Resumo: O presente trabalho discute a inserção do profissional de Psicologia no trabalho preventivo ao uso de álcoolNa terminologia química, os álcoois constituem um numeroso grupo de compostos orgânicos derivados de hidrocarbonetos que contém um ou mais grupos hidroxila (-OH). O etanol (ou álcool etílico, C2H5OH) é um dos membros dessa classe de compostos, e é o principal ingrediente psicoativo das bebidas alcoólicas. Por extensão, o termo “álcool” também é usado para referir-se a bebidas alcoólicas.O etanol resulta da fermentação de açúcar produzida por lêvedos. Em condições normais, as bebidas produzidas por fermentação têm uma concentração de álcool que não ultrapassa 14%. Na produção de álcoois por destilação, ferve-se uma mistura fermentada e o etanol que se evapora é recolhido como um condensado quase puro. Além do seu uso para consumo humano, o etanol é também usado como combustível, como solvente e na manufatura química (veja álcool impróprio para o consumo humano).O álcool absoluto (etanol anidro) é o etanol contendo não mais do que 1% de água por massa. Nas estatísticas sobre produção ou consumo de álcool, o álcool absoluto refere-se ao conteúdo de álcool (como 100% de etanol) das bebidas alcoólicas.Do ponto de vista químico, o metanol (CH3OH), também conhecido como álcool metílico e álcool de madeira (ou de amido), é o mais simples dos álcoois. É usado como um solvente industrial e também como um adulterador para desnaturar o etanol e torná-lo impróprio para o consumo (bebidas metiladas). O metanol é altamente tóxico; dependendo da quantidade consumida, pode produzir turvação da visão, cegueira, coma e morte.Outros álcoois impróprios para o consumo, com efeitos potencialmente nocivos, são consumidos ocasionalmente, como, p.ex., o isopropanol (álcool isopropílico, freqüente em desinfetantes) e etilenoglicol (usado como anticongelante em automóveis).O álcool é um sedativo/hipnótico com efeitos semelhantes aos dos barbitúricos. Além dos efeitos sociais do uso, a intoxicação pelo álcool pode resultar em envenenamento e até morte; o uso excessivo e prolongado pode resultar em dependência ou numa ampla variedade de transtornos mentais orgânicos e físicos.Os transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de álcool (F10) são classificados como transtornos decorrentes do uso de substância psicoativa na CID-10 (F10-F19).Veja também:cardiopatia alcoólica; cirrose alcoólica; dano cerebral associado ao álcool; delirium; encefalopatia de Wernicke; escorbuto; fígado gorduroso alcólico; gastrite alcoólica; hepatite alcoólica; miopatia relacionada com álcool ou drogas; neuropatia periférica; pancreatite alcoólica; pelagra; pseudo-síndrome de Cushing; síndrome amnésica induzida por álcool ou droga; síndrome de deficiência de tiamina; síndrome fetal alcoólica. e outras drogasUm termo de uso variado. Em medicina, refere-se a qualquer substância com o potencial de prevenir ou curar doenças ou aumentar o bem estar físico ou mental; em farmacologia, refere-se a qualquer agente químico que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos. Portanto, droga é uma substância que é, ou pode ser, incluída numa farmacopéia. Na linguagem comum, o termo se refere especificamente a drogas psicoativas e em geral ainda mais especificamente às drogas ilícitas, as quais têm um uso não médico além de qualquer uso médico. As classificações profissionais (por exemplo: “álcool e outras drogas”) normalmente procuram indicar que a cafeína, o tabaco, o álcool e outras substâncias de uso habitual não médico sejam também enquadradas como drogas, na medida em que elas são consumidas, pelo menos em parte, por seus efeitos psicoativos.. Analisa os dados epidemiológicos disponíveis sobre o consumo de drogasDrogas no Brasil, que caracterizam o uso abusivo de álcool como um grave problema de saúde pública em nosso país. Mostra que, como em outras parcelas da população, o consumo de álcool e drogas por universitários demanda o desenvolvimento de trabalhos preventivos específicos, descreve uma oficina de redução dos riscos associados ao abusoabuso (de drogas, de álcool, de substâncias, de produtos químicos ou de substâncias psicoativas)Um grupo de termos muito utilizado embora com significados variáveis. Na 3a. edição revista do Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação Psiquiátrica Norte-Americana (DSM-III-R), “abuso de substância psicoativa” é definido como “padrão desajustado de uso indicado pela continuação desse uso apesar do reconhecimento da existência de um problema social, ocupacional, psicológico ou físico, persistente ou recorrente, que é causado ou exacerbado pelo uso recorrente em situações nas quais ele é fisicamente arriscado”. Trata-se de uma categoria residual, ao qual é preferível o diagnóstico de dependência, quando for o caso. O termo “abuso” é algumas vezes utilizado de forma desaprovativa para designar qualquer tipo de uso, particularmente o de drogas ilícitas. Devido à sua ambigüidade, o termo não é usado na 