode ficar dias e dias sem comer, o que a levara a quadros de desnutricao, anemia e outros disturbios metabolicos. Sem contar que a perda de peso e sempre acompanhada de carencia de vitaminas, principalmente vitamina B6 (piridoxina).

O mito:

A cocaina e o crack nunca afetam o coracao.

A verdade

A morte por problemas cardiacos e uma das principais causas da overdose, mais comum ate que as causas neurologicas:

- Ataque cardiaco (infarto do miocardio): Ocorre quando o musculo do coracao nao recebe oxigenio suficiente e nao consegue continuar mandando sangue para o corpo. Os sintomas mais comuns sao dores no peito e dificuldade de respirar, embora nem sempre esses sinais signifiquem um ataque do coracao. Este pode ser causado pelo aumento dos batimentos cardiacos, arritmias, pelo aumento da pressao arterial e da demanda de oxigenio pelo coracao ou pelo estreitamento das arterias que suprem o coracao (coronarias). E importante salientar que um individuo nao precisa ter uma doenca cardiaca para sofrer um ataque cardiaco, muito embora pessoas com doencas ou que tenham mais de 35 anos fiquem especialmente predispostas a esse tipo de problema.

- Arritmia cardiaca: Como a cocaina aumenta o numero de batimentos cardiacos, o ritmo do coracao pode ficar perturbado e irregular. Alias, sentir o coracao bater descompassadamente e um dos sintomas desagradaveis mais comuns re-

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latados pelos usuarios. Essa condicao pode evoluir para quadros mais graves chamados de fibrilacao ventricular (batimentos irregulares e fracos do coracao) e de taquicardia ventricular (batimentos extremamente rapidos e regulares do coracao). Ambas as condicoes podem ser fatais.

Alem dessas causas fatais, o coracao do usuario de cocaina trabalha mais do que o normal e a diminuicao do oxigenio pode levar a um quadro chamado de cardiomiopatia. A cocaina tambem tem sido relacionada com uma intoxicacao especifica do musculo cardiaco que diminuiria a funcao da parte esquerda do miocardio. A miocardite aguda e especialmente observada em usuarios de crack. Paradas respiratorias podem ocorrer como consequencia da overdose de cocaina, independentemente da via usada.

O mito:

e possivel determinar doses seguras de cocaina ou crack.

A verdade

Os efeitos indesejaveis do uso da cocaina e do crack nao ocorrem somente com grandes doses ou quando a droga e usada por via endovenosa; mesmo doses pequenas e usadas por via nasal podem provocar as consequencias ja descritas. Alem disso, usuarios que consomem cocaina ha algum tempo nao estao protegidos dessas complicacoes. Isso porque a tolerancia a droga varia muito de pessoa para pessoa; ate a sensibilidade de um individuo pode mudar ao longo do tempo, e uma dose considerada "segura" pode tornar-se letal apos alguns meses.

Portanto podemos afirmar que nao existe dose segura para os usuarios de cocaina, o seu uso sempre implicara um risco substancial para a saude.

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mito:

O uso da cocaina injetada nao traz complicacoes especificas.

A verdade

O que acontece quando alguem injeta cocaina? Muitas vezes a pessoa utiliza uma seringa limpa, mas nao a descarta, servindo-se dela varias vezes. Mesmo que a pessoa limpe a seringa com agua da torneira, esta nao e esteril e nao mata os germes. Do mesmo modo, a cocaina injetada tambem esta longe de ser limpa - ja passou pelas maos de varias pessoas ate ficar suja e contaminada com germes, po e outras substancias adulterantes. Alem disso, alguns usuarios que injetam drogas compartilham as mesmas seringas.

Por tudo isso e evidente que o risco de infeccao por cocaina injetada e muito alto. Infeccoes na pele, no sangue, nas valvulas do coracao, nos pulmoes e em outras partes do corpo; hepatite e AIDS sao exemplos da gravidade dos efeitos da droga injetavel.

O mito:

O uso da cocaina inalada nao traz complicacoes especificas.

A verdade

corn o passar do tempo, cheirar cocaina afeta o nariz. A divisao feita de pele e cartilagem que existe entre as narinas pode ser destruida, e o uso prolongado da droga causa um tipo de inflamacao nasal, ficando o usuario com coriza (fungando) e com a sensacao de nariz entupido.

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O mito:

O uso do crack nao traz complicacoes especificas.

A verdade

A pessoa que fuma crack geralmente usa um tipo de cachimbo caseiro, feito de vidro ou plastico, e tem de aquece-lo com isqueiro ou fosforo.

Muitos usuarios acabam queimando os dedos e os labios nesse processo. A fumaca do crack entra quente pela boca e pode ate queimar as paredes dos pulmoes, causando inflamacao e, por conseguinte, uma tosse cronica.

Uma overdose de crack pode acelerar os batimentos do coracao e ate causar uma parada cardiaca, desmaios e convulsoes epilepticas.

Omito:

A cocaina nao da ressaca.

A verdade

As pessoas estao acostumadas a ouvir que o dia seguinte a um de uso intenso de alcool constitui-se de uma serie de sintomas fisicos, conhecidos como ressaca. No entanto, as vezes se surpreendem quando sao alertadas sobre o dia, seguinte ao uso de cocaina.

Apos passar o efeito da droga, o cerebro nao volta ao seu normal imediatamente. O dia seguinte ao uso da cocaina constitui-se de depressao, desanimo, irritabilidade, insatisfacao, baixo

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poder de concentracao, fome etc. E quanto mais cocaina for usada, maior sera a "ressaca" no dia seguinte. A medida que as "ressacas" ficam cada vez mais frequentes, a pessoa tende a usar cocaina sem intervalos, procurando aliviar esses sintomas negativos. E a partir dai que as chances de dependencia ficam cada vez maiores.

  • Omito:

O Vicio, toxicomania, drogadicao, uso nocivo

e dependencia sao palavras diferentes

para designar o mesmo problema.

