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Início

INTRODUÇÃO: Estudos internacionais e nacionais mostram que a religiosidade é um modulador importante no consumo de álcoolNa terminologia química, os álcoois constituem um nume­roso grupo de compostos orgânicos derivados de hidrocarbonetos que contém um ou mais grupos hidroxila (-OH). O etanol (ou álcool etílico, C2H5OH) é um dos membros dessa classe de compostos, e é o principal ingrediente psicoativo das bebidas alcoólicas. Por extensão, o termo “álcool” também é usado para referir-se a bebidas alcoólicas.O etanol resulta da fermentação de açúcar produzida por lêvedos. Em condições normais, as bebidas produzidas por fermentação têm uma concentração de álcool que não ultrapassa 14%. Na produção de álcoois por destilação, ferve-se uma mistura fermentada e o etanol que se evapora é recolhido como um condensado quase puro. Além do seu uso para consumo humano, o etanol é também usado como combustível, como solvente e na manufatura química (veja álcool impróprio para o consumo humano).O álcool absoluto (etanol anidro) é o etanol contendo não mais do que 1% de água por massa. Nas estatísticas sobre produção ou consumo de álcool, o álcool absoluto refere-se ao conteúdo de álcool (como 100% de etanol) das bebidas alcoólicas.Do ponto de vista químico, o metanol (CH3OH), também conhecido como álcool metílico e álcool de madeira (ou de amido), é o mais simples dos álcoois. É usado como um solvente industrial e também como um adulterador para desnaturar o etanol e torná-lo impróprio para o consumo (bebidas metiladas). O metanol é altamente tóxico; dependendo da quantidade consu­mida, pode produzir turvação da visão, cegueira, coma e morte.Outros álcoois impróprios para o consumo, com efeitos poten­cialmente nocivos, são consumidos ocasionalmente, como, p.ex., o isopropanol (álcool isopropílico, freqüente em desinfetantes) e etilenoglicol (usado como anticongelante em automóveis).O álcool é um sedativo/hipnótico com efeitos semelhantes aos dos barbitúricos. Além dos efeitos sociais do uso, a intoxi­cação pelo álcool pode resultar em envenenamento e até morte; o uso excessivo e prolongado pode resultar em dependência ou numa ampla variedade de transtornos mentais orgânicos e físicos.Os transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de álcool (F10) são classificados como transtornos decor­rentes do uso de substância psicoativa na CID-10 (F10-F19).Veja também:cardiopatia alcoólica; cirrose alcoólica; dano cerebral associado ao álcool; delirium; encefalopatia de Wernicke; escorbuto; fígado gorduroso alcólico; gastrite alcoólica; hepatite alcoólica; miopatia relacionada com álcool ou drogas; neuro­patia periférica; pancreatite alcoólica; pelagra; pseudo-síndrome de Cushing; síndrome amnésica induzida por álcool ou droga; síndrome de deficiência de tiamina; síndrome fetal alcoólica. e drogasUm termo de uso variado. Em medicina, refere-se a qualquer substância com o potencial de prevenir ou curar doenças ou aumentar o bem estar físico ou mental; em farmacologia, refere-se a qualquer agente químico que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos. Portanto, droga é uma substância que é, ou pode ser, incluída numa farmacopéia. Na linguagem comum, o termo se refere especificamente a drogas psicoativas e em geral ainda mais especificamente às drogas ilícitas, as quais têm um uso não médico além de qualquer uso médico. As classificações profissionais (por exemplo: “álcool e outras drogas”) normalmente procuram indicar que a cafeína, o tabaco, o álcool e outras substâncias de uso habi­tual não médico sejam também enquadradas como drogas, na medida em que elas são consumidas, pelo menos em parte, por seus efeitos psicoativos. entre estudantes adolescentes.

OBJETIVOS: verificar se diferentes variáveis da religiosidade influenciam o uso freqüente e/ou pesado de álcool e drogasDrogas entre estudantes de 1º e 2º graus.

