

Qualquer depressor do sistema nervoso central com a capacidade de aliviar a ansiedade e induzir tranqüilidade e sono. Várias dessas drogas também induzem amnésia e relaxamento muscular e/ou tem propriedades anticonvulsivantes. Os principais sedativos/hipnóticos incluem os benzodiazepínicos e os barbitúricos. Também estão aí incluídos o álcool, a buspirona, o hidrato de cloral, o acetilcarbromal, a glutetimida, a metiprilona, o etclorvinol, o etinamato, o meprobamato e a metaqualona. Algumas autoridades usam o termo sedativo/hipnótico apenas para uma subclasse dessas drogas usada para acalmar pessoas com ansiedade aguda ou para induzir o sono; neste sentido, distinguem-na da dos tranqüilizantes (menores) usados para o tratamento da ansiedade crônica.
Os barbitúricos têm uma estreita margem de segurança entre doses terapêuticas e doses tóxicas e são letais em doses excessivas. O risco de abuso é alto; a dependência física, incluindo a tolerância, desenvolve-se rapidamente. O hidrato de cloral, o acetilcarbromal, a glutetimida, a metiprilona, o etclorvinol, e o etinamato também possuem alto risco de dependência física e abuso, além de serem altamente letais em doses excessivas. Devido a estes riscos, nenhum sedativo/hipnótico deveria ser usado de forma crônica para o tratamento da insônia.
Todos os sedativos/hipnóticos podem prejudicar a concentração, a memória, e a coordenação; outros efeitos freqüentes são ressaca, fala arrastada, falta de coordenação, marcha instável, sonolência, boca seca, diminuição da motilidade gastrintestinal e labilidade de humor. Ocasionalmente pode ocorrer uma reação paradoxal de excitação ou raiva. O tempo que antecede o início do sono é reduzido, mas há supressão de sono REM. A supressão da droga pode produzir um rebote de sono REM e deterioração dos padrões do sono. Em conseqüência, os pacientes tratados por um longo período podem se tornar dependentes psicológicos e físicos da droga, mesmo que nunca tenham excedido a dose prescrita.
As reações de abstinência podem ser graves e ocorrer após umas poucas semanas de uso moderado de um sedativo/hipnótico ou de uma droga ansiolítica. Os sintomas de abstinência incluem ansiedade, irritabilidade, insônia (freqüentemente com pesadelos), náusea ou vômito, taquicardia, sudorese, hipotensão ortostática, alucinações, cãibras musculares, tremores e mioclonias, hiperreflexia e convulsões clônico-tônicas generalizadas que podem evoluir para um estado de mal epiléptico fatal. Pode ocorrer um delirium de abstinência, em geral dentro de uma semana após a interrupção ou de uma redução significativa da dose.
O abuso prolongado de sedativos/hipnótico tem alta probabilidade de levar a perturbações da memória, da aprendizagem verbal e não verbal, da velocidade e da coordenação que podem persistir muito além da desintoxicação e, em alguns casos, resultar num transtorno amnésico permanente. Os transtornos mentais e comportamentais decorrentes do uso de outros sedativos ou hipnóticos (F3) são diferenciados daqueles devidos ao uso do álcool (F10) na CID-10.
(1) Abstinência continuada do uso de álcool e de drogas psicoativas (veja recuperação).
(2) No uso corrente dos Alcoólicos Anônimos e de outro grupos de ajuda-mútua, refere-se à aquisição e manutenção do controle sobre a vida e seu equilíbrio, em geral. “Limpo” , “seco” e “direito” são alguns sinônimos de sóbrio, principalmente em relação a drogas.
(3) Menos freqüente atualmente, a moderação ou padrões habituais de ingestão moderada, próximo do sentido inicial de temperança.
Veja substâncias voláteis.
Veja anfetaminas.
Uma combinação de um estimulante com um opióide, por exemplo, cocaína e heroína, anfetamina e heroína.
Veja droga psicoativa.
Uma substância que quando ingerida afeta os processos mentais, por exemplo, cognição ou humor. Esta expressão e seu equivalente, droga psicoativa, são os termos mais descritivos e neutros para todas as classes de substâncias, lícitas e ilícitas, que interessam à política sobre drogas. “Psicoativa” não implica necessariamente produção de dependência e, no linguajar comum, é freqüentemente omitido, como em “uso de drogas” ou “abuso de substâncias”. (Veja também droga.)
