

No campo relacionado ao uso de substâncias psicoativas, o processo através do qual um indivíduo com um transtorno por uso de uma dessas substâncias atinge seu máximo possível estado satisfatório de saúde, de funcionamento psicológico e bem-estar social [A Organização Mundial da Saúde define a reabilitação psicossocial como “um processo que facilita aos indivíduos deficientes, incapacitados ou inválidos a oportunidade de atingirem seu nível máximo de funcionamento independente em suas comunidades. Isso implica tanto a melhoria das capacidades individuais como a introdução de modificações ambientais a fim de proporcionar a melhor qualidade de vida possível aos indivíduo que tenham sofrido de uma doença mental, ou que tenham alguma deficiência de suas capacidades mentais que resulta em qualquer grau de incapacidade.” (WHO. Psychosocial rehabilitation: a consensus statement.Doc.: WHO/MNH/MND/96.2, Geneva, WHO, 1996)].
A reabilitação segue uma fase inicial de tratamento (que pode implicar desintoxicação e tratamentos médicos e psiquiátricos). Compreende uma ampla variedade de abordagens, que incluem terapia de grupo, terapias comportamentais específicas para prevenir a recaída, participação em grupos de ajuda mútua , residência em uma comunidade terapêutica ou em uma pensão protegida, treinamento vocacional e emprego protegido. A expectativa é a de uma reintegração social na comunidade em geral.
Na medicina em geral e no campo farmacológico, designa uma reação física tóxica ou (menos comumente) psicológica a um agente terapêutico. A reação pode ser alérgica (previsível) ou idiossincrática (imprevisível). No contexto do uso de substâncias, a expressão inclui as reações físicas e psicológicas desagradáveis ao uso da droga.
Veja também:má-viagem.
Ruborização da face, do pescoço e dos ombros observada logo após a ingestão de álcool, freqüentemente acompanhado por náusea, tontura e palpitações. A reação de rubor pelo álcool é observada em cerca de 50% das pessoas que pertencem geneticamente a alguns grupos asiáticos e é causada pela deficiência hereditária da enzima aldeído-desidrogenase que catalisa a metabolização do acetaldeído. Esta reação também ocorre em pessoas em tratamento com drogas que sensibilizam ao álcool tal como o dissulfiram (Antabus), que inibe a enzima aldeído-desidrogenase.
O retorno ao uso de bebida ou de outra droga após um período de abstinência, freqüentemente acompanhado pela reinstalação de sintomas de dependência. Alguns autores fazem distinção entre recaída e deslize, este último denotando uma ocasião isolada do uso de álcool ou droga.
A manutenção de qualquer forma de abstinência de álcool e/ou de drogas. O termo é particularmente associado com os grupos de ajuda mútua; entre os Alcóolicos Anônimos (AA) e outros grupos dos doze passos refere-se ao processo de atingir e manter a sobriedade. Posto que a recuperação é vista como um processo que dura toda a vida, um membro do AA é sempre visto internamente como um alcoólico “em recuperação”, embora o termo alcoólico “recuperado” possa ser usado fora do grupo.
Uma expressão de uso variado, em geral utilizada para se referir a políticas ou programas que visam interditar a produção e a distribuição de drogas e, mais particularmente, a estratégias de aplicação de leis para reduzir o suprimento de drogas ilícitas.
Veja também:redução da procura, redução de danos.
Uma expressão genérica usada para descrever políticas ou programas destinados a reduzir a procura ou demanda de drogas psicoativas por parte de seus consumidores. É aplicada primariamente para drogas ilícitas, particularmente com referência a estratégias educacionais de tratamento e de reabilitação, ao contrário de estratégias de aplicação de leis que visam proibir a produção e a distribuição de drogas (redução da oferta).
Compare com: redução de danos.
No contexto de álcool ou outras drogas, refere-se a políticas ou programas que enfocam diretamente a redução dos danos resultantes do uso do álcool ou de drogas. O termo é usado particularmente em políticas ou programas que buscam reduzir os danos sem necessariamente afetar o uso subjacente da droga; como exemplos podem-se citar a troca de agulhas/seringas para evitar a partilha de agulhas entre usuários de heroína e a inclusão de bolsas de ar auto-infláveis em automóveis para reduzir os danos em acidentes (especialmente como resultado de dirigir alcoolizado). As estratégias de redução de danos,portanto, abrangem um espectro mais amplo do que a simples dicotomia redução da oferta/redução da procura.
Sinonímia: minimização de danos.