A verdade

O uso da droga costuma provocar um misto de raiva, julgamento moral e incredulidade na maior parte das pessoas que nao sao dependentes. Quando utilizam a palavra vicio, por exemplo, fazem na maior parte das vezes certo julgamento moral do usuario das drogas, sem, no entanto, designarem uma condicao clinica que possa ser tratada.

As palavras toxicomania e drogadicao, embora ao longo da historia medica tenham tido algum pressuposto teorico, ja foram oficialmente abandonadas. Atualmente a expressao recomendada e sindrome de dependencia, para designar o fato de alguem estar dependente de uma droga, e uso nocivo, quando nao houver dependencia mas assim mesmo existir algum tipo de dano causado pela droga.

Em se tratando de cocaina e de crack, essas distincoes sao importantes. No caso do alcool, por exemplo, podemos dizer que existe uma quantidade de alcool que pode ser consumida sem lesar o organismo de quem bebe, mas isso nao ocorre com

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a cocaina (leia tambem O Alcoolismo, da mesma Colecao). Pode-se dizer que qualquer uso da cocaina ja e nocivo, mesmo quando a pessoa esta somente "experimentando" o po Repetimos: nao existe dose segura de cocaina.

Em relacao a dependencia, alguns criterios sao adotados para identificar a condicao do usuario Em primeiro lugar, deve-se enfatizar que dependencia de uma droga e uma serie de comportamentos que ocorrem ao longo de um periodo de tempo

O diagnostico de dependencia deve ser feito se tres ou mais dos seguintes criterios ocorrerem durante um ano de observacao e analise:

1. Desejo forte ou sensacao de compulsao para consumir a cocaina/crack.

2. Dificuldades de controlar o uso da cocaina/crack em termos de inicio, termino ou niveis de consumo

3. Estado de abstinencia quando o uso da droga cessou ou foi reduzido.

4. Evidencia de tolerancia, de tal forma que doses crescentes de cocaina/crack sao requeridas para alcancar efeitos originalmente produzidos por doses bem mais baixas.

5. Abandono progressivo de prazeres ou interesses alternativos em favor do uso da cocaina/crack

6. Aumento da quantidade de tempo necessario para obter ou usar cocaina/crack ou recuperar-se dos seus efeitos.

7. Persistencia do uso, a despeito de evidencias claras de consequencias manifestadamente nocivas, tais como dano fisico, estados depressivos etc.


mito:

Drogas e AIDS andam sempre juntas.

A verdade

O virus que causa a AIDS (HIV) pode ser contraido de tres maneiras:

- sexo sem protecao (sem camisinha);

- sangue infectado, por doacao de sangue ou pelo compartilhamento de seringas;

- gravida infectada pode transmitir o virus ao bebe.

Usuarios de drogas podem contrair o virus da AIDS se partilharem seringas com usuarios infectados e se mantiverem relacoes sexuais sem camisinha com pessoas infectadas. A necessidade de dinheiro para comprar a droga pode ate levar o usuario a se prostituir, aumentando os riscos da AIDS.

E importante lembrar que o teste de HIV pode ser feito num posto de saude ou num hospital que tenham um ambulatorio especializado em tratar doencas infecciosas ou sexualmente transmissiveis.

O mito:

Parar de usar cocainae crack nao e um bicho-de-sete-cabecas.

A verdade

Apos o uso cronico da cocaina e com o desenvolvimento da dependencia, o sistema nervoso fica num estado de excitacao cons-

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tante Quando a pessoa para de usar a droga, alguns sintomas aparecem como uma reacao rebote, conhecida por sintomas de abstinencia da cocaina. Esses sintomas tem tres fases:

Fase 1

Duracao de um a tres dias apos a parada do uso. Caracteriza-se por depressao, ansiedade, irritabilidade, falta de prazer, fome e vontade de usar mais cocaina Gradualmente, o desejo pela cocaina diminui e a vontade de dormir fica mais intensa.

Fase 2

Duracao de uma a dez semanas. O desejo intenso pela cocaina se mantem, com irritabilidade, ansiedade e falta de prazer Progressivamente a memoria dos efeitos negativos da cocaina comeca a desaparecer e o desejo de uso tende a ficar mais forte, sobretudo quando o paciente passa a frequentar de novo locais onde usava a droga. O paciente contrasta a falta de prazer que experimenta no momento com o prazer que obtinha usando a droga; essa e uma situacao de risco para a recaida.

Fase 3

Duracao de varios meses. Pode permanecer certo desejo pelo uso da droga, mas muito mais leve, alguns sintomas depressivos tambem podem durar alguns meses. E importante notar que nenhum desses sintomas sao fatais, obviamente causam desconforto e sao fatores de risco para a recaida, mas de forma nenhuma ameacam a seguranca do paciente. Existem algumas drogas que diminuem a intensidade desses sintomas, como veremos mais adiante. O mais importante e o paciente reconhecer esses sintomas, saber seu significado e se tornar consciente dos riscos da recaida pelo desconforto. Um dos sintomas mais traicoeiros da abstinencia e a vontade de usar a droga novamente.

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Quando um paciente esta em tratamento, ele deve aprender a recuperar a capacidade de controle para nao usar a droga. Portanto, apos a interrupcao do uso, e inevitavel que o paciente passe por recaidas. O que ele tem de saber e que a vontade de usar a droga vira na forma de picos, com duracao de alguns minutos, e que, se ele nao resistir, ocorrera uma perpetuacao da dependencia.

O paciente pode adotar varias estrategias para facilitar a resistencia: manter-se ocupado em alguma atividade, procurar pensar em outra coisa, telefonar ou falar com algum amigo que possa entender seu problema, tomar um banho gelado, ler um livro, participar de grupos de auto-ajuda etc. Nessa fase de recuperacao, o grande desafio para o paciente e perceber que ele nao perdeu totalmente o controle, mas que deveria trabalhar a sua criatividade e a sua motivacao no sentido de buscar alternativas viaveis em relacao ao consumo de drogas.