MÉTODOS: Estudo transversal com uma técnica de amostragem do tipo intencional. Foi utilizado um questionário anônimo de autopreenchimento. A amostra foi constituída por 2.287 estudantes de escolas públicas periféricas e centrais e escolas particulares da cidade de Campinas, SP, entrevistados no ano de 1998. As drogas estudadas foram: álcool, tabacoQualquer preparação das folhas da Nicotiana tabacum, uma planta nativa da América, Seu principal ingrediente psicoativo é a nico­tina.Veja também:nicotina; fumar passivo., solventesVeja substâncias voláteis., medicamentos, maconha, cocaínaUm alcalóide obtido das folhas de coca (Erythroxylon coca) ou sintetizado a partir da ecgonina ou de seus derivados. O hidrocloreto de cocaína era comumente usado como anestésico local em odonto­logia, oftalmologia e cirurgias de ouvido, nariz e garganta, dada a sua forte ação vasoconstritora que ajuda a reduzir as hemorragias locais.A cocaína é um poderoso estimulante do sistema nervoso central, usado sem indicação terapêutica para produzir euforia ou “ligação”; o uso repetido produz dependência. A cocaína ou “coca” é geralmente vendida como cristais brancos e translúcidos, ou em pó (“farinha” ou “pó”), freqüentemente adulterada com açúcares ou anestésicos locais. O pó é aspirado (“cheirado” ou “cafungado”) e produz efeitos imediatos (entre 1 a 3 minutos de latência) que duram em torno de 30 minutos.A cocaína pode ser ingerida oralmente, geralmente com álcool; os usuários de opióides e cocaína combinados geralmente os injetam por via intravenosa. Alguns elementos alcalinos (freebase) são utilizados para aumentar a potência da cocaína pela extração do alcalóide puro através da inalação dos vapores em cigarros ou narguilé (cachimbo de água). Uma solução aquosa de sal de cocaína é misturada com um álcali (como bicarbonato de sódio) e o extrato é obtido através de um solvente orgânico como o éter ou o hexano. O procedimento é peri­goso uma vez que a mistura é explosiva e altamente inflamável. Um procedimento mais simplificado que evita o uso de solventes orgânicos consiste em aquecer o sal de cocaína com bicarbonato de sódio; isto produz o crack.O crack ou “pedra” é uma cocaína alcaloidal (básica), um composto amorfo que pode conter cristais de cloreto de sódio. É um composto de coloração bege. Crack refere-se ao som de estalido provo­cado quando o composto é aquecido. Um efeito intenso ocorre de 4 a 6 segundos após a inalação do crack. Um sentimento de exaltação e de desaparecimento de ansiedade é vivenciado, junto com um exagerado sentimento de confiança e auto-estima. Há também uma perturbação do juízo crítico e o usuário tende a cometer atos irresponsáveis, ilegais ou perigosos, sem se preocupar com as conseqüências.A fala fica acelerada e pode se tornar desconexa e incoerente. Os efeitos agradáveis terminam em torno de 5 a 7 minutos, depois do que o humor rapidamente muda para depressão e o consumidor é compelido a repetir o processo de forma a recuperar a euforia do ápice. A superdose parece ser mais freqüente com o crack que com outras formas de cocaína.A interrupção do uso contínuo de cocaína é geralmente seguida por uma crise que pode ser vista como uma síndrome de abstinência, na qual a exaltação dá lugar à apreensão, depressão profunda, sono­lência e inércia.Podem ocorrer reações tóxicas agudas tanto no consumidor de cocaína principiante quanto no inveterado. Essas reações incluem delirium semelhante ao pânico, hiperpirexia, hipertensão (algumas vezes com hemorragia subdural ou subaracnóide), arritmias cardí­acas, infarto do miocárdio, colapso cardiovascular, convulsões, estado de mal epiléptico e morte. Outras seqüelas neuropsiquiátricas incluem uma síndrome psicótica com delírios paranóides, alucinações visuais e auditivas e idéias de auto-referência. “Luzes na neve” (snow lights) é o termo usado para descrever alucinações ou ilusões que lembram o brilho do sol nos cristais de neve. Foram descritos efeitos terato­gênicos, incluindo anormalidades do trato urinário e deformidade dos membros. Os transtornos por uso de cocaína estão entre os trans­tornos por uso de substâncias psicoativas incluídas na CID-10 (classificadas em F14). e ecstasy. As variáveis independentes incluídas na análise de regressão logística foram: filiação religiosa, freqüência de ida ao culto/missa por mês, considerar-se pessoa religiosa e educação religiosa na infância. Para identificar como as variáveis de religiosidade influenciam o uso de álcool e drogas utilizaram-se análises bivariadas e a análise de regressão logística para resposta dicotômica.

RESULTADOS: O uso pesado de pelo menos uma droga foi maior entre os estudantes que tiveram educação na infância sem religião. O uso no mês de cocaína e de "medicamentos para dar barato" foi maior nos estudantes que não tinham religião. O uso no mês de ecstasy e de "medicamentos para dar barato" foi maior nos estudantes que não tiveram educação religiosa na infância.

CONCLUSÕES: Várias dimensões da religiosidade relacionam-se com o uso de drogas por adolescentes, com possível efeito inibidor. Particularmente interessante foi que uma maior educação religiosa na infância mostrou-se marcadamente importante em tal possível inibição.

Descritores: Religião. Abuso de drogas. Bebidas alcoólicas. Saúde dos adolescentes.

Introdução

A relação entre religiosidade e uso de álcool e drogas por adolescentes tem sido objeto de investigação de muitos pesquisadores, pois, para o adolescente, tanto o envolvimento e a prática religiosa como o uso de álcool e drogas são dimensões muito significativas de sua experiência pessoal e social.1 Essas dimensões têm significativo impacto sobre a saúde física e mentalSaúde mental é um termo usado para descrever um nível de qualidade de vida cognição ou emoção ou a ausência de uma doença mental. Na perspectiva da psicologia positiva ou do holismo, a saúde mental pode incluir a capacidade de um indivíduo de apreciar a vida e procurar um equilíbrio entre as actividades e os esforços para atingir a resiliência psicológica. A Organização Mundial de Saúde afirma que não existe definição"oficial"de saúde mental. Diferenças culturais, julgamentos subjectivos, e teorias relacionadas concorrentes afectam o modo como a"saúde mental"é definida. http://www.who.int/whr/2001/chapter1/en/index.html, World Health Organization, 2001, sobre comportamentos de risco e sobre o desenvolvimento psicossocial do adolescente.2 Entender as relações entre essas duas dimensões é tarefa das mais importantes.

O uso e a dependência de álcoolVeja dependência. e drogas é um fenômeno complexo determinado por fatores genéticos, psicológicos e sociais.3 Muitos estudos, realizados em diferentes contextos socioculturais, demonstram que em populações de estudantes adolescentes e jovens verifica-se a associação entre não ter religião (ou pertencer a denominações mais liberais), ter pouca crença religiosa, não freqüentar igreja e cultos e maior uso de álcool e drogas (Tabelas 1 e 2).

Desta forma, estudos internacionais indicam um importante efeito da afiliação religiosa e diferentes dimensões da religiosidade associados à modulação do uso de álcool e drogas em adolescentes.

Religião e uso de álcool e drogas por estudantes no Brasil

Em nosso país, o mais amplo estudo que inclui o tema religião e uso de drogas em adolescentes foi realizado em 1992.24 Este estudo incluiu 16.117 estudantes de primeiro e segundo graus, de quinze cidades brasileiras, mostrando uma correlação negativa fraca, mas constante, entre consumo de álcool e drogas e freqüência de atividades religiosas. Os jovens praticantes de atividades religiosas tendiam, dessa forma, a um menor uso de álcool e drogas.