Nas décadas de 1960 e 1970 houve, em muitos países europeus e de língua inglesa, um debate político-cultural sobre se termos descritivos gerais eram positivos ou negativos em relação às experiências de alterações mentais obtidas com a LSD e drogas similares. Os termos “psicotomimético” e “alucinógeno” (que se tornou o nome aceito para esta classe de drogas) tinham uma conotação desfavorável, enquanto “psicodélico” e “psicolítico” transmitiam uma conotação mais favorável. “Psicodélico”, em particular, era também usado com o mesmo amplo alcance de “psicoativo” (O periódico Journal of psychedelic drugs acabou substituindo psychedelic de seu título para psychoactive em 1981.)
Veja também:psicotrópico.
Substâncias psicoativas e seus precursores cuja distribuição é proibida por lei ou restrita a meios médicos e farmacêuticos. As substâncias sujeitas a esse controle diferem de país para país. O termo é freqüentemente usado para se referir às drogas psicoativas e aos seus precursores incluídos nas convenções internacionais sobre drogas (a Convenção Única sobre Narcóticos de 1961, emendada pelo Protocolo de 1972; a Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas de 1971; a Convenção Contra o Tráfico Ilícito de Drogas Narcóticas e Substâncias Psicotrópicas de 1988). Tanto internacional como nacionalmente (como no Ato Norte Americano sobre Substâncias Controladas, de 1970) as drogas controladas são normalmente classificadas de acordo com uma relação hierárquica que reflete os diferentes graus de restrição ou disponibilidade.
Substâncias que se vaporizam à temperatura ambiente. As substâncias voláteis inaladas pelos seus efeitos psicoativos (também chamadas inalantes) incluem os solventes orgânicos presentes em muitos produtos domésticos e industriais (tais como colas, aerossóis, tintas, solventes industriais, diluentes de laca, gasolina e líquidos de limpeza) e os nitritos alifáticos, tais como o nitrito de amila. Algumas substâncias são diretamente tóxicas para o fígado, rins ou coração, e algumas produzem neuropatia periférica ou degeneração cerebral progressiva. Os usuários mais freqüentes destas substâncias são adolescentes jovens e crianças de rua.
O usuário tipicamente embebe um pano com o inalante e coloca-o sobre a boca e nariz, ou coloca o inalante num saco de papel ou plástico, que é então posto sobre a face (induzindo anóxia, além da intoxicação). Os sinais de intoxicação incluem beligerância, agressividade, letargia, alteração psicomotora, euforia, perturbação do juízo crítico, tonturas, nistagmo, visão embaciada ou diplopia, fala pastosa, tremores, marcha instável, hiperreflexia, fraqueza muscular e estupor ou coma.
O uso de qualquer droga em quantidade suficiente para provocar efeitos indesejáveis físicos e mentais mais ou menos imediatos. A superdosagem deliberada é um meio comum de suicídio ou de tentativa de suicídio. Em números absolutos, as superdosagens de drogas lícitas são geralmente mais comuns do que as de drogas ilícitas. A superdose pode provocar efeitos transitórios, duradouros ou a morte; a dose letal de uma droga em particular varia com o indivíduo e com as circunstâncias.
Veja também:intoxicação; envenenamento por álcool ou droga
Um agente utilizado no tratamento da obesidade para reduzir a fome e diminuir a ingestão da alimentos. A maioria destas drogas é constituída por aminas simpatomiméticas, cuja eficácia é limitada pela insônia associada, pelo fenômeno da dependência e por outros efeitos adversos. No passado, as anfetaminas tiveram indicação médica por seus efeitos supressores do apetite.
Sinonímia: anorexígenos.
Uma perturbação crônica e proeminente da memória recente e remota, associada ao uso de álcool ou droga. A recordação imediata está usualmente preservada e a memória remota está menos perturbada do que a memória recente. Em geral, são evidentes as perturbações da noção de tempo e do ordenamento de eventos, bem como perturbações de habilidade de aprendizagem de material novo. A confabulação pode ser marcante, mas não está invariavelmente presente. Outras funções cognitivas estão relativamente bem preservadas e defeitos amnésicos são desproporcionais em relação às outras perturbações. Embora a CID-10 use o termo “induzida”, outros fatores podem estar envolvidos na etiologia desta síndrome.
A psicose (ou síndrome) de Korsakov induzida pelo álcool é um exemplo de uma síndrome amnésica e está freqüentemente associada à encefalopatia de Wernicke. Esta combinação é freqüentemente referida como síndrome de Wernicke-Korsakov.
Um termo genérico que designa vários transtornos devidos ao efeito do álcool sobre o cérebro – intoxicação aguda, intoxicação patológica, síndrome de abstinência, delirium tremens, alucinoses, síndrome amnésica, demência, transtorno psicótico. Deve-se dar preferência a termos mais específicos.