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FAMILIA

stimular o dialogo e a forma mais facil de saber se um filho esta usando alguma droga ou nao. No caso da maconha, algumas situacoes podem ser sugestivas: a pessoa, quando intoxicada, torna-se mais lenta para atividades motoras e intelectuais. Os olhos ficam vermelhos, o apetite e grande, assim como a sede. A pessoa fica disponivel para longas conversas e tende a relaxar. O sono aumenta. A medio prazo, comeca a agir de forma diferente, mudando sua rotina e ate deixando de cumprir suas responsabilidades (por exemplo, nao conseguindo acordar para os compromissos). Comeca a ter dificuldades de concentrar-se e se esquece das coisas com mais facilidade. Tende a perder o interesse pelo que habitualmente o atraia.

De um modo geral, as mudancas fisicas e comportamentais sao evidentes. O quadro dos efeitos da maconha anteriormente apresentado serve tambem como referencia.

Pode ainda acontecer de os pais descobrirem algum material "suspeito" entre as coisas do filho (por exemplo, a droga em si, um baseado, a seda etc.). E importante lembrar que procurar indicios em objetos pessoais pode gerar um clima de desconfianca e revolta que dificulta ainda mais o dialogo entre pais e filhos.

No caso da cocaina e do crack, que tem efeitos estimulantes, a pessoa tendera a alternar periodos em que fica muito ativa e irritada com periodos de desanimo e apatia. No periodo de maior atividade ela nao dorme, nao come e tende a ficar andando e ausentando-se de casa. No periodo de desanimo a pessoa pode passar muitas horas na cama e, quando acorda, nao tem vontade de fazer nada e

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mesmo sua higiene pessoal fica comprometida. Os principais sintomas de uso da cocaina e do crack, descritos anteriormente, ajudam na identificacao dos efeitos fisicos e de comportamento.

E importante frisar que comportamentos isolados podem muito bem estar ligados ao desenvolvimento normal da adolescencia, como certo desanimo, certa irresponsabilidade etc. Mas quando dinheiro e alguns objetos da casa comecam a desaparecer, se seu filho fica muito na rua sem avisar onde esta, se seus amigos mudaram substancialmente e se ele fica por demais cheio de segredos - neste momento parece muito grande a possibilidade de envolvimento com alguma droga.

O mito:

Se uma pessoa fuma um baseado, isto significa que ela e viciada.

A verdade

Nao se fica viciado fumando um cigarro de maconha. O mesmo se aplica para outras drogas. Porem, constatando o uso, e importante que os pais abram espaco para o dialogo como filho, estimulando-o a falar e ate a compartilhar a experiencia que, muitas vezes, e bastante impactante: e necessario dar espaco para o filho contar sua experiencia, sem puni-lo.

efato que usar maconha uma ou algumas vezes nao gera danos, mas deve-se ter em mente tal experiencia para evitar que o consumo se torne regular e comece a afetar outras atividades do individuo. A familia deve buscar uma resposta balanceada. Por um lado mostrar desaprovacao clara e indiscutivel, por outro apresentar disposicao para o dialogo. Nao e um balanco facil de ser conseguido, mas deve-se busca-lo. Lembramos que uma atitude condescendente em relacao a maconha facilitara o uso cronico commaior probabilidade de desenvolvimento de dependencia e

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de todos os problemas que possam advir dai no desenvolvimento

do adolescente.

O mito:

Os usuarios de drogas so procuram a sensacao de prazer.

A verdade

Nao ha uma resposta simples. Existem muitas razoes por que as pessoas usam drogas. Fatores que podem ser importantes incluem: a disponibilidade de drogas no bairro, o preco das drogas em relacao a renda da pessoa, as atitudes dos amigos (pressao social) e da familia diante do uso de drogas, o desejo de buscar experiencias novas e excitantes e ate a simples curiosidade.

As pessoas que usam a maconha continuamente em geral buscam uma forma de intensificar o nivel de prazer. Outras, por se sentirem relaxadas sob os efeitos da maconha, procuram uma forma de tornar o convivio social mais facil. E ha ainda aqueles que fumam para fugir da realidade, das responsabilidades e dos problemas. E verdade tambem que muitas vezes a pessoa comeca a usar drogas por curiosidade, ou porque alguem lhe ofereceu, e acaba ficando dependente.

; O mito:

A familia tem sua parcela de culpa no fato de ter um usuario de drogas dentro de casa.

A verdade

Quando os pais descobrem que o proprio filho esta usando droga, a primeira coisa que fazem e perguntar-se: "O que nos fi-

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zenos de errado?". Depois se lembram de todas as brigas que tiveram como filho e de todas as vezes em que foram muito duros ou pouco energicos comele. E bomque os pais nao se esquecam de que em toda familia ha brigas, que em toda familia ha falhas (familia perfeita nao existe nem nas novelas!). Ha usuarios de drogas em familias estaveis e em familias desorganizadas, em familias da classe media alta e em outras mais carentes.

Se os proprios pais abusam da bebida ou de alguma droga, a chance de que os filhos venham tambem a usa-las e maior, mas isso esta longe de ser uma certeza. A maioria dos usuarios de drogas vem de familias cujos pais nao fazem uso de nenhuma droga.

Mas, em vez de se culparem ou ficarem deprimidos, os pais devem pensar no que podem fazer para ajudar o filho.

O mito:

A familia deve ser sempre a. primeira a ajudar o usuario de drogas.

A verdade

"Voce acha que seu filho ja usou drogas?" Se alguem fizesse essa pergunta para um grupo de pais, a maioria responderia: "De jeito nenhum, imagine, meu filho drogado!". Muitos pais nem cogitam a hipotese de seus filhos estarem usando drogas, mesmo que haja evidencias disso (eles sempre encontram outra explicacao).