Borini e colaboradores,25 em 1994, estudando 322 estudantes de medicina em Marília, SP, verificou que a prevalência do uso de álcool (incluindo bebedores discretos, moderados e excessivos) era significativamente menor entre os protestantes (50%) em relação aos católicos (75,2%), espíritas (75,0%) e ateus (94,5%). Ele também não detectou, nessa amostra, bebedores excessivos entre os protestantes e os espíritas. Com uma população bem maior, o estudo de Queiroz26 incluiu 2.564 estudantes universitários de 21 cursos da USP e utilizou uma análise de regressão logística. Este estudo revelou uma associação entre maior uso de drogas e não ter uma religião. Mais recentemente, Kerr-Corrêa e colaboradores,27 em 2002, realizaram um levantamento com 11.876 estudantes (11.382 universitários e 624 secundários) do Estado de São Paulo. Através de análise de regressão logística, os autores identificaram que, entre os estudantes secundaristas, o uso excessivo de álcool relacionou-se a não praticar religião. Entre os estudantes universitários, o uso de maconha associou-se a não ter religião e o uso de solventes a não praticar religião. Analisando os resultados como um todo, os autores concluem que o uso de álcool e drogas é modulado por normas, valores e práticas grupais, tanto do grupo familiar como de grupos extrafamiliares (amigos, religião, etc).

O objetivo deste trabalho foi verificar como variáveis de religiosidade, tais como ter ou não ter religião, filiação religiosa, freqüência a cultos, considerar-se uma pessoa muito ou pouco religiosa e educação religiosa na infância podem influenciar o uso freqüente e/ou pesado de álcool e drogas entre adolescentes.

Método

Trata-se de um estudo transversal com uma técnica de amostragem do tipo intencional, de conveniência. No ano de 1998, foram avaliados 2.287 estudantes de 1º e 2º graus de escolas com diferentes contextos socioeconômicos e culturais: duas escolas públicas periféricas, duas escolas públicas centrais e três escolas particulares centrais da cidade de Campinas.

Foi utilizado um questionário anônimo de autopreenchimento baseadoUm termo genérico usado para denotar os vários preparados da planta de maconha (cânhamo), Cannabis sativa. Isso inclui a folha de maconha ou diamba (com variada sinonímia de gíria), o cânhamo-da-índia ou haxixe (derivado da resina dos extremos floridos da planta) e o óleo de haxixe.Na Convenção Única de Narcóticos e Drogas de 1961, a maconha foi definida como “as extremidades floridas ou frutificadas da planta de cannabis (excluindo as sementes e as folhas sem aquelas extremidades) das quais a resina não foi extraída”, enquanto que a resina da cânabis é “a resina bruta ou purificada, extraída da planta da cannabis”. As definições são baseadas na terminologia tradicional indiana como ganja (= cânabis) e charas (= resina). Um terceiro termo indiano, o bhang se refere às folhas. O óleo de cânabis (óleo de haxixe, cânabis líquida ou haxixe líquido) é um concentrado de cânabis obtido pela extração geralmente através de um óleo vegetal.O termo marijuana é de origem mexicana. Originalmente um termo usado para o tabaco barato (ocasionalmente misturado com cânabis), tornou-se um termo genérico para as folhas de cânabis ou a cânabis em geral, em muitos países. O haxixe, inicialmente um termo utilizado para a cânabis nas áreas do Mediterrâneo oriental, é hoje utilizada para a resina da cânabis.A cânabis contém pelo menos 60 canabinóides, muitos dos quais biologicamente ativos. O componente mais ativo é o delta 9-tetrahidro­canabinol (THC), o qual pode ser detectado na urina várias semanas após seu uso (geralmente após ter sido fumado), bem como seus metabólitos.A intoxicação pela cânabis produz sensação de euforia, leveza dos membros e geralmente retração social. Prejudica a capacidade para dirigir veículos bem como para executar outras atividades complexas que requerem habilidade; prejudica a memória imediata, o nível de atenção, o tempo de reação, a capacidade de aprendizado, a coordenação motora, a percepção de profundidade, a visão peri­férica, a percepção do tempo (a pessoa geralmente tem a sensação de passagem mais lenta do tempo) e a detecção de sinais. Outros sinais de intoxicação podem incluir ansiedade excessiva, desconfiança ou idéias paranóides em alguns e euforia ou apatia em outros, juízo crítico prejudicado, irritação conjuntival, aumento de apetite, boca seca e taquicardia. A cânabis às vezes é consumida com álcool, o que aumenta os efeitos psicomotores.Há registros de que, em casos de esquizofrenia, o uso da cânabis pode precipitar recaídas. Estados de ansiedade e de pânico agudos, e estados delirantes foram também relatados na intoxicação por cânabis; estes geralmente regridem em alguns dias. Os canabinóides são às vezes usados terapeuticamente para glaucoma e para as náuseas em tratamentos quimioterápicos do câncer.Os transtornos por uso de canabinóides estão incluídos nos transtornos por uso de substância psicoativa na CID-10 (classifi­cados em F12)Sinonímia: ceruma; diamba; erva; fumo; liamba; maconha; suruma; marihuana; marijuana.Veja também:síndrome nolitiva. no questionário do CEBRID.28 Neste trabalho, analisou-se e comentou-se apenas sobre as variáveis referentes à religiosidade. Outras dimensões e variáveis significativas encontradas foram discutidas em um outro trabalho.29

