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RESUMO: Em nossa sociedade moderna, o doente toxicômano é frequentemente dividido pelo dualismo obsessivo de nosso sistema de pensamento e de tratamento (dualidade psicossomática) que pretende confiscar-lhe o gozo da « falta de juízo ». Diante deste discurso, as sociedades tradicionais propõem uma outra concepção mais totalizante do sujeito-sofredor. Corpo, espírito e espiritualidade constituem um todo.

Através a apresentação sumária de um dispositivo original de tratamento da toxicomaniaUm termo de origem francesa para designar a dependência de drogas. baseadoUm termo genérico usado para denotar os vários preparados da planta de maconha (cânhamo), Cannabis sativa. Isso inclui a folha de maconha ou diamba (com variada sinonímia de gíria), o cânhamo-da-índia ou haxixe (derivado da resina dos extremos floridos da planta) e o óleo de haxixe.Na Convenção Única de Narcóticos e Drogas de 1961, a maconha foi definida como “as extremidades floridas ou frutificadas da planta de cannabis (excluindo as sementes e as folhas sem aquelas extremidades) das quais a resina não foi extraída”, enquanto que a resina da cânabis é “a resina bruta ou purificada, extraída da planta da cannabis”. As definições são baseadas na terminologia tradicional indiana como ganja (= cânabis) e charas (= resina). Um terceiro termo indiano, o bhang se refere às folhas. O óleo de cânabis (óleo de haxixe, cânabis líquida ou haxixe líquido) é um concentrado de cânabis obtido pela extração geralmente através de um óleo vegetal.O termo marijuana é de origem mexicana. Originalmente um termo usado para o tabaco barato (ocasionalmente misturado com cânabis), tornou-se um termo genérico para as folhas de cânabis ou a cânabis em geral, em muitos países. O haxixe, inicialmente um termo utilizado para a cânabis nas áreas do Mediterrâneo oriental, é hoje utilizada para a resina da cânabis.A cânabis contém pelo menos 60 canabinóides, muitos dos quais biologicamente ativos. O componente mais ativo é o delta 9-tetrahidro­canabinol (THC), o qual pode ser detectado na urina várias semanas após seu uso (geralmente após ter sido fumado), bem como seus metabólitos.A intoxicação pela cânabis produz sensação de euforia, leveza dos membros e geralmente retração social. Prejudica a capacidade para dirigir veículos bem como para executar outras atividades complexas que requerem habilidade; prejudica a memória imediata, o nível de atenção, o tempo de reação, a capacidade de aprendizado, a coordenação motora, a percepção de profundidade, a visão peri­férica, a percepção do tempo (a pessoa geralmente tem a sensação de passagem mais lenta do tempo) e a detecção de sinais. Outros sinais de intoxicação podem incluir ansiedade excessiva, desconfiança ou idéias paranóides em alguns e euforia ou apatia em outros, juízo crítico prejudicado, irritação conjuntival, aumento de apetite, boca seca e taquicardia. A cânabis às vezes é consumida com álcool, o que aumenta os efeitos psicomotores.Há registros de que, em casos de esquizofrenia, o uso da cânabis pode precipitar recaídas. Estados de ansiedade e de pânico agudos, e estados delirantes foram também relatados na intoxicação por cânabis; estes geralmente regridem em alguns dias. Os canabinóides são às vezes usados terapeuticamente para glaucoma e para as náuseas em tratamentos quimioterápicos do câncer.Os transtornos por uso de canabinóides estão incluídos nos transtornos por uso de substância psicoativa na CID-10 (classifi­cados em F12)Sinonímia: ceruma; diamba; erva; fumo; liamba; maconha; suruma; marihuana; marijuana.Veja também:síndrome nolitiva. em uma aliança entre a medicina moderna e a medicina tradicional dos curandeiros amerindianos da região do Altiplano peruano, o autor se interroga sobre o caráter « sagrado » ou transcendente da conduta toxicomaníaca e tenta dezenhar os contornos de uma prática institucional e clínicaClínica médica, no Brasil, também conhecida como Medicina Interna e Clínica geral, é a especialidade médica que trata de pacientes adultos, atuando principalmente em ambiente hospitalar. Inclui o estudo das doenças de adultos, não cirúrgicas, não obstétricas e não ginecológicas, sendo a especialidade médica a partir da qual se diferenciaram todas as outras como Cardiologia e Pneumologia.No Brasil, o especialista em Clínica médica deve cumprir, além do curso de Medicina, dois anos de Residência médica.Em Portugal, trata-se de um termo actualmente a cair em desuso. Em sua substituição, surgiu a Especialidade de Medicina Geral e Familiar, mais abrangente e de natureza diferente.