Mas um dia comecam a desconfiar e chegam ate a perguntar ao filho, que obviamente nega. Os pais acreditam ou, pelo menos, querem acreditar no que ouvem. O tempo passa e um dia descobrem a verdade. A primeira reacao e de choque, seguido de raiva. Depois vem o medo (medo de que o filho morra ou seja assassinado ou preso, medo de que todo mundo fique sabendo). Nessa confusao de sentimentos, muitas vezes a familia comeca a se desentender. Mas o que fazer numa situacao dessas?

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Muitos pensamentos passam pela cabeca dos pais - dar uma boa bronca no filho, tranca-lo no quarto, expulsa-lo de casa ou interna-lo numa clinica. Mas o que realmente vai ajuda-lo? Primeiro e preciso que uma pessoa mais controlada e que se relacione bem como filho converse comele, mostrando simplesmente que esta querendo entende-lo e ajuda-lo. Depois deve-se tentar convence-lo a buscar ajuda profissional, um medico, psicologo ou assistente social.

Nesse estagio, pode ser que ele responda dizendo que nao precisa de ajuda, que o problema nao e tao grave e que ele vai conseguir parar de usar as drogas sozinho (nao aceite essa resposta e insista, porque muitos usuarios passam pela fase de subestimar o grau de severidade das drogas, nao querem enfrentar a realidade e ao mesmo tempo superestimam a propria capacidade de lidar como problema). De qualquer forma, a influencia da familia tem limite e deve-se sempre ter em conta o desejo do usuario, pois se este se sentir forcado a agir so "pelos outros" o tratamento nao tera resultados positivos.

O mito:

O usuario

io de drogas deve ser tratado com igor.

A verdade

"Se voce nao parar de usar drogas, euvou pulsa-lo de casa!" "Se voce nao fizer tratamento, eu you deixa-lo!" Muitos profissionais ja ouviram pacientes relatando as ameacas que sofreram dos pais, das esposas ou de outros parentes. Qual pai realmente teria coragem de expulsar seu filho de casa nessas condicoes?

O que parece claro e que os pais tem de impor limites. Eles sao responsaveis pela educacao dos filhos, e estes, enquanto morarem na casa dos pais, tem de obedecer as regras da familia. Sem

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contar que a droga pode matar e causar transtornos de toda ordem. E preciso conversar com o filho, mas deixar bem claro o que se quer que ele faca.

Infelizmente ha filhos que nao obedecem aos pais e ha pais que nao conseguem convencer os filhos. Tambem e preciso ter em mente que a cocaina e o crack sao drogas poderosas que tornam as pessoas dependentes. Mesmo que o filho nao queira magoar seus pais, muitas vezes a droga e mais forte do que ele; apesar de sua intencao de cooperar, ele acaba usando-a de novo. A dependencia pode continuar por muitos anos e as recaidas sao comuns.

Nao ha uma solucao simples ou unica, cada familia tem de achar seu proprio caminho. E esse caminho tem limites. O usuario, ele mesmo, deve chegar a conclusao de que nao deve mais usar a droga, e nao simplesmente concordar com o que ouve. De qualquer maneira, a familia deve agir numa so voz, impondo limites, ajudando-o e encorajando-o, mas tambem deve estar ciente de que o usuario e um ser independente que tem responsabilidades sobre seus proprios atos.

O mito:

E muito simples ajudar um dependente de drogas.

A verdade

O ideal e que o usuario admita que esta usando a droga e concorde em buscar ajuda. So entao deve-se marcar a consulta em uma clinica que preste servico de atendimento a usuarios de drogas.

O mais comum e o usuario admitir sua condicao de dependente, mas nao aceitar nenhum tipo de tratamento por achar que

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pode recuperar-se sozinho. Nesse caso, convem a familia ignorar seus protestos e marcar a consulta mesmo contra sua vontade. Alem de ter preconceitos em relacao ao tratamento, muitas vezes o usuario chega a negar a gravidade do problema; so depois de entrar em contato com um servico de atendimento o paciente descobre que o terapeuta nao vai ficar-lhe dando bronca o tempo todo, ao contrario, vai simplesmente ajuda-lo e entende-lo.

Se os familiares nao conseguirem levar o usuario a uma clinica, vale a pena os proprios pais se dirigirem ao servico de atendimento em busca de orientacao e ajuda. Muitos servicos tem grupos de apoio para pais e outros parentes de usuarios.

Se nao ha um servico publico no seu bairro e se a familia nao tem dinheiro para marcar uma consulta particular, outra opcao e participar das reunioes da Nar-Anon - uma organizacao de parentes de alcoolatras e usuarios de drogas que oferece auto-ajuda gratuitamente. Nessas reunioes as pessoas falam sobre suas proprias experiencias e de como lidaram com as drogas. E uma boa saida para diminuir o peso do problema e para a familia entrar em contato com alternativas de solucao, que talvez possam fazer diferenca na recuperacao do usuario.

mito:

Os pais sempre exercem uma influencia limitada sobre os olhos.

A verdade

Os pais so poderao ajudar o filho a parar com as drogas se este estiver permeavel a influencia familiar. A pior coisa que pode acontecer e os pais perderem a capacidade de dialogar e influenciar o comportamento dos filhos. E quando dizemos que o relacionamento ficou disfuncional. Em algumas situacoes, quando por

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exemplo o adolescente usa maconha, os pais muitas vezes reagem agressivamente e acabam perdendo a capacidade de continuar o dialogo e de serem ouvidos pelo filho.

Se ha uma boa relacao entre pais e filho (dialogo e compreensao) e muito provavel que este se convenca de seu problema e passe a buscar ele mesmo a forca interna essencial para interromper o consumo. Muitas vezes, o filho necessita apenas de estimulo e de informacao; precisa saber que existem pessoas proximas que gostam dele e acreditam na sua capacidade de mudanca. O grau de ajuda que os pais podem dar ao filho varia, mas e senso comum que o consumo da droga nao deve ser estimulado.