Variáveis pesquisadas

O questionário empregado colheu dados das seguintes variáveis: gênero; idade; nível socioeconômico; tipo de escola; grau e período em que estudava; trabalho; tipo de lazer; apoio e compreensão de amigos(as) e/ou namorado(a); por quem foi criado nos últimos dois anos; situação dos pais; com quem mora; apoio e compreensão familiar; defasagem escolar; GHQ-1230 e uso de drogas lícitas e ilícitas. O GHQ-12 (General Health Questionaire) é um instrumento de rastreamento (screening) de transtornos mentais que contém 12 questões com os sintomas

psiquiátricos mais freqüentes na comunidade. Foi validado para a população brasileira por Mari e Williams, em 1985.30 Em relação à religiosidade, nesta pesquisa foram colhidos os seguintes dados: ter ou não religião (ter ou ser adepto de qualquer uma religião ou denominação religiosa); filiação religiosa; freqüência de ida à igreja por mês; considerar-se uma pessoa religiosa (muito, moderadamente, pouco ou não religioso); e educação religiosa na infância (muito religiosa, moderadamente, pouco ou não religiosa).

Drogas estudadas

As drogas estudadas foram: álcool, tabaco, medicamentos, maconha, solventes, cocaína e ecstasy. De acordo com a OMS,31 considerou-se uso no mês, o uso de drogas nos 30 dias que antecederam a pesquisa; uso freqüente, o uso de 6 a 19 vezes nos 30 dias que antecederam a pesquisa; e uso pesado, o uso em 20 dias ou mais nos 30 dias que antecederam a pesquisa.

Para substâncias que são largamente utilizadas, como tabaco, álcool, maconha e solventes, foram realizadas análises multivariadas individuais para cada uma dessas drogas, considerando-se o uso pesado. Para cocaína, "medicamentos para dar barato" e ecstasy, pela freqüência do uso ter sido bem menor em nossa amostra, optou-se por trabalhar com "uso no mês".

Por ser muito freqüente o uso de várias drogas concomitantemente (poliuso) e visando comparar estudantes que não usaram nenhuma droga no mês e estudantes que fizeram uso pesado de pelo menos alguma droga, criou-se uma variável denominada DROGA. Esta variável assume o valor 0 se o estudante não fez uso no mês de nenhuma das drogas citadas; e 1, se fez uso de pelo menos uma das drogas estudadas em 20 dias ou mais do mês anterior.

Análise estatística

As variáveis relacionadas à religiosidade foram: ter ou não ter uma religião, filiação religiosa; tempo em que está na religião; freqüência de ida à igreja por mês; considerar-se uma pessoa religiosa e educação religiosa na infância. Para identificar como as variáveis de religiosidade influenciam o uso pesado de qualquer droga (álcool, tabaco, maconha, solventes, cocaína, ecstasy e "medicamentos para dar barato"), foi utilizado um procedimento de análise multivariada (que considera as variáveis de forma conjunta) - a Análise de Regressão Logística para Resposta Dicotômica. O método de variáveis explicativas utilizado na regressão logística foi stepwise.

Os testes estatísticos utilizados foram: qui-quadrado, para as diferenças de freqüência; ANOVA, para comparação de mais de duas de médias; e t-Student para duas médias.

Aspectos éticos

Este trabalho foi aprovado na sua íntegra pelo Comitê de Ética da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP e foi obtido o consentimento livre e informado das Delegacias de Ensino, dos Diretores e Associação de Pais das escolas envolvidas.

Foi explicitamente dito a todos os estudantes, antes da aplicação do questionário, que eles tinham pleno direito em não participar da pesquisa e que isso não implicaria em qualquer forma de desaprovação ou repreensão por tal recusa. A aplicação foi coletiva, em sala de aula, sem a presença do professor. A garantia e a certeza do anonimato foram enfatizadas no início das entrevistas.

 

Resultados

1. Aspectos gerais da amostra

A amostra inicial foi de 2.375 alunos. Desses, foram excluídos 86 alunos, que tinham idade superior a 26 anos (apesar de serem alunos de 1º ou 2º grau). Dois questionários foram desprezados por preenchimento incompleto ou não compreensão das perguntas. Não houve recusas em responder os questionários. Não foi possível aferir o número exato de alunos faltosos mas, pelos relatórios de aplicação, estima-se que sejam pouco numerosos, pois a ampla maioria das classes estava cheia no momento da entrevista. Foram, portanto, incluídos para análise na pesquisa 2.287 estudantes. Desses, 1.188 (52%) eram do sexo masculino e 1.096 (48%) do sexo feminino. A média de idade foi de 15,8 (Desvio Padrão 2,7; variação 11-26); 781 (34,1%) estudavam em escolas públicas centrais, 763 (33,6%) em escolas públicas periféricas e 738 (32,3%) em escolas particulares centrais; 1.159 (50,8%) cursavam o 1º grau e 1.122 (49,2%) cursavam o 2º grau.

Os resultados da análise bivariada (análise que cruza duas variáveis) são apresentados nas Tabelas 3 e 4. Na Tabela 5 são apresentados os resultados da análise multivariada.

Análise multivariada

No modelo de análise multivariada empregado não se pôde identificar relação estatisticamente significativa entre o uso pesado específico de tabaco, álcool, solventes e maconha e as variáveis de religiosidade. Para cocaína, "medicamentos" e ecstasy (com as quais trabalhou-se com uso no mês), os valores significativos encontrados são apresentados na Tabela 5. Nesta tabela também se encontram os resultados significativos para a variável criada a posteriori, denominada "DROGA".