O retorno a um nível pré-existente do uso e da dependência de substância após um período de abstinência., num indivíduo que volta a usá-las. Como dito anteriormente, o indivíduo não apenas retorna ao padrão anterior de uso regular ou intensivo da substância, mas há também uma rápida reinstalação de outros elementos da dependência, tais como controle prejudicado, tolerância e sintomas de abstinência. O termo é usado principalmente na expressão “reinstalação rápida”, característica de algumas descrições da síndrome de dependência do álcool, mas não incluída como um critério na CID-10.
O grau de proeminência da busca ou do uso de uma substância, no pensamento ou nas ações do usuário (por exemplo, dar prioridade a obter e usar substâncias sobre qualquer outra atividade). O conceito está incluído nos critérios de dependência da CID-10 e do DSM-IIIR, embora sem o uso do termo “relevância”.
Desaparecimento das manifestações clínicas de qualquer enfermidade sem que o enfermo tenha sido tratado; também chamada de remissão natural. No campo das farmacodependências, a cessação do abuso do álcool ou de droga, de dependência ou de problemas sem o benefício de terapia ou grupo de ajuda mútua;. Os dados epidemiológicos sugerem que muitas remissões ocorrem sem terapia nem envolvimento com um grupo de ajuda mútua. Alguns preferem o termo “recuperação natural” para evitar a conotação de doença da palavra remissão.
Um estado pós-intoxicação que inclui os efeitos imediatamente posteriores à ingestão de bebidas alcoólicas em excesso: Os componentes não-etílicos das bebidas podem estar envolvidos em sua etiologia. Os aspectos físicos podem incluir fadiga, cefaléia, sede, vertigem, transtornos gástricos, náusea, vômitos, insônia, tremores finos das mãos e pressão arterial elevada ou diminuída. Os sintomas psicológicos incluem ansiedade aguda, culpa, depressão, irritabilidade e sensibilidade aumentada. A quantidade de álcool necessária para produzir ressaca varia com a condição mental e física do indivíduo, embora geralmente quanto mais alto o teor alcoólico no sangue durante o período de intoxicação, mais intensos os sintomas subseqüentes. Os sintomas também variam com a atitude social. Usualmente, a ressaca não dura mais que 36 horas depois que todos os traços da bebida deixaram o organismo.
Alguns dos sintomas da ressaca são similares aos da síndrome de abstinência do álcool, mas o termo ressaca é reservado usualmente aos efeitos posteriores a um episódio único de beber e não implica, necessariamente, nenhum outro transtorno por uso de álcool.
A tendência observada de uma estereotipia progressiva do repertório dos padrões de consumo de uma substância, limitando-se a uma rotina auto-imposta de costumes e rituais caracterizada por uma menor variabilidade da dose e do tipo da substância consumida e do tempo, lugar e modo de auto-administração. Este termo é incluído em algumas descrições da síndrome de dependência, mas não é um critério diagnóstico da CID-10.
[Esta categoria diagnóstica de cinco dígitos não consta da CID-10, mas pode ser encontradana Classificação de Transtornos mentais e de Comportamento da CID-10. Critérios diagnósticospara pesquisa. Porto Alegre, WHO/Artes Médicas, 1998.]
Transtorno da percepção observado após o uso de alucinógenos, uma recorrência espontânea de distorções visuais, sintomas físicos, perda dos limites do ego ou emoções intensas que ocorreram quando o indivíduo consumiu essas substâncias anteriormente. As revivescências (flashbacks) são episódicas, de curta duração (segundos ou horas) e podem reproduzir exatamente os sintomas de episódios alucinógenos prévios. Podem ser precipitados por fadiga, ingestão de álcool ou intoxicação por cânabis. As revivescências pós-alucinógenas são relativamente comuns e foram também relatadas em fumadores de pasta de coca.
A propensão de uma dada substância psicoativa em ser suscetível de abuso, definida em termos da relativa probabilidade de que o uso dessa substância resulte em problemas sociais, psicológicos ou físicos para um indivíduo ou para a sociedade. De acordo com os tratados internacionais sobre controle de drogas (veja convenções internacionais sobre drogas) a OMS é responsável pela determinação do risco de abuso e do potencial de dependência, diferenciado-os da utilidade terapêutica das substâncias controladas.
Veja também:abuso; potencial de dependência; uso nocivo.
O efeito imediato, intenso e prazeroso que segue a injeção intravenosa de certas drogas (por exemplo, anfetamina, cocaína, heroína, morfina, propoxifeno).
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