Lembramos que os pais devem estar bem informados sobre a droga usada pelo filho, que, por sua vez, deve receber essas informacoes do modo mais imparcial e menos alarmista possivel.

O mito:

A familia tambem precisa de tratamento.

A verdade

A maioria das familias precisa essencialmente de informacao, apoio, ajuda e orientacao basica. Pais sempre querem fazer o melhor para ajudar seus filhos, mas as vezes o que julgamos born procedimento pode na realidade ate piorar a situacao do usuario.

Ha historias de pais que acabam comprando crack para os proprios filhos, ate levando-os de carro aos pontos-de-venda da droga. Isso pode parecer uma loucura, mas muita agua ja rolou quando os pais chegam a esse ponto de desespero. Seguem outros exemplos, muito mais comuns:

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- os pais ligam para a escola ou para o trabalho do filho dizendo que ele esta doente, quando, na verdade, esta usando a droga ou se recuperando dos seus efeitos,

- os pais dao desculpas ou inventam historias a parentes, vizinhos e colegas para explicar o comportamento do filho,

- os pais pagam as dividas do filho que gastou todo o seu dinheiro em drogas

Um dos primeiros procedimentos dos pais deve ser parar de acobertar e proteger o filho. Ele mesmo tem de sofrer as consequencias do uso da droga. Devem fazer com que o filho telefone para a escola ou para o trabalho e explique por que nao esta em condicoes de trabalhar, por exemplo. Os pais devem contar a familia toda qual e o problema dele e, se for preciso, tambem devem falar com o chefe no trabalho.

Muitas vezes os pais precisam tomar decisoes muito dificeis Imagine o caso de um jovem cujos pais sao pobres- um dia o filho recebe uma ameaca de morte porque nao pagou a divida com o traficante. Poucos pais deixariam de pagar essa divida, pois sabem dos riscos envolvidos e de jovens assassinados por envolvimento com drogas. Como agir numa situacao como essa? Nenhum profissional tem uma resposta muito clara

A experiencia mostra que nas familias em que ha usuarios de drogas tambem ocorrem outros problemas, sejam eles de relacionamento entre familiares ou de doenca. E preciso tomar cuidado, porque muitas vezes o dependente se torna o "paciente identificado" da familia, isto e, ele concentra todos os problemas do grupo familiar, como se fosse o unico problematico.

Num primeiro momento, e necessario realmente focalizar a atencao no dependente, depois, torna-se extremamente saudavel buscar uma ajuda para a familia em geral. A cura do dependente gera mudancas no nucleo familiar, desequilibrando a familia habituada a ter um membro dependente.

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TRATAMENTO

Sabemos que ninguem fica dependente de drogas de uma hora para outra. Uma espiral para baixo (fig. l) ! ,, e a forma de entendermos graficamente o processo

de dependencia. Alem da experiencia prazerosa (nao se deve esquecer que o usuario sente prazer com a droga), o dependente comeca a experimentar algum tipo de problema com o uso da droga. Em geral ele nao nota esses problemas, acreditando que esta tudo sob controle e que usa a droga quando quer etc. Muitas vezes o usuario tambem nao percebe que as prioridades de sua vida comecaram a mudar, que a escola e seus compromissos ficaram de lado, que a vida familiar com suas obrigacoes tornaram-se um tormento e fonte de brigas, que a saude fisica e mental passou a ser desconsiderada, que tenta agora obter dinheiro a qualquer custo exclusivamente para comprar a droga.

Todos esses fatores acabam-se somando e fazendo com que a pessoa entre num circulo vicioso para baixo, em que a droga (mais enfaticamente a cocaina e o crack, em comparacao a maconha) e o principal fator de ligacao dos eventos negativos no processo de dependencia. Para entendermos o que e o tratamento, temos tambem de entender esse processo. Devemos buscar uma serie de mudancas que possa elevar o individuo numa espiral para cima (fig. 1}. Uma mudanca positiva da oportunidade para outra mudanca positiva, e o que chamamos circulo virtuoso, em que coisas boas chamam coisas boas.

O tratamento deve entao ser considerado dentro de uma ampla gama de acoes: o envolvimento familiar, o afastamento do

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Figura 1

grupo e dos locais com quem e onde o usuario consumia drogas, o incentivo a novas formas de relacionamento social (novos grupos, nova religiao, novo emprego, grupos de auto-ajuda) ate a ajuda profissional propriamente dita.

O mito:

So a internacao funciona como tratamento.

A verdade

Normalmente a familia tenta uma serie de intervencoes antes de buscar a ajuda de um especialista. Mas chega um momento em que se espera algo eficiente e rapido para mudar o comportamento do usuario. Antes de mais nada, e essencial que os familiares tenham em mente que nao e facil deixar uma dependencia; o processo e lento, as recaidas ocorrem e nao devem ser encaradas como fracasso, mas como uma fase do tratamento.

Muitas vezes vale a pena, antes de recorrer a ajuda profissional (ou concomitantemente), procurar motivar a pessoa a vida, reinserindo-a nas atividades rotineiras (estudos, trabalhos, refeicoes, higiene etc.) e socioculturais (cinema, leituras, encontro com amigos etc.). Algumas atitudes podem auxiliar na cessacao do consumo e na prevencao das recaidas:

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- afastamento do meio social antigo, dos companheiros de consumo, e busca de outros contatos;

- mudar de residencia, ainda que temporariamente, pode ser terapeutico.

O tipo de tratamento depende da droga em questao e do estagio de dependencia em que se encontra o usuario. Descreveremos a seguir alguns tipos de tratamento que podem ser usados:

Desintoxicacao

O nome desse tipo de tratamento nao e o mais correto, pois a cocaina e o crack nao ficam no organismo por muito tempo, tampouco a maconha. A maioria das pessoas que buscam desintoxicacao nao estao intoxicadas no sentido medico da palavra; na maior parte das vezes elas apresentam sintomas de uso cronico da droga, como emagrecimento, deterioracao mental, ansiedade e uma serie de sintomas de abstinencia. Os sintomas de abstinencia podem durar de seis a oito semanas para a cocaina e para o crack, periodo no qual o usuario esta bastante vulneravel a recaidas. Na desintoxicacao devemos ter dois procedimentos:

1. Melhorar as condicoes gerais do usuario - Alimentacao balanceada acompanhada de oportunidade e tranquilidade para dormir sao importantes para o usuario de cocaina (em geral magro e corn o sono atrasado). A maconha nao mexe tanto com o aspecto fisico da pessoa e sim com o psicologico.