Discussão

Os dados do presente trabalho reforçam claramente a evidência demonstrada pela literatura internacional e nacional, a saber: várias dimensões da religiosidade são possivelmente fatores relevantes na modulação do uso e abusoabuso (de drogas, de álcool, de substâncias, de produtos químicos ou de substâncias psicoativas)Um grupo de termos muito utilizado embora com significados variáveis. Na 3a. edição revista do Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação Psiquiátrica Norte-Americana (DSM-III-R), “abuso de subs­tância psicoativa” é definido como “padrão desajustado de uso indicado pela continuação desse uso apesar do reconhecimento da existência de um problema social, ocupacional, psicológico ou físico, persistente ou recorrente, que é causado ou exacerbado pelo uso recorrente em situações nas quais ele é fisicamente arriscado”. Trata-se de uma categoria residual, ao qual é preferível o diagnóstico de dependência, quando for o caso. O termo “abuso” é algumas vezes utilizado de forma desaprovativa para designar qualquer tipo de uso, particularmente o de drogas ilícitas. Devido à sua ambigüidade, o termo não é usado na 10a. revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) (exceto no caso de substâncias que não produzem dependência; veja mais adiante); uso nocivo e uso arriscado são os termos equivalentes na terminologia da OMS, embora eles geralmente digam respeito apenas aos efeitos físicos e não às conseqüências sociais. O emprego de “abuso” também é desestimulado pelo Escritório de Prevenção do Abuso de Substâncias dos EUA, embora expressões como “abuso de substâncias” sigam sendo amplamente utilizadas na América do Norte, para se referir, de modo geral, aos problemas do uso de substâncias psicoativas.Em outros contextos, o abuso já indicou padrões de uso não-médico ou não aprovado, independentemente das conseqüências. Assim, a definição publicada em l969 pela Comissão de Peritos da OMS em Dependência de Drogas foi “uso excessivo de droga, persis­tente ou esporádico, inconsistente ou sem relação com a prática médica aceitável” (veja uso indevido de álcool ou droga). de álcool e drogas por diversos grupos populacionais, particularmente adolescentes e jovens.

Limitações do estudo

Devem-se apontar aqui algumas limitações metodológicas deste estudo. Por tratar-se de amostra de conveniência, foram escolhidas intencionalmente escolas públicas e particulares, de bairros centrais e periféricos, para efeito de contraste da realidade socioeconômica e cultural dos estudantes. Assim, não contamos com uma amostra representativa de todos os estudantes da cidade de Campinas. Portanto, possíveis generalizações dos dados podem ser feitas apenas com muita cautela.

De forma relativamente surpreendente, não obtivemos recusas de alunos em responder aos questionários nas salas de aula. Isto talvez se deva a um extremo cuidado no esclarecimento dos alunos sobre os objetivos da pesquisa e na garantia enfática do anonimato. Por outro lado, não foi possível controlar o viés produzido por alunos faltosos, no dia da entrevista. É possível que esses alunos sejam, de fato, os mais gravemente envolvidos com o uso de álcool e drogas. Entretanto, esta é uma limitação de qualquer pesquisa realizada em escolas. De qualquer forma, os entrevistadores observaram que nos dias de aplicação as classes estavam, de modo geral, cheias, indicando que o número de faltosos foi possivelmente pequeno.

Finalmente, uma crítica pode ser feita por termos incluído o tabaco junto com o álcool e as outras drogas, no construto "DROGA" (uso pesado de qualquer droga no último mês). O uso de tabaco, de modo geral, tende a ser diário, configurando quase sempre um "uso pesado". É certo que tal uso não implica, necessariamente, alterações comportamentais e psicossociais sérias (como é o caso para uso pesado de álcool, maconha ou cocaína). Entretanto, optamos por manter o tabaco no conjunto de drogas de uso pesado, pois tal uso implica em sérios riscos à saúde física do adolescente.

Nunca é demais relembrar que, por se tratar de um estudo observacional e transversal, não se identificou aqui relações causais (como, por exemplo, maior religiosidade produzindo menor uso de drogas), mas apenas associações descritivas, cujos vetores de causalidade podem estar em pontos não identificados pelos pesquisadores.

Religiosidade na amostra estudada

Em nossa amostra, ao se analisar a relação da religiosidade com o perfil sociodemográfico dos estudantes e tipo de escola, verificou-se que as garotas afirmam mais que os rapazes ter religião e ter tido uma educação mais religiosa, assim como se consideram significativamente mais religiosas do que eles. Uma maior religiosidade no gênero feminino é um dado muito recorrente em diversas culturas (inclusive as ocidentais), relativamente bem documentado na literatura sociológica.32 Não se verificou diferenças em relação às variáveis religiosas e idade. Os alunos de escolas públicas periféricas tendem a ser mais evangélicos históricos ou pentecostais e menos freqüentemente espíritas. Assim como se consideram mais religiosos, tem uma maior freqüência aos cultos e teve com mais freqüência uma educação muito religiosa na infância. Em suma, os estudantes mais intensamente religiosos são garotas e alunos de escolas públicas da periferia.

Variáveis de religiosidade

De modo geral, muitas são as variáveis relacionadas à religião estudadas em pesquisas sobre o uso de álcool e drogas em adolescentes. A maior parte dos estudos têm investigado predominantemente a afiliação religiosa e a freqüência a cultos. Entretanto, vários pesquisadores9,17,22,33 também incluíram variáveis como: importância atribuída à religião na vida, envolvimento com a religião (religious commitment), medidas de crença religiosa (crença em Deus, intensidade da fé, etc), práticas religiosas pessoais (orações solitárias, leituras religiosas, etc), participação em atividades da igreja além dos cultos, tempo gasto com atividades religiosas e crenças e valores religiosos ortodoxos ou fundamentalistas. Desta forma, é difícil comparar os estudos e mesmo identificar qual dimensão da experiência religiosa é mais significativa para a modulação do uso de álcool e drogas. Optamos, neste estudo, por atermo-nos à apenas quatro dimensões: afiliação religiosa, freqüência a cultos e uma medida de auto-avaliação geral quanto à religiosidade, implicada no considerar-se (em vários graus) uma pessoa religiosa. Além disso, incluímos a educação religiosa na infância, posto que esta indicaria a influência da religiosidade familiar sobre o adolescente.