  1. Clínica
  2. Angiologia
  3. Cardiologia
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  5. Endocrinologia
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  7. Geriatria
  8. Hematologia
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  10. Nefrologia
  11. Neurologia
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  13. Pneumologia
  14. Psiquiatria
  15. Reumatologia
que leve em conta esta dimensão.

Palavras-chaves: toxicomania - sagrado- transcendência - medicina tradicional - instituição.

"O desconhecido encontra-se nasVeja teor alcoólico no sangue. fronteiras das ciências, onde os professores devoram-se entre eles, como disse (...) É geralmente nestes domínios mal separados que residem os problemas urgentes ...É neles que devemos penetrar...primeiro porque sabemos que não sabemos, e porque possuimos o senso da quantidade dos fatos ",
Marcel Mauss.

"Os alucinógenos não encerram uma mensagem natural cuja noção própria aparecesse contraditória : são desencadeadores e amplificadores dum discurso latente que cada cultura possui em reserva e cuja elaboração vai ser possivel ou facilitada atravès das drogasUm termo de uso variado. Em medicina, refere-se a qualquer substância com o potencial de prevenir ou curar doenças ou aumentar o bem estar físico ou mental; em farmacologia, refere-se a qualquer agente químico que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos. Portanto, droga é uma substância que é, ou pode ser, incluída numa farmacopéia. Na linguagem comum, o termo se refere especificamente a drogas psicoativas e em geral ainda mais especificamente às drogas ilícitas, as quais têm um uso não médico além de qualquer uso médico. As classificações profissionais (por exemplo: “álcool e outras drogas”) normalmente procuram indicar que a cafeína, o tabaco, o álcool e outras substâncias de uso habi­tual não médico sejam também enquadradas como drogas, na medida em que elas são consumidas, pelo menos em parte, por seus efeitos psicoativos."
Claude Levi-Strauss

LIMINAR

O que caracteriza (entre entre outras coisas) o mundo que nos cerca (Ferry, 1996), é precisamente que existimos segundo um projeto no qual as Ações nele ralizadas (todas as atividades exercidas nas coisas e nas pessoas que constituem a conduta da vida) têm uma certa significação. Contudo a questão do senso destes projetos que dão senso, escápa-nos, ultrapássa-nos. Com efeito, refletir sobre o senso, é refletir sobre a Vida, a própria existência, por conseguinte é interrogar-se sobre a questão da transcendência. Dito de outra forma, para retomarmos a linguagem da fenomenologia, « a transcendência dentro da própria imanência »: eu tenho em mim (imanência) o sentimento constringente do « fora de sí». O senso da vida está assim estreitamente ligado à noção de sagrado na medida em que ele contém os valores mais profundos da existência como a vida e a morte. A existência humana, tirado o seu sentido, só pode perder-se nos meandros da psicopatologia. O toxicômano teria perdido a dimensão do sagrado? Ele teria renunciado à existência?

« MODIFICAÇÕES » DO QUADRO DO PENSAMENTO

Na nossa sociedade atual, o doente toxicômano é frequentemente « retalhado »pela dualidade obsessiva de nosso sistema de pensamento e de tratamentos (dualismo psicossomático) que pretende - devemos reconhecer- confiscar-lhe o gozo da autodestruição ou do« desarrazoar ». Quando ele ultrapassa com estrépido a barreira do « senso comun » ou da « réalidade comum », é frequentemente para escapar a uma existência sem projeto, a um presente angustiante, perdido no azáfama cotidiano.

A droga viria modificar os estados da consciência, abrir a porta aos espaços psíquicos vividos como dilatados, ao mergulho « trans-pessoal » (« estados não ordinários da consciência » segundo Grof, 1996) geralmente incontrolados e perigosos. O doente toxicômano é então atingido na sua própria sagração, ele é de « maneira anormal encadeado no fundo dele mesmo » (Palem, 1997). O que ele encontrou nisso, quando o acolhemos, é bastante contraditório porque o tratamento que lhe propomos, mesmo que seja o mais « acolhedor », só faz « cortar» a parte da « razão» que é a dele na medida em que seu mal é uma «contradição» (Hegel) no meio da razão. E, sobretudo, ele nega, negligencia a experiência espiritual ou o trabalho de iniciação que o produto permite. Um poeta do Século XIX, Gérard de Nerval, mostrou-nos esta extraordinária contradição :

