Glossário sobre drogas - U

  

  

Uso

Vínculo frágil com a substância que permite a manutenção de outras relações.

É possível usar moderadamente certas substâncias sem abusar delas. Assim, no caso dos medicamentos, o uso correto tem a ver com a dosagem adequada, além da indicação de um remédio apropriado por um médico.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso de drogas deve ser classificado em:

Uso na vida: quando a pessoa fez uso de qualquer droga pelo menos uma vez na vida;

Uso no ano: quando a pessoa utilizou drogas pelo menos uma vez nos últimos doze meses;

Uso no mês ou recente: quando a pessoa utilizou drogas pelo menos uma vez nos últimos trinta dias;

Quanto ao padrão de uso de drogas, a OMS define os seguintes tipos:

Uso de risco: padrão de uso ocasional, repetido e persistente, que implica em alto risco de danos futuros à saúde física ou mental do usuário, mas que ainda não resultou em significantes efeitos mórbidos orgânicos ou psicológicos;

Uso prejudicial: padrão de uso que já cause dano físico e/ou mental à saúde.

Uso indevido

Quando se fala em uso indevido de drogas, pressupõe-se que haja algum tipo de uso que seja devido, "tanto na acepção de legítimo, uso que é de direito, como no sentido de benéfico ou proveitoso."

"Não se pode jamais esquecer que a questão das drogas, especialmente como se coloca nos dias de hoje, é eminentemente sociocultural. A taça de champanha com que se brindam bodas, aniversários, Natal e Ano Novo, o chope ou o vin d'honneur são usos devidos de drogas em nossa cultura. Programas de prevenção que ignorem tais realidades certamente perdem credibilidade, pela ambigüidade da mensagem." (Domingos Bernardo, 1994)

Ver também uso e abuso.

Uso ritual

O uso ritual de substâncias psicotrópicas é aquele onde o consumo, geralmente de alucinógenos, é realizado dentro de um controle coletivo codificado em normas simbólicas, semelhante ao ato cerimonial. Esse controle coletivo pode se dar tanto dentro de culturas indígenas e camponesas, quanto no contexto mais próximo das grandes metrópoles.

No primeiro caso, indígena e camponês, o uso ritual geralmente está associado a uma experiência místico-religiosa em que os indivíduos desenvolvem regras de contato com as entidades divinas nas quais acreditam. Temos o exemplo do xamanismo, muito comum em povos nativos da América Latina onde um membro da tribo, tido como portador de capacidades especiais, ingere altas doses de tabaco mascado e através disso atua como interlocutor humano diante da autoridade transcendental ou divina. Aqui o controle é feito basicamente pelos enquadramentos simbólicos que são dados aos efeitos de alucinação provocados pela substância; todas as imagens evocadas pelo xamã são interpretadas em função dos mitos, da realidade e dos anseios daquela tribo. De modo semelhante, o culto do Santo Daime também é uma prática ritual, onde o chá de ayahuasca é empregado por um grupo, orientado por um "mestre", para ter acesso a uma experiência mística. Assim, nesses dois momentos, o uso ritual utiliza o psicotrópico (especificamente o alucinógeno) como um meio de alcançar uma suposta transcendência na qual a coletividade está inclusa como beneficiária.

No segundo caso, do contexto urbano, o uso ritual já assume algumas diferenciações. Nele, a substância (alucinógena, mas também estimulante e depressora) na maioria das vezes não é vista como um veículo para transcendência mística. O consumo não deixa de ocorrer dentro de uma prática grupal, organizada e controlada por um sistema simbólico, mas os objetivos são definidos por questões mais circunscritas aos indivíduos isoladamente. Assim, o que se tem é um ritual de uso, no qual podem ser inseridos o compartilhar de seringas e a alternância de um mesmo cigarro de maconha no interior dos grupos. A forma de se fumar, aspirar ou aplicar a substância, os gestos e olhares são elementos que compõem o ritual do uso controlado.

Numa perspectiva formal, ambos os rituais têm em comum o controle coletivo e codificado, diferenciando-se no que tange às aspirações definidas pelas realidades específicas. De qualquer maneira, existem nuances que não permitem uma visão fixa e fechada das diversas modalidades rituais. O que se procurou fazer aqui foi um breve mosaico desse tema tão amplo e complexo.

Usuário

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a seguinte classificação para as pessoas que utilizam substâncias psicoativas:

Não-usuário: nunca utilizou;

Usuário leve: utilizou drogas, mas no último mês o consumo não foi diário ou semanal;

Usuário moderado: utilizou drogas semanalmente, mas não diariamente no último mês;

Usuário pesado: utilizou drogas diariamente no último mês.

Segundo considerações de saúde pública, sociais e educacionais, uma publicação da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) distingue entre quatro tipos de usuários:

Usuário experimental ou experimentador: limita-se a experimentar uma ou várias drogas, por diversos motivos, como curiosidade, desejo de novas experiências, pressão de grupo etc. Na grande maioria dos casos, o contato com drogas não passa das primeiras experiências.

Usuário ocasional: utiliza um ou vários produtos, de vez em quando, se o ambiente for favorável e a droga disponível. Não há dependência, nem ruptura das relações afetivas, profissionais e sociais.

Usuário habitual ou "funcional": faz uso freqüente de drogas. Em suas relações já se observam sinais de ruptura. Mesmo assim, ainda "funciona" socialmente, embora de forma precária e correndo riscos de dependência.

Usuário dependente ou "disfuncional" (dependente, toxicômano, drogadito, farmacodependente, dependente químico): vive pela droga e para a droga, quase que exclusivamente. Como conseqüência, rompe os seus vínculos sociais, o que provoca isolamento e marginalização, acompanhados eventualmente de decadência física e moral.

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