Das denominações religiosas presentes em nosso meio, os protestantes históricos e pentecostais apresentaram, relativamente, uma maior freqüência de não usuários e os católicos e espíritas uma maior freqüência (também relativa) de usuários pesados. Isto é compatível com a literatura,3,4,16,25 na qual verifica-se que as denominações mais conservadoras tendem a apresentar menos usuários de álcool e drogas entre os seus membros.

De modo geral, verificou-se, na análise bivariada, que todas as variáveis religiosas, com exceção da "freqüência religiosa", estiveram significativamente associadas ao uso pesado de drogas. Tal associação ocorreu sempre no sentido de quanto mais religioso o subgrupo de estudantes menor a freqüência de uso pesado de droga.

A ausência de relação entre freqüência religiosa e uso de drogas em nossa amostra chama a atenção, posto que a maior parte dos estudos tem identificado que quanto mais o adolescente freqüenta cultos ou missas, menos usa álcool e drogas (revisão em Francis33). Entretanto, alguns estudos33,34 não puderam, como nós, encontrar tal relação.

Das quatro variáveis estudadas, a mais recorrente na análise multivariada, associada a um possível efeito inibidor do uso de álcool e drogas, foi "ter tido uma educação religiosa (ou muito religiosa) na infância".

Também se deve ressaltar que, tanto "não ter tido uma educação religiosa na infância", como se considerar uma pessoa "não religiosa", foram às características que se relacionaram à maior pontuação no GHQ-12, que indica presença de sintomas psicopatológicos. Embora a diferença absoluta em pontuação seja pequena, é possível supor que os adolescentes com menos educação religiosa e menos religiosidade pessoal atual tendam também a ser aqueles que se sentem psicologicamente pior.

No presente estudo, na análise multivariada, chamou a atenção que a variável "ter tido uma educação religiosa na infância" foi a que mais recorrentemente relacionou-se a um menor uso no mês ou uso pesado das diferentes drogas. Tal achado é intrigante, posto que entre os dois fenômenos (uso de drogas na adolescência e educação religiosa na infância) há uma considerável distância temporal.

Na realidade, são muitas as possíveis implicações do afirmar "ter tido uma educação religiosa na infância". De início, constata-se que a definição do que exatamente é "educação religiosa" é complexa e relativamente vaga. Boys,35 revisando o tema "educação religiosa", afirma que os vários conceitos e noções implicados denotam uma confusão conceptual e empírica considerável.

No caso do nosso estudo, ter tido uma educação religiosa na infância pode implicar desde ter tido uma educação com mais regras e normas morais e comportamentais claras, ter tido um ambiente sociofamiliar mais estruturado, assim como ter internalizado valores que dão significado à vida. Os dados disponíveis, entretanto, não permitem tais minúcias, devendo-nos obrigar a uma posição de cautela interpretativa. Jessor e Jessor36 não encontraram relação entre grau de fundamentalismo religioso dos pais e uso de álcool pelos filhos. Por outro lado, uma importante pesquisa, recentemente publicada,37 investigou dados relativos à educação, religiosidade e atitudes morais em 16.604 sujeitos, em 15 países. Os autores puderam identificar que as atitudes morais de um indivíduo criado por pais religiosos são claramente mais "conservadoras" do que as daqueles criados por pais não religiosos. Verificaram também que os efeitos da socialização na infância com pais religiosos mantêm-se durante o período adulto. Finalmente, verificaram que a influência da religiosidade sobre atitudes morais é mais intensa nos países menos secularizados. Segundo os autores, nos países nos quais a religiosidade era, de forma geral, mais importante na vida social, a religiosidade individual e dos pais tendeu a nortear mais marcadamente as atitudes morais e padrões comportamentais dos indivíduos.

De forma geral, os dados do presente estudo (maior influência da "educação religiosa", "considerar-se mais religioso" e menor influência da "freqüência aos cultos") indicam que dimensões da religiosidade relacionadas a internalização de normas, valores e atitudes morais e religiosas foram mais importantes do que uma possível prática social religiosa, como ir com freqüência a cultos e missas.

Tal achado é corroborado por dois estudos9,38 que apontam na mesma direção. Patocvk-Peckham e cols.9 verificaram, em 263 estudantes universitários, que a religiosidade intrínseca (valores e normas religiosas, assim como normas éticas pessoais introjetadas, utilizadas no dia-a-dia) associou-se a um menor uso de álcool e menos problemas relacionados ao álcool, enquanto que a chamada religiosidade extrínseca (relacionada à busca utilitarista na igreja de segurança, sociabilidade, status e autojustificação) não se mostrou relacionada ao uso de álcool.

No mesmo sentido, Laflin e cols.,38 ao estudar variáveis como o uso de drogas, atitudes em relação às drogas, normas subjetivas e auto-estima, em 2.074 estudantes de segundo grau e universitários nos EUA, identificaram que as normas e atitudes subjetivas em relação ao uso de drogas foram mais importantes do que a auto-estima atual do estudante para a determinação do uso de álcool e drogas. Esses autores, apoiados nas teorias de "ação planejada" e da "ação racionalizada", sustentam que as normas subjetivas e atitudes internalizadas em relação ao uso de drogas são os fatores mais fortemente associados ao uso ou não uso de drogas em adolescentes. Normas subjetivas, que orientam atitudes, são "dimensões" muito mais 'introjetadas" da religiosidade do que as práticas sociais externas de freqüência a cultos.