Um grupo de sintomas de configuração e gravidade variáveis que ocorrem após a cessação ou redução do uso de uma substância psicoativa que vinha sendo usada repetidamente e geralmente após um longo período e/ou em altas doses. A síndrome pode ser acompanhada por sinais de alterações físiológicas.
A síndrome de abstinência é um dos indicadores da síndrome de dependência. Também é uma característica distintiva do significado mais estrito do termo dependência.
O início e o curso da síndrome de abstinência são limitados no tempo e são relacionados ao tipo de substância e à dose que vinham sendo usadas imediatamente antes da interrupção ou da redução do uso. Tipicamente, as características da síndrome são opostas às da intoxicação aguda.
A síndrome de abstinência do álcool é caracterizada por tremores, sudorese, ansiedade, agitação, depressão, náusea e mal estar. Ocorre entre 6-48 horas após a interrupção do consumo de álcool e, quando não complicada, termina em 2-5 dias. Pode complicar-se por convulsões tipo grande mal e progredir para um delirium (conhecido como delirium tremens).
As síndromes de abstinência de sedativos têm várias características comuns com a abstinência do álcool, mas podem também incluir dores musculares e espasmos, distorções perceptivas e distorções da imagem corporal.
A abstinência de opióides é acompanhada de rinorréia (secreção nasal), lacrimejamento (excesso de formação de lágrimas), dores musculares, calafrios, arrepios e, após 24-48 horas, cãibras abdominais e musculares. O comportamento de busca da droga é proeminente e continua após a diminuição dos sintomas físicos.
A abstinência de estimulantes (crash) não é tão bem definida quanto às síndromes de abstinência de substâncias depressoras do sistema nervoso central; a depressão é proeminente e acompanhada por mal-estar, inércia e instabilidade.
Veja também:ressaca.
Sinonímia: estado de privação; reação de abstinência; síndrome de privação
A síndrome clássica de deficiência de tiamina é chamada beribéri e raramente é vista, exceto nas situações em que o arroz branco polido é a base da alimentação. Na maioria das sociedades, no entanto, a deficiência de tiamina está amplamente associada com o uso excessivo de álcool. Uma de suas manifestações é a encefalopatia de Wernicke (E51.2); a neuropatia periférica é outra delas e as duas podem ocorrer conjuntamente.
Um conjunto de fenômenos comportamentais, cognitivos e fisiológicos que podem se desenvolver após o uso repetido de uma dada substância. Esses fenômenos incluem de maneira característica um forte desejo de utilizar a droga, o controle prejudicado sobre o seu uso, o uso persistente a despeito das conseqüências prejudiciais, a prioridade ao uso da droga sobre outras atividades e obrigações, um aumento da tolerância e reações físicas de privação quando o uso da droga é interrompido. Faz-se o diagnóstico da síndrome de dependência, de acordo com a CID-10, quando três ou mais dos seis critérios especificados tiverem ocorrido no prazo de um ano.
A síndrome de dependência pode referir-se a uma substância específica (por exemplo, tabaco, álcool ou diazepam), a uma classe de substâncias (por exemplo, opióides), ou a um espectro mais amplo de substâncias farmacologicamente diferentes.
Veja também:adicção a droga ou a álcool; alcoolismo; dependência; transtornos por uso de substância psicoativa
Veja síndrome de dependência.
Um padrão de retardo do crescimento e do desenvolvimento, tanto mental como físico, com defeitos do crânio, da face, de membros e cardiovasculares, encontrados em alguns filhos de mães com elevado consumo de álcool durante a gravidez. As anormalidades mais comuns são: deficiência de crescimento pré e pós-natal, microcefalia, atraso no desenvolvimento ou deficiência mental, fendas palpebrais estreitas, nariz curto e arrebitado com a ponte nasal afundada e um lábio superior fino, pregas palmares anormais e malformações cardíacas (especialmente septais). Várias outras anomalias mais sutis também têm sido atribuídas aos efeitos do álcool no feto (efeitos alcoólicos fetais, EAF), mas há controvérsias quanto ao nível de consumo materno que produz tais efeitos.
Uma constelação de características tidas como associadas ao uso de substâncias psicoativas, que inclui apatia, redução da efetividade produtiva, diminuição da capacidade para encarregar-se de planos complexos ou de longa duração, baixa tolerância à frustração, concentração prejudicada e dificuldade em seguir rotinas. A existência desta condição é controversa. Ela tem sida relatada principalmente em conexão com o uso de cânabis e pode simplesmente refletir uma intoxicação crônica por esta droga. Os sintomas também podem refletir a personalidade, atitudes ou o estágio de desenvolvimento do usuário.
.
Comentar