« Eu vou tentar ...transcrever as impressões de uma longa doença que se desenrolou inteiramente nos mistérios de meu espírito ; e eu não sei porque me sirvo deste termo doença, porque nunca, no que me diz respeito, sentí-me tão bem. As vezes, eu pensava que a minha força e a minha atividade duplicavam ; parecia-me tudo saber, tudo compreender ; a imaginação trazía-me delícias infinitas. Ao recobrar o que os homens chamam razão, devo lastimar tê-la perdida ?» (p.695). E mais adiante: « A partir do momento em que este ponto me deu a certeza de que eu estava submisso às provas da iniciação sagrada, uma força invisível entrou no meu espírito ».

Esta indução de novas percepções se pratica geralmente de maneira solitária e anárquica (em particular nos usos quotidianos de drogasDrogas),nos pseudo-rituais (« iniciações selvagens » realizadas dentro de espaços profanos »), como se o doente toxicômano viajando « sem nenhum mapa » nem ponto de orientação, se entrincheirasse no esquecimento: primeiro o esquecimento de si mesmo porque ele está inteiramente dentro do « mundo-outro », segundo a fórmula sugerida por Perrin (1992) ; em seguida ele esquece o Tempo (« tempo do mundo »que torna viável a possibilidade « de ser » mas também a experiência da alteridade ). Num tal momento de « esquecimento », é fora de questão que o doente toxicômano possa se realizar (é impossível para ele abrir o tempo onde pudesse estar presente em seu passado e em seu futuro) e se compreender, isto é dar sentido, existir num projeto de mundo. Em seguida ele esquece que participa ao concerto do Universo, ao jogo do divino, ao Mistério da vida e que ao pretender ter acesso à exaltação divina sem nenhuma preparação, - sabemos que o doente experimenta com a droga um novo estado mentalSaúde mental é um termo usado para descrever um nível de qualidade de vida cognição ou emoção ou a ausência de uma doença mental. Na perspectiva da psicologia positiva ou do holismo, a saúde mental pode incluir a capacidade de um indivíduo de apreciar a vida e procurar um equilíbrio entre as actividades e os esforços para atingir a resiliência psicológica. A Organização Mundial de Saúde afirma que não existe definição"oficial"de saúde mental. Diferenças culturais, julgamentos subjectivos, e teorias relacionadas concorrentes afectam o modo como a"saúde mental"é definida. http://www.who.int/whr/2001/chapter1/en/index.html, World Health Organization, 2001 qualificado de « numineux » (do latim « numen », « divino ») dotado de um caráter sagrado, mistura de sentimentos ao mesmo tempo de fascinação (fascinans) e de terror (tremendum) - , ele risca de seguir o destino de Prometeu (personagem da mitologia grega, aquele que rouba o fogo celeste e deve pagá-lo, preso em um rochedo, o fígado devorado por uma águia ). Esquecimento pois da sensação traumática do ritual, de um desejo de divino que não procurasse talvez ser reconhecido mas reconhecer.