Também apoiando esta interpretação, os dados da presente pesquisa, assim como outros estudos,16,39 revelam que utilizam significativamente menos álcool e drogas os grupos de estudantes protestantes pertencentes a denominações mais conservadoras. Tais grupos (nos EUA, protestantes conservadores e, no Brasil, protestantes históricos e pentecostais) condenam o uso de álcool e drogas de forma mais clara e explícita do que os grupos mais liberais (nos EUA, protestantes liberais e católicos; e no Brasil, católicos e espíritas), entre os quais a condenação não é tão enfatizada. Bock e colaboradores,40 ao analisarem os dados do senso norte-americano de 1972 a 1980 para pessoas não institucionalizadas com mais de 18 anos, verificaram que o impacto inibidor da religião sobre o uso e abuso de álcool é progressivamente maior naqueles grupos religiosos que explicitamente condenam tal uso. Nesta linha, dois trabalhos recentes41,42 identificaram, em amostras extensas e com métodos epidemiológicos rigorosos, a associação entre pertencer a grupos religiosos conservadores, assim como ter maior devoção religiosa pessoal, e utilizar menos e ter menos dependência(F1x.2)Em termos gerais, o estado de necessidade ou dependência de alguma coisa ou alguém para apoio, funcionamento ou sobrevivência. Quando aplicado ao álcool e outras drogas, o termo implica a neces­sidade de repetidas doses da droga para sentir-se bem ou para evitar sensações ruins. No DSM-IIIR, a dependência é definida como “um conjunto de sintomas cognitivos, comportamentais e psicológicos que indicam que uma pessoa tem o controle do uso da substância psico­ativa prejudicado e persiste nesse uso a despeito de conseqüências adversas”. Equivale aproximadamente à síndrome de dependência da CID-10. No contexto da CID-10, o termo dependência refere-se de maneira geral a qualquer dos elementos da síndrome. O termo é freqüentemente usado como equivalente de adicção e de alcoo­lismo.Em 1964 uma Comissão de Peritos da OMS introduziu “depen­dência” em substituição a adicção e hábito10. O termo pode ser usado de maneira genérica em relação a todas as drogas psicoativas (depen­dência de drogas, dependência química, dependência do uso de subs­tância), ou referir-se especificamente a uma droga em particular ou a uma classe de drogas (p.ex., dependência de álcool, dependência de opióide). Embora a CID-10 descreva dependência em termos aplicá­veis a todas as classes de drogas, há diferenças entre os sintomas de dependência característicos das diferentes drogas.De forma não qualificada, dependência refere-se a ambos os elementos físicos e psicológicos. A dependência psicológica ou psíquica refere-se à vivência de controle prejudicado sobre o beber ou o uso da droga (veja craving, compulsão), ao passo que a depen­dência fisiológica ou física refere-se à tolerância e aos sintomas de abstinência (veja também neuro-adaptação). Em discussões de orien­tação biológica, dependência é freqüentemente usada com referência à dependência física apenas.Ainda no contexto psicofarmacológico, emprega-se também dependência ou dependência física num sentido mais limitado para referir-se exclusivamente ao desenvolvimento de sintomas de absti­nência que seguem uma interrupção do uso de droga. Neste sentido restrito, a dependência cruzada é vista como complementar a tole­rância cruzada, e ambas definições referem-se somente à sintomato­logia física (neuroadaptação). ao álcool e outras drogas.

Desta forma, nossos resultados, assim como os estudos mencionados, apontam para uma possível maior influência de uma religiosidade internalizada, com normas, valores e proibições ancoradas na subjetividade do adolescente, dimensão esta possivelmente mais importante do que o simples freqüentar uma determinada denominação. Estudos futuros deverão investigar mais profundamente essa possibilidade.

Em conclusão, gostaríamos de lembrar que, ao se aderir a uma denominação religiosa e envolver-se com padrões de religiosidade, adere-se a um conjunto de valores, símbolos, comportamentos e práticas sociais, enfim, adere-se a um amplo e complexo ethos religioso que inclui, entre outras coisas, a aceitação ou recusa ao uso de álcool e drogas.

 


 

Autor

Paulo Dalgalarrondo I; Meire Aparecida Soldera I; Heleno Rodrigues Corrêa Filho II; Cleide Aparecida M Silva III
IDepartamento de Psicologia Médica e PsiquiatriaPsiquiatria é uma especialidade da Medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças mentais em humanos, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, tais como depressão, doença bipolar, esquizofrenia e transtornos de ansiedade.A meta principal é o alívio do sofrimento psíquico e o bem-estar psíquico. Para isso, é necessária uma avaliação completa do doente, com perspectivas biológica, psicológica, sociológica e outras áreas afins.Uma doença ou problema psíquico pode ser tratado através de medicamentos ou várias formas de psicoterapia.A avaliação psiquiátrica envolve o exame do estado mental e a história clínica. Testes psicológicos, neurológicos e exames de imagem podem ser utilizados na avaliação, assim como exames físicos. Os procedimentos diagnósticos variam mas os critérios oficiais estão descritos em manuais como a CID-10 da Organização Mundial de Saúde e o DSM-IV da American Psychiatric Association. - FCM-UNICAMP
IIDepartamento de Medicina Preventiva e Social - FCM-UNICAMP
IIIComissão de Pesquisa-FCM-UNICAMP
Endereço para correspondência
Paulo Dalgalarrondo Caixa Postal 6111, CEP 13081-970-Campinas-SP Tel. (19) 3788-7206 Fax: (19) 3289-4819
E-mail: psi@head.fcm.unicamp.br
Financiamento: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP.
Recebido em 04.06.2003 - Aceito em 17.11.2003 - Versão Revisada em 08.10.2003
Artigo publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria volume 26 número 2 São Paulo junho de 2004
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462004000200004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

 