2. Medicacoes que possam aliviar os sintomas de abstinencia

- Ainda nao possuimos um tratamento-padrao que melhore esses sintomas, mas as drogas mais usadas sao os antidepressivos.

- Antidepressivos: com o uso cronico dos estimulantes (cocaina/crack), o sistema nervoso fica num estado de estimulo artificial. Quando a pessoa para de usar a droga, existe a tendencia de o sistema nervoso produzir um

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efeito rebote, que sao os sintomas de abstinencia mais ou menos opostos aos efeitos da cocaina e do crack (ansiedade, depressao, falta de vontade de fazer qualquer coisa, irritabilidade e um desejo intenso de usar a droga). As medicacoes antidepressivas parecem diminuir a intensidade de todos esses sintomas. O maior inconveniente desse tipo de medicacao e que os seus efeitos demoram mais de dez dias para aparecer, necessitando-se portanto de grande colaboracao dos pacientes.

- Calmantes ou tranquilizantes (ansioliticos): Quando a pessoa para de usar a cocaina/crack podem predominar sintomas de ansiedade, agitacao e irritabilidade. As medicacoes que combatem a ansiedade (calmantes) podem ser uteis para reduzir esse estado, tornar a abstinencia mais toleravel e diminuir a chance de recaida. Os calmantes nao parecem ter um efeito especifico sobre a abstinencia da cocaina e do crack, mas diminuem a ansiedade global. Sua grande vantagem e que seu efeito ocorre em poucos minutos.

- Outras drogas: As vezes aparecem sintomas de psicose, ou seja, perturbacoes mentais, como agitacao e medo intenso, que podem associar-se a sensacoes de persecutoriedade (na giria dos usuarios chamada de "noia", a semelhanca de uma doenca psiquiatrica chamada paranoia). Nessa situacao as medicacoes antipsicoticas aliviam os sintomas em questao de horas ou dias.

No caso da maconha, e mais raro usar-se alguma medicacao no tratamento; quando utilizada, e pelas mesmas razoes acima mencionadas.

Internacao

Recentemente, no nosso meio, houve uma expansao muito grande do numero de clinicas privadas e de organizacoes naogovernamentais (ONGs). Aparentemente a boa vontade em tratar

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pessoas dependentes focalizou-se em demasia em apenas uma das possibilidades terapeuticas: a internacao em detrimento de outras formas comunitarias de tratamento. Deve-se portanto colocar a importancia da internacao em perspectiva, pois do contrario ela pode ser encarada como a unica forma de tratamento que realmente funciona. Na realidade, as publicacoes cientificas que comparam internacao com tratamento ambulatorial mostram que este ultimo e no minimo igual a internacao, em termos de evolucao, apos seis meses a um ano. A internacao nao e solucao para todos os usuarios e mesmo o tempo de internacao pode variar de internacoes curtas a internacoes de no maximo algumas semanas. A internacao nao deveria ser considerada como o unico tratamento, mas como um dos eventos importantes no processo de recuperacao.

A indicacao de internacao depende de alguns fatores, dentre eles: varias tentativas de tratamento ambulatorial que nao deram certo, reconhecimento pelo usuario de que nao esta conseguindo ficar longe das drogas, deterioracao fisica, sintomas psicoticos persistentes associados ao uso de cocaina/crack, envolvimento criminal persistente e necessidade vital de afastamento do local onde vive.

Quanto aos efeitos da internacao, podemos afirmar que ela proporciona um ambiente seguro, no qual a pessoa fica distante do meio onde usava a droga e tem a oportunidade de se recuperar fisica e mentalmente. Em contrapartida, o que realmente ocorrer em termos de tratamento psicologico nas clinicas e bastante variado. Aparentemente predomina uma combinacao das ideias de recuperacao baseada nos doze passos dos Alcoolicos Anonimos com ideias de conscientizacao em relacao ao problema. Em algumas clinicas o paciente fica por um mes longe da familia e imerso no ambiente terapeutico. A maior parte das atividades sao feitas em grupo e a pessoa tem a oportunidade de trocar experiencia corn outros usuarios sobre o processo de recuperacao.

O tempo de internacao varia bastante e depende muito de quao estruturado e o programa da clinica. As internacoes mais

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curtas, de duas semanas, sao focadas na desintoxicacao, e pouco mais do que o aspecto fisico da dependencia pode ser tratado. Alguns programas duram de oito a doze semanas, periodo minimo de conscientizacao do problema, segundo seus defensores. Outras clinicas propoem internacoes prolongadas por varios meses, como as comunidades terapeuticas, nesse tipo de internacao os pacientes participam intensamente de toda a organizacao da clinica, muitas vezes cultivando a terra na producao de alimentos, fazendo faxina, cozinhando etc. O principio e que por meio dessas atividades a pessoa reaprenderia uma serie de responsabilidades e contatos sociais que foram perdidos no processo de dependencia de drogas.