UM EXEMPLO DO SABER TERAPÊUTICO TRADICIOANAL AO SERVIÇO DO DOENTE TOXICÔMANO

Tratar-se-ia para o doente toxicômano em busca de sensações fortes de atingir uma verdade e um gozo mais além do humano (dimensão espiritual da existência), nos limites da vida e da morte. Segundo a perspectiva aqui adotada, a abolição dos limites entre a vida e a morte, a ordália são procuradas pelo sujeito que se confronta à morte para sustentar o seu desejo até o extremo limite. A funcionalidade adicta procuraria obter neste caso, de maneira paradoxal, uma tentativa de adaptação do sujeito ao mundo que o cerca, à manutenção do sentimento de identidade. Do ponto de vista fenomenológico, este comportamento, similar aos modos de ser sagrados do homem das sociedades « tradicionais » (Eliade, 1965) é observado em alguns aspectos dentro de nossa sociedade moderna. Para limitarmo-nos aqui a um único exemplo : a cultura da rave ou do transe por meio do uso intensivo de alucinógenos. Estas noites coletivas de espírito tribal, misturadas com aspectos rituais e de iniciação (Sueur, 1999 ; Vitebsky, 2001), utilizam procedimentos que modificam a consciência do adepto, permitindo-lhe viver experiências psíquicas pouco comuns, as vezes violentas e fulgurantes ligadas estreitamente à música. Com efeito, a música «tecnológica », com as suas luzes intermitentes, seus rítmos repetitivos, seus sons fortes e contínuos, permite uma efervescência, favorece uma comunhão com o sagrado isto é a sensação de estar em presença do « numen », com a natureza, o cosmos : « Eu volto em direção da luz dos potentes estroboscópios. O que foi que houve ? Em algumas dezenas de minutos , mais de duzentos rapazes (...)Eles estão vestidos, eles como algumas delas, com uma farda disfarçada de tipo militar , capotes com capucho de cor cáqui com largas « baggies », cujos modelos inspiram-se das calças dos mineiros ingleses. O crâneo raspado ou então bem penteado com longos cabelos trançados, eles dedicam-se uma dansa pessoal, uniforme, robotizada pelas litanias desta música hardcore, a qual, como o martelamento das pancadas africanas, conduzem-nos para o transe a mais de duzentas pancadas por minuto. Como nas cerimônias rituais, as drogas participam desta busca psicodélica. Lícita, ilícita, que importa a norma ... (...). Cada um rumina seu mundo, natural ou sintético, tenta abrir as portas das percepções prezadas pelo deus da alquimia, pelo pai do LSDVeja alucinógeno., Sir Timothy Leary, e sonha sem porvir » (Colombié, 2001).

O transe (...) provoca um estado libertador. Você encontra-se num espaço de inspiração e de liberdade, tem a impressão de abandonar seu corpo. Apos todas essas experiências psicodélicas, eu sei que, em algum recanto do meu ser, existe um profundo desejo de reencontrar os estados paleolíticos que jà eram fontes de experiências hà milhões de anos. Devemos às plantas psicodélicas ter reunido a humanidade desenvolvendo um senso agudo do laço que une o homem ao planeta », Passagem (citada por Vitebsky) de uma entrevista do grupo The Shamen publicada em Actuel, janeiro-fevereiro 1993).

Mas o candidato ao transe ou às viagens interiores é frequentemente bloqueado, incapaz de gerar a experiência psicodélica (ou extática). Ora, esta « experiência limite » resta uma experiência sagrada (experiência « holotrópica »), carregada de « senso », reservada aos verdadeiros iniciados porque ela não tem nada de humano. Existe pois um lugar restrito e impressionante entre as observações resultantes da clínica do doente toxicômano e as descrições antropológicas dos ritos mágico-religiosos tradicionais. A ação psicoterápica ocidental deve ser doravante - para os que aceitam-na- repensada. O acompanhamento do doente toxicômano em seu trabalho de reconciliação (com si-próprio, o mundo e o Tempo) necessita da parte do terapeuta, uma rutura epistemológica com o seu « dispositivo técnico » e sua maneira de pensar (dispositivo que não é tão moderno como parece (Nathan, 1993 ; Ducousso-Lacaze, 2001), ou como um outro referencial clínico (ou conceitual) e terapêutico. Neste contexto, o terapeuta, acaparado pela necessidade de dar sentido, não pode deixar de se referir às«técnicas ancestrais » tradicionais que propõem ao doente toxicômano pelo contrário, o desafio duma verdadeira iniciação, um método empírico suscetivel de lhe dar acesso ao sentido profundo de sua existência transcendente « suas próprias concepções existenciais».

DO ESPAÇO PROFANO AO ESPAÇO SAGRADO »