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Comentários

questionário

Olá!!Primeiramente gostaria de parabenizar o grupo pela pesquisa e por disponibilizá-la na internet, pois é uma ótima fonte para quem está fazendo algum trabalho com o tema drogaUm termo de uso variado. Em medicina, refere-se a qualquer substância com o potencial de prevenir ou curar doenças ou aumentar o bem estar físico ou mental; em farmacologia, refere-se a qualquer agente químico que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos. Portanto, droga é uma substância que é, ou pode ser, incluída numa farmacopéia. Na linguagem comum, o termo se refere especificamente a drogas psicoativas e em geral ainda mais especificamente às drogas ilícitas, as quais têm um uso não médico além de qualquer uso médico. As classificações profissionais (por exemplo: “álcool e outras drogas”) normalmente procuram indicar que a cafeína, o tabaco, o álcool e outras substâncias de uso habi­tual não médico sejam também enquadradas como drogas, na medida em que elas são consumidas, pelo menos em parte, por seus efeitos psicoativos.. Por gentileza, seria possível a disponibilização do questionário também? Desde já agradeço. meu e-mail: palomavieiramartins@hotmail.com

Ajuda!!

Ola, gostaria que você me mandasse o questionário que você utilizou, pois irei fazer a pesquisa nasVeja teor alcoólico no sangue. escolas publicas e estou precisando de um questionário para aplicar a eles.

Obrigada e se puder encaminhar para meu email engradesso de coração!!!

Meu email: claudia.perone.19@hotmail.com

Obrigada mesmo!!!

Artigo

“Outro dia indo num funeral de  uma tia muito idosa que faleceu, momentos antes de se fechar  o caixão para o sepultamento um  jovem  disse algumas palavras. Dentre essas palavras uma frase que marcou muito dita por ele: “... Eu amo mais a Deus do que a minha mulher....”Ai ficou o seguinte questionamento: Independente de religião não foi Deus  quem criou todas as coisas neste mundo?? Inclusive a esposa dele?? Se ele ama a esposa acima de tudo, ele ama a Deus acima de tudo, mesmo porque ela é criação Dele. Se ele ama os filhos, ele ama a Deus acima de tudo. Simplesmente porque até uma simples  folhinha que cai da árvore é criação Dele. Portanto, tudo que amamos com  toda a força do coração: seja familia, esposa, marido, etc, significa  amar a Ele. Não existe separação, tudo é fruto de uma criação só. “Ahhh, e as coisas ruins que existem no mundo, é coisa do diabo??”. Não,  é fruto de uma criação só, justamente para nos dar sempre duas opções a seguir: A boa ou a ruim, isso vai depender do bom senso, indole e o “desenvolvimento” de cada um, em seguir as más opções e apartir daí arcar com as consequencias, e as boas opções”.

 

Jupira Lucas

Contabilista em Campinas-SP

 

COMENTÁRIO

TENHO MUITO A AGRADECER A VC, POR TER ENCONTRADO ESTE ESTUNO NA NET.

ESTOU FAZENDO MINHA MONOGRAFIA PARA A PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA ECLESIÁSTICA, PELA UNISUAM. MEU TEMA É: "A PRÁTICA DE RELIGIÃO:PREVENÇÃO AO USO DE DROGASUm termo de uso variado. Em medicina, refere-se a qualquer substância com o potencial de prevenir ou curar doenças ou aumentar o bem estar físico ou mental; em farmacologia, refere-se a qualquer agente químico que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos. Portanto, droga é uma substância que é, ou pode ser, incluída numa farmacopéia. Na linguagem comum, o termo se refere especificamente a drogas psicoativas e em geral ainda mais especificamente às drogas ilícitas, as quais têm um uso não médico além de qualquer uso médico. As classificações profissionais (por exemplo: “álcool e outras drogas”) normalmente procuram indicar que a cafeína, o tabaco, o álcool e outras substâncias de uso habi­tual não médico sejam também enquadradas como drogas, na medida em que elas são consumidas, pelo menos em parte, por seus efeitos psicoativos. POR ADOLESCENTE"

CASO VC TENHA MAIS MATERIAIS SOBRE O ASSUNTO, POR FAVOR ME ENVIE PELO E-MAIL

talmide@ig.com.br

Muito obrigado !!!

drogas

vamos ajuda e ate hoje eu mim pergar essas pessoas q estao no mundo das drogasUm termo de uso variado. Em medicina, refere-se a qualquer substância com o potencial de prevenir ou curar doenças ou aumentar o bem estar físico ou mental; em farmacologia, refere-se a qualquer agente químico que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos. Portanto, droga é uma substância que é, ou pode ser, incluída numa farmacopéia. Na linguagem comum, o termo se refere especificamente a drogas psicoativas e em geral ainda mais especificamente às drogas ilícitas, as quais têm um uso não médico além de qualquer uso médico. As classificações profissionais (por exemplo: “álcool e outras drogas”) normalmente procuram indicar que a cafeína, o tabaco, o álcool e outras substâncias de uso habi­tual não médico sejam também enquadradas como drogas, na medida em que elas são consumidas, pelo menos em parte, por seus efeitos psicoativos. minha jente hojeem dea minha casa n e q mas antes por q meu pai pegou tudo para trocar por drogasDrogas por q meu deus por q isso foi aconteser logo com a minha familia. hoje n tem nada meu pai depois q levou tudo deixou minha mae e minha mae n aguentava mas ele entao ajente sofreu muito ha se luciano tevesse um dea aqui na minha casa pra nos ajuda eu agradessia muito a produçao e aele e a deus

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Abstinência e dependência quimica

"Uma concepção errada que prevalece tanto na profissão médica como no público leigo é que o tratamento da dependência química invariavelmente fracassa.

Nada mais longe da verdade, o tratamento da abstinência é eficaz e seguro, embora a melhora seja variável...

...já é ponto pacífico que o melhor tratamento é uma combinação de terapias medicamentosas e psicossociais, aplicadas as duas em doses otimizadas" >> Continuar...


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