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Adolescentes: Geração em perigo
Enviado por Daniel em qua, 12/05/2007 - 05:22.
Pode-se dizer que a adolescência é uma fase complexa e turbulenta. Nos deparamos com uma imensa gama de incertezas, inseguranças, mudanças de conceitos, mudanças físicas, mental e muitas vezes social. Isso tudo adicionado a cobranças da família, que exige uma determinada postura, além das influências do meio externo.
É necessário que o jovem seja levado a sério. Sabemos que todos nós temos pontos negativos e positivos, qualidades e defeitos. Tudo isso é absorvido pelo jovem de muitas formas, de acordo com a estrutura psíquica de cada um. Tal estrutura, está ainda em formação e organização sujeita a conflitos e instabilidades. Os estímulos externos são responsáveis pelas modificações, danos e ganhos para essa estrutura.
Sendo assim, podemos falar de uma doença que vem assombrando famílias e destruindo vidas promissoras. A depressão tem se manifestado em jovens com efeitos devastadores. Especialistas acreditam que essa doença pode ser a causa básica de distúrbios alimentares, doenças psicossomáticas, transtornos de aprendizagem e do abuso de drogas.
Segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA jovens gravemente deprimidos têm grande tendência ao suicídio. Muitas mortes consideradas acidentais podem ter sido suicídio. Não tratar os conflitos e sintomas dos adolescentes é brincar com o perigo. Essa negligência tem colocado toda uma geração em risco. O adolescente enfrenta pressões bem mais intensas do que os pais imaginam.
Desde o início do século XX , é notório que as sucessivas gerações vivem em maior risco que seus antecessores de sofrer uma grande depressão. Não só a famosa tristeza, mas uma apatia paralisante, desânimo, transferência da dor psíquica para o corpo e conseqüentemente, pena de si mesmo. Episódios como estes vêm iniciando em idades cada vez mais baixas.
Escreve a médica psiquiatra Dra. Katleen Mc Coy em seu livro -- Entenda a depressão do seu filho adolescente: ''Os adolescentes hoje sentem-se menos seguros, menos confiantes e menos esperançosos do que nos sentíamos uma geração atrás''.
Mas afinal quais são os sintomas? Quais as causas? Como fazer para ajudar os adolescentes deprimidos?
De fato nem sempre é fácil reconhecer os indícios da depressão. Todo jovem passa por momentos tristes, dorme horas a mais que adultos e apresenta o que os pais costumam chamar de ''preguiça''. Atenção!!!
A tristeza é uma emoção normal e saudável; a depressão é doença. O desafio é entender e reconhecer a diferença. O grau de intensidade das aflições e a duração dos sentimentos negativos é que irão apontar a existência ou não da doença.
O Dr. Andrew Slaby -- psiquiatra e cientista -- descrevem a doença da seguinte maneira: ''Imagine a pior dor física que você já sentiu , dor de dente ou queimadura, multiplique por dez e retire a causa: talvez se aproxime da dor causada pela depressão".
O jovem que não demonstra sinais de se consolar ou de voltar à rotina uma semana após a ocorrência de tristeza, independente da razão, ou seis meses depois de grande perda pessoal, pode desenvolver um distúrbio depressivo. Não é um critério para diagnóstico, porém merece atenção dos familiares. Além disso existem os sintomas mais clássicos: isolamento, distúrbio do sono, falta de apetite, comportamento autodestrutivo, queda no rendimento escolar, entre outros.
Em geral, a depressão não é causada por um único fator, mas por uma combinação de fatores estressantes. As mudanças físicas e emocionais resultantes da puberdade geram insegurança e medo. Rejeição pelos colegas da escola, as primeiras experiências românticas, mudança de escola, cidade ou país. Divórcio ou atitude dos pais também entram como causas mais comuns desencadeantes de episódios depressivos.
É comprovado cientificamente que componentes genéticos ou hereditários são facilitadores da manifestação da doença. Assim como transtornos neurológicos ou desequilíbrio bioquímico. Adolescentes com déficit de aprendizagem tendem a uma baixa auto-estima quando não conseguem acompanhar os colegas e podem deprimir.
São inúmeras as combinações de causas da doença. Está claro que jovem deprimido precisa de ajuda. Porém estes não conseguem sozinhos. Primeiro, um adulto deve reconhecer o problema e levá-lo a sério. Essa é a parte mais difícil. Muitas vezes os próprios pais ou o responsável precisam de orientação e tratamento. A melhor forma de ajudar ainda é o diálogo entre pais e filhos. Ouvir o que ele está sentindo, qual a real motivação dessa ''dor'' tão difícil de ser descrita mas que naquele momento passa pela perda ou falta de algo muito importante. Se o apoio da família não for suficiente para contornar a doença, deve-se recorrer a um profissional da saúde para cuidar do caso adequadamente.
Nos dias de hoje não podemos nos dar ao luxo de ter preconceitos ou optar por ignorar o problema. Doenças psiquiátricas são cada vez mais comuns entre a população e evoluem quando não tratadas.
Autor
Luciano Soares Rodrigues da Cunha Ratto - Psicólogo da Casa de Saúde Saint Roman
Rua Almirante Alexandrino, 1342 / 1368 - Santa Teresa - Rio de Janeiro - Telefone: (21) 3861-8100
Artigo publicado na página www.saintroman.com.br/perguntas/geraçãoemperigo.htm
Site sobre adolescência - www.adolec.br
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