Basta-nos aqui referirmo-nos infelizmente de maneira muito breve- a um dispositivo terapêutico original que propõe através de uma aliança entre a medicina moderna e a medicina tradicional, alternativas para o tratamento do doente toxicômano: refíro-me ao centro de reabilitaçãoNo campo relacionado ao uso de substâncias psicoativas, o processo através do qual um indivíduo com um transtorno por uso de uma dessas substâncias atinge seu máximo possível estado satisfa­tório de saúde, de funcionamento psicológico e bem-estar social [A Organização Mundial da Saúde define a reabilitação psicossocial como “um processo que facilita aos indivíduos deficientes, incapacitados ou inválidos a oportunidade de atingirem seu nível máximo de funcionamento independente em suas comunidades. Isso implica tanto a melhoria das capacidades individuais como a introdução de modificações ambientais a fim de proporcionar a melhor qualidade de vida possível aos indivíduo que tenham sofrido de uma doença mental, ou que tenham alguma deficiência de suas capacidades mentais que resulta em qualquer grau de incapacidade.” (WHO. Psychosocial rehabilitation: a consensus statement.Doc.: WHO/MNH/MND/96.2, Geneva, WHO, 1996)].A reabilitação segue uma fase inicial de tratamento (que pode implicar desintoxicação e tratamentos médicos e psiquiátricos). Compreende uma ampla variedade de abordagens, que incluem terapia de grupo, terapias comportamentais específicas para prevenir a recaída, partici­pação em grupos de ajuda mútua , residência em uma comunidade terapêutica ou em uma pensão protegida, treinamento vocacional e emprego protegido. A expectativa é a de uma reintegração social na comunidade em geral. para doentes toxicômanos e de pesquisas sobre as medicinas tradicionais, o centro « Takiwasi »[1] («a casa que canta » em quechua) (Mabit, 1988) instalada em Tarapoto, na alta Amazônia peruana. Seu quadro de referência técnico-terapêutico repousa nas tradições do curandeirismo centradas num ritual cosmogônico. A base mesma do edifício terapêutico é representada pela utilização de uma planta, l'ayahuasca (Banisteriopsis caapi, classe natural das -carbolinas), liana com efeito psicotrópicoNo seu sentido mais geral, é um termo com o mesmo signifi­cado de “psicoativo”, ou seja, que afeta processos mentais. Em termos estritos, droga psicotrópica é qualquer agente químico com ação primária ou mais significativa no Sistema Nervoso Central. Alguns autores aplicam o termo a drogas de uso primário no tratamento de transtornos mentais, como sedativos ansiolíticos, antidepressivos, agentes antimaníacos e neurolépticos. Outros usam o termo para se referir a substâncias com alto risco de abuso, devido a seus efeitos no humor, na consciência ou em ambos, tais como estimulantes, aluci­nógenos, opióides, sedativos/hipnóticos ( incluindo o álcool ) etc.No contexto do controle internacional de drogas, “substân­cias psicotrópicas” dizem respeito a substâncias controladas pela Convenção de Substâncias Psicótropicas de 1971 (veja convenções internacionais sobre drogas). Esta « liana dos mortos » preparada em poção, permite ao doente toxicômano, o acesso ao « mundo-outro » isto é à experiência de um outro tipo de comunicação como o que o cerca, homens, animais, vegetação e mais além consigo mesmo, por uma ampliação geral das percepções (alucinações visuais , olfativas, auditivas,estéticas visuais, (percepções de contactos no corpo por exemplo) ou ainda cruzadas ( um som pode ser visto como um odor )) sem criação de uma conduta aditiva ou de dependência(F1x.2)Em termos gerais, o estado de necessidade ou dependência de alguma coisa ou alguém para apoio, funcionamento ou sobrevivência. Quando aplicado ao álcool e outras drogas, o termo implica a neces­sidade de repetidas doses da droga para sentir-se bem ou para evitar sensações ruins. No DSM-IIIR, a dependência é definida como “um conjunto de sintomas cognitivos, comportamentais e psicológicos que indicam que uma pessoa tem o controle do uso da substância psico­ativa prejudicado e persiste nesse uso a despeito de conseqüências adversas”. Equivale aproximadamente à síndrome de dependência da CID-10. No contexto da CID-10, o termo dependência refere-se de maneira geral a qualquer dos elementos da síndrome. O termo é freqüentemente usado como equivalente de adicção e de alcoo­lismo.Em 1964 uma Comissão de Peritos da OMS introduziu “depen­dência” em substituição a adicção e hábito10. O termo pode ser usado de maneira genérica em relação a todas as drogas psicoativas (depen­dência de drogas, dependência química, dependência do uso de subs­tância), ou referir-se especificamente a uma droga em particular ou a uma classe de drogas (p.ex., dependência de álcool, dependência de opióide). Embora a CID-10 descreva dependência em termos aplicá­veis a todas as classes de drogas, há diferenças entre os sintomas de dependência característicos das diferentes drogas.De forma não qualificada, dependência refere-se a ambos os elementos físicos e psicológicos. A dependência psicológica ou psíquica refere-se à vivência de controle prejudicado sobre o beber ou o uso da droga (veja craving, compulsão), ao passo que a depen­dência fisiológica ou física refere-se à tolerância e aos sintomas de abstinência (veja também neuro-adaptação). Em discussões de orien­tação biológica, dependência é freqüentemente usada com referência à dependência física apenas.Ainda no contexto psicofarmacológico, emprega-se também dependência ou dependência física num sentido mais limitado para referir-se exclusivamente ao desenvolvimento de sintomas de absti­nência que seguem uma interrupção do uso de droga. Neste sentido restrito, a dependência cruzada é vista como complementar a tole­rância cruzada, e ambas definições referem-se somente à sintomato­logia física (neuroadaptação). nem tão pouco de estado comatoso. O tratamento do doente toxicômano passa de maneira tradicional por duas fases: a primeira fase é aquela da « desintoxicaçãoO processo pelo qual um indivíduo é afastado dos efeitos de uma substância psicoativa.Como um procedimento clínico, é o processo de afastamento da substância realizado de maneira segura e efetiva, de tal forma que os sintomas da abstinência são minimizados. O serviço no qual esse processo se dá é denominado de unidade ou centro de desintoxi­cação.Tipicamente, o indivíduo está clinicamente intoxicado ou já em abstinência no início da desintoxicação. A desintoxicação pode ou não envolver o uso de medicamentos. Quando os usa, o medicamento em geral é uma droga que apresenta tolerância cruzada e dependência cruzada em relação à(s) substância(s) usada(s) pelo paciente. A dose é calculada para aliviar a síndrome de abstinência sem induzir intoxicação e é gradualmente diminuída à medida que o paciente se recupera.A desintoxicação como um procedimento clínico implica que o indivíduo seja supervisionado até recuperar-se completamente da into­xicação ou da síndrome de abstinência física. O termo “autodesintoxi­cação” é usado algumas vezes para denotar a recuperação não assis­tida de um episódio de intoxicação ou de sintomas da abstinência. física ». O sujeito é então isolado inteiramente e durante cinco a dez dias, administra-se nele uma preparação vegetal vomitiva (Huancahui Sacha et Yawar Panga) afim de reduzir a síndrome de desmame (ritual de purificação). Esta difícil etapa leva a uma segunda fase, fase mais lenta de « desintoxicação psíquica». Os terapeutas são eles mesmos iniciados, constituidos, principalmente, por um curandeiro étnico-botânico (« curandero »), de três assistentes terapeutas indígenas, de um médico para a parte biomédica e de um segundo para a parte psicológica e étnico-médica vão se « situar» como partenários existenciais junto aos doentes toxicômanos ( a ayahuasca é antes de tudo uma experiência comunitária ) e interagir em níveis distintos pela utilização de plantas por seus efeitos psicotrópicos (elas induzem uma auto-análise por meio de estados de relaxação, de remmemoração de lembranças antigas surgindo no decurso dos sonhos noturnos ou acordados) ; um contexto de dinâmica de grupo pela utilização de técnicas modernas como o sociodrama, a expressão corporal,a musicoterapia, a ergoterapia etc. ; e um trabalho de psicologia (psicoterapias individuais) mas sempre numa relação de respeito com o universo da floresta ( a floresta representa para os indígenas, um cosmos sacramentado, um universo vivo onde todas as plantas possuem um espírito, uma alma, uma mãe, (madre) que os anima).