Em resumo, a internacao como forma de tratamento pode ser bastante util para um bom numero de usuarios Infelizmente no nosso meio ela e usada demais, sem muitos criterios, e muitos dos locais que a oferecem nao sao qualificados para esse tipo de trabalho E um tratamento caro, e nem sempre traz os resultados esperados Por isso deve ser usado com criterio

Mais importante ainda: a internacao, seja ela curta ou prolongada, deve ser incluida num plano de tratamento do qual facam parte outras abordagens A internacao, principalmente a mais curta (de desintoxicacao), perde o valor quando o usuario volta a consumir a droga depois de quinze dias de internacao (o que e bastante comum'). Alem disso, devemos ter em mente que a internacao tambem pode provocar efeitos deleterios no paciente Por exemplo, conviver por semanas com um grupo de usuarios "pesados", muitas vezes com complicacoes mentais graves e muito mais experientes, pode produzir influencias negativas em usuarios menos experimentados e com menores complicacoes

Internacao domiciliar e tratamento ambulatorial

O fato de a internacao custar muito, quer para a familia, quer para o Estado que financia, motivou os profissionais a buscar formas alternativas de proteger o usuario de drogas das pressoes sociais Uma alternativa que tem se revelado util e o que chamamos

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de internacao domiciliar. Esse tipo de internacao so e possivel numa familia que pode efetivamente cuidar do paciente em casa por algumas semanas. Durante esse periodo o paciente deve ficar em casa o tempo todo, como se estivesse internado. O tratamento e iniciado com medicacoes para diminuir o desconforto da parada do uso de drogas. Deve existir um compromisso do paciente de aceitar as regras, e qualquer quebra de confianca na internacao propriamente dita deve ser considerada imediatamente. O paciente so deve sair de casa acompanhado de algum parente ou amigo, com o intuito de seguir o tratamento ambulatorial ou de participar de grupos de auto-ajuda.

A experiencia tem mostrado que um numero substancial de pacientes beneficiam-se deste tipo de abordagem, E claro que o envolvimento familiar e muito mais intenso e a familia deve estar informada de como lidar com as crises que inevitavelmente ocorrerao. Essa experiencia pode tornar-se muito importante, pois no processo de recuperacao do usuario a ajuda familiar e fundamental.

A internacao domiciliar deve vir acompanhada de um tratamento ambulatorial intensivo, em que varias visitas a um especialista devem ocorrer durante a semana. Esses contatos visam ajudar o usuario a entender melhor o seu processo de dependencia e recuperacao, a discutir as dificuldades, as vantagens e as desvantagens do uso da droga e a preparar-se para evitar as situacoes de risco. Paralelamente o profissional deve orientar conjuntamente a familia sobre a ajuda a ser dada.

A melhor definicao desse tipo de abordagem seria uma parceria entre o paciente, a familia e o terapeuta. O profissional da area deve deixar o mais claro possivel quais os objetivos a serem alcancados a curto, medio e longo prazo. No comeco, deve-se fazer um plano a cada semana. Tanto a familia como o paciente devem estar muito bem informados sobre esses objetivos iniciais, os efeitos da medicacao e os riscos envolvidos. Pelo menos no primeiro mes de tratamento devem-se tracar os objetivos a serem alcancados a cada semana.

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Grupos de auto-ajuda (Narcoticos Anonimos)

Os grupos de auto-ajuda para os usuarios de drogas - Narcoticos Anonimos (NA) - evoluiram a partir da experiencia dos Alcoolicos Anonimos (AA). Tanto o NA quanto o AA sao na realidade uma irmandade, um servico gratuito baseado exclusivamente na disponibilidade e na generosidade dos seus membros. Os AA seguem uma doutrina de recuperacao baseada nos chamados doze passos:

1. Admitimos que somos impotentes em relacao ao alcool e que nossas vidas ficaram fora de controle.

2. Acreditamos que um poder superior pode nos ajudar a recuperar a nossa sanidade.

3. Tomar a decisao de voltar nossa vontade e nossas vidas para a busca de Deus como cada um de nos o entende.

4. Fazer um inventario moral de nos mesmos sem medo.

5. Admitir para Deus, para nos mesmos e para os outros a exata natureza de nossos erros.

6. Estamos prontos para que Deus remova todos esses nossos defeitos de carater.

7. Humildemente pedir a ele que remova nosso lado mau.

8. Fazer uma lista de pessoas que nos ofendemos e fazer esforcos para diminuir as ofensas ja feitas.

9. Fazer uma reparacao para essas pessoas quando possivel, sem prejudica-las.

10. Continuar a fazer inventarios sobre nossas vidas e, quando estivermos errados, admitir o fato prontamente.

11. Buscar atraves de preces e meditacao melhorar nosso contato consciente com Deus como o entendemos.

12. Tendo tido um despertar espiritual como resultado desses passos, tentaremos levar essa mensagem aos dependentes.

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tem sobre as alternativas para o problema etc. Para o usuario de drogas, a situacao e mais dificil, porque a droga e uma saida facil e rapida para aliviar o desconforto.

A propria atitude do usuario em relacao a recaida pode ajudalo a superar a frustracao de ter voltado a se drogar. A resposta do usuario deve ser positiva, e ele deve refletir sobre o caso, identificar a situacao em que a recaida ocorreu e pensar no que poderia ter feito como alternativa ao uso da droga. O usuario so tem a perder se, apos a recaida, ficar com baixa auto-estima, achando-se um caso perdido, um drogado etc. Pensamentos negativos nunca trazem bons resultados em situacao alguma.

A recaida e sempre uma crise e tem de ser tratada como tal, nao deve ser minimizada, mas tambem nao e motivo para panicos. Ela e uma oportunidade de o usuario aprender sobre as suas situacoes de risco e tentar conseguir uma recuperacao com o menor numero de crises possivel.

O mito:

A recaida significa que o caso nao tem solucao.

A verdade

E extremamente comum que os usuarios de qualquer droga tenham recaida durante o tratamento. Se acompanharmos qualquer usuario em tratamento ao longo de um ano, aproximadamente 80% deles terao recaida. Ha alguns anos esse percentual era motivo de desanimo para os profissionais, as familias e os pacientes. Hoje em dia, no entanto, o processo de recaida e entendido de outra forma.

E importante termos em mente que a recaida faz parte do processo de tratamento e de recuperacao do usuario. Portanto, recaida nao significa que o caso nao tenha solucao, mas que e preciso corrigir a rota do tratamento e aprender com os erros.