REFERÊNCIAS :

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  3. Chiappe. M. El empleo de hallucinogenos en la psiquiatriaPsiquiatria é uma especialidade da Medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças mentais em humanos, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, tais como depressão, doença bipolar, esquizofrenia e transtornos de ansiedade.A meta principal é o alívio do sofrimento psíquico e o bem-estar psíquico. Para isso, é necessária uma avaliação completa do doente, com perspectivas biológica, psicológica, sociológica e outras áreas afins.Uma doença ou problema psíquico pode ser tratado através de medicamentos ou várias formas de psicoterapia.A avaliação psiquiátrica envolve o exame do estado mental e a história clínica. Testes psicológicos, neurológicos e exames de imagem podem ser utilizados na avaliação, assim como exames físicos. Os procedimentos diagnósticos variam mas os critérios oficiais estão descritos em manuais como a CID-10 da Organização Mundial de Saúde e o DSM-IV da American Psychiatric Association. folkorica. Boletin de la Oficina Sanitaria Panamericana 1976 ; 81 ; 2 : 17 6-186.
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Autor

Par M. Singaïny Erick J-Daniel
Psychologue clinicien
Service d'addictologie du Groupe Hospitalier Sud Réunion BP 350
97448 Saint-Pierre Cedex

Tradução : Eliezer de HOLLANDA CORDEIRO

Obtido em: pagina http://www.polbr.med.br/ano05/fran0505.php#3


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...já é ponto pacífico que o melhor tratamento é uma combinação de terapias medicamentosas e psicossociais, aplicadas as duas em doses otimizadas" >> Continuar...


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