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mito:

A forca de vontade e suficiente para o usuario deixar de usar a droga:

A verdade

Estudos cientificos tem mostrado que um numero substancial de pacientes recupera-se sem a ajuda proficional. Lembramos que o usuario nunca perde totalmente a capacidade de auto-ajuda - no entanto, a medida que o grau de dependencia aumenta e o envolvimento com a cultura da droga fica por demais importante na vida do usuario (ou quando ele ja se frustrou em varias tentativas de cura), a chance de recuperar-se sem ajuda proficional diminuiu muito. No caso da cocainaa e do crack, a chance de auto-ajuda e pequena porque o grau de dependencia costuma ser muito alto e a droga aparece quase sempre como coadjuvante nas atividades do usuario.

Drogas

maconha, cocaina e crack

Os efeitos causados pelo uso das drogas recaem diretamente sobre os dependentes, mas a familia, os amigos e a sociedade vem sentindo cada vez mais as consequencias do seu crescente consumo. Atraves de mitos e verdades, o Dr. Ronaldo Laranjeira, a psicologa Flavia Jungerman e o Dr. John Dunn esclarecem as duvidas mais frequentes sobre o uso da maconha, da cocaina e do crack. Numa linguagem clara e direta, respondem questoes pertinentes, dentre elas: Quem fuma maconha uma vez ja fica dependente? Qual a relacao entre a AIDS e as drogas? Como o usuario que esta em tratamento deve lidar com a recaida? Qual o papel da familia diante do problema DROGAS? Este livro e especialmente importante para as pessoas que convivem ou trabalham com dependentes.

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Aceitando o convite da Editora Contexto, docentes

das melhores universidades brasileiras redigiram

os livros desta colecao especialmente para a nossa

realidade, a partir de cuidadosas pesquisas

e de longa pratica de consultorio.

A linguagem direta dos autores orienta com clareza.

o publico brasileiro em relacao a temas importantes.

Desmitificando e esclarecendo duvidas, esta colecao

pretende colaborar para que a vida das pessoas

seja mais saudavel.

Titulos publicados:

A Coluna - Joao Batista de Miranda e Joao Francisco Marques Neto

A Menopausa - Herbene Tolosa

A Prostata - Paulo Palma e Nelson Rodrigues Netto Jr. Cancer- Juvenal Antunes de Oliveira e Sergio Luiz Faria

Drogas maconha, cocaina e crack - Ronaldo Laranjeira, Flavia Jungerman e John Dunn

Gastrite e Ulcera -- Frederico Magalhaes Gravidez -- Jose Antonio Marques e Maria de Fatima Duarte

(Im)potencia Sexual - Sidney Glina Incontinencia Urinaria - Paulo Palma e Viviane Herrmann

Infertilidade - Silvana Chedid

Metodos Anticoncepcionais - Carlos Alberto Petta e Anibal Faundes

O Alcoolismo -- Ronaldo Laranjeira e liana Pinsky

O Envelhecimento - Luiz Eugenio Garcez Leme

O Panico - Dorgival Caetano O Stress - Marilda Novaes Lipp e Lucia Emmanuel Novaes

Obesidade - Alfredo Halpern

Olhos -- Newton Kara Jose e Regina Carvalho Oliveira

Ouvidos, Nariz e Garganta - Debora Shiotsuki Palma

Problemas da Crianca - Jayme Murahovschi

Problemas da Pele -- Denise Steiner



Ronaldo Laranjeira

Formado pela Escola Paulista de Medicina e PHD pela Universidade de Londres, e professor do Depar tamento de Psiquiatria da EPM-UNIFESP e tambem orienta professores e coordena a Unidade de Pesquisa em Alcool e Drogas (UNIAD)

Flavia Jungetman

Formada em psicologia pela PUC-SP, concluiu seu mestrado no National Addiction Centre - Instituto de Psi quiatna da Universidade de Londres Atuou como psicologa clinica no Centro das Taipas - Centro de Atendimento para Toxicodepen dentes - em Lisboa Atualmente e psicologa e pesquisadora da UNIAD

John Dunn

Ingles, formado em medicina pela Universidade de Nottmgham (Inglaterra) e em psiquiatria pelo Maudsle\ Hospital (Inglaterra) E pesquisador do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina e co ordenador da UNIAD

Drogas: 

 

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Importante:

  1. Somente um médico pode diagnosticar doenças, indicar tratamentos e medicamentos.
  2. O(s) autor(es) dos artigos é indicado ao final de cada página.
  3. As informações disponíveis nesta página possuem caráter educativo.

 

Ajuda e informações para tratamento de dependentes e familiares:

  • Abead - Associação de Estudos do Álcool e Outras Drogas - Rua Oscar Freire, 102 - 2º andar - Tel.: 3891-1207 - 3085-4815
  • Amor Exigente - Tel: (11) 5224-1776
  • Associação Promocional Oração e Trabalho - APOT - Tel: (19) 251-5511 ramal 26/ At: Padre Haroldo / Rua. Dr. João Quirino do Nascimento, 1601 - Campinas - SP
  • Central de AA - Tel: (11) 3315-9333 - Av. Senador Queiroz,101, 2º andar / São Paulo-SP
  • Central de Alanon - Tel: (11) 228-7425 e (11)222-2099
  • Central de NA - Tel: (11) 5594-5657
  • Central de Naranon - Tel: (11) 3311-7226 e 227-8983
  • Cebrid - Centro Brasileiro de Informações sobre drogas Psicotrópicas - Rua Botucatu, 862 - 1º andar - Tel.: 5539-0155 - 5576-4504
  • CODA - Codependentes Anônimos - www.codabrasil.org
  • Comunidade Terapêutica Dr. Bezerra de Menezes - Tel: (11) 4109-6422 / Rua Inácio Pedó 660 / São Bernardo do Campo -SP
  • Outros: www.casadia.org
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