10a. revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) (exceto no caso de substâncias que não produzem dependência; veja mais adiante); uso nocivo e uso arriscado são os termos equivalentes na terminologia da OMS, embora eles geralmente digam respeito apenas aos efeitos físicos e não às conseqüências sociais. O emprego de “abuso” também é desestimulado pelo Escritório de Prevenção do Abuso de Substâncias dos EUA, embora expressões como “abuso de substâncias” sigam sendo amplamente utilizadas na América do Norte, para se referir, de modo geral, aos problemas do uso de substâncias psicoativas.Em outros contextos, o abuso já indicou padrões de uso não-médico ou não aprovado, independentemente das conseqüências. Assim, a definição publicada em l969 pela Comissão de Peritos da OMS em Dependência de Drogas foi “uso excessivo de droga, persistente ou esporádico, inconsistente ou sem relação com a prática médica aceitável” (veja uso indevido de álcool ou droga). de álcool por universitários e discute ainda os pressupostos das estratégias preventivas de redução de danosNo contexto de álcool ou outras drogas, refere-se a políticas ou programas que enfocam diretamente a redução dos danos resultantes do uso do álcool ou de drogas. O termo é usado particularmente em políticas ou programas que buscam reduzir os danos sem necessariamente afetar o uso subjacente da droga; como exemplos podem-se citar a troca de agulhas/seringas para evitar a partilha de agulhas entre usuários de heroína e a inclusão de bolsas de ar auto-infláveis em automóveis para reduzir os danos em acidentes (especialmente como resultado de dirigir alcoolizado). As estratégias de redução de danos,portanto, abrangem um espectro mais amplo do que a simples dicotomia redução da oferta/redução da procura.Sinonímia: minimização de danos.. Finalmente, salienta a importância da inserção do psicólogo nesse trabalho e de sua capacitação, não somente no que diz respeito à prática clínicaClínica médica, no Brasil, também conhecida como Medicina Interna e Clínica geral, é a especialidade médica que trata de pacientes adultos, atuando principalmente em ambiente hospitalar. Inclui o estudo das doenças de adultos, não cirúrgicas, não obstétricas e não ginecológicas, sendo a especialidade médica a partir da qual se diferenciaram todas as outras como Cardiologia e Pneumologia.No Brasil, o especialista em Clínica médica deve cumprir, além do curso de Medicina, dois anos de Residência médica.Em Portugal, trata-se de um termo actualmente a cair em desuso. Em sua substituição, surgiu a Especialidade de Medicina Geral e Familiar, mais abrangente e de natureza diferente., mas também à sua atuação no desenvolvimento de trabalhos preventivos.
Palavras-Chave: Psicólogo, prevenção, alcoolismo
The insertion of the psychologist in preventive works on the abuse of alcohol and other drugs
Abstract: The present work discusses the insertion of the psychologist in preventive works on the abuse of alcohol and other drugs. Brazilian epidemiological data on drug consumption are analyzed and alcohol abuse is characterized as a serious problem of public health in our country. It is shows that, as in other population segments, university students' alcohol and other drugs abuse requires the development of specific preventive actions. A workshop to reduce the harms associated to alcohol abuse in university students is described and the fundamental basis of harm reduction strategies are stressed. Finally, the work emphasizes the importance of the psychologist's insertion in this area and the imperative need of technically capacitating psychologists, not only with respect to clinical practice, but also to develop preventive actions.
Key Words: Psychologist, prevention, alcoholism.
Drogas, por quê?
O tema fascina os jovens, angustia os pais e preocupa os educadores. Os meios de comunicação veiculam, diariamente, informações sobre o assunto, muitas vezes num tom dramático, de catástrofe iminente. A literatura científica enfatiza a importância de se enfrentar a questão do abuso de substâncias através de medidas de prevenção adequadas. Por que o uso de drogas vem, cada vez mais, apresentando-se como uma questão do nosso tempo?
O consumo de substâncias psicoativas existe desde os primórdios da história do homem, em praticamente todas as culturas conhecidas. Curiosidade, desejo de transcendência, busca da imortalidade, do prazer, da sabedoria, são alguns dos motivos que aparecem, desde sempre, associados ao desejo por alguma droga.
Drogas ou substâncias psicoativas1 "... são aquelas que modificam o estado de consciência do usuário. Os efeitos podem ir desde uma estimulação suave causada por uma xícara de café ou chá até os efeitos ...produzidos por alucinógenos tais como o LSDVeja alucinógeno...." (Seibel e Toscano Jr., 2001, p.1). Masur & Carlini (1989) definem drogas como substâncias que interferem com o funcionamento dos neurotransmissores, provocando alterações e distúrbios no comportamento.
Ao longo da história da humanidade, o uso de drogas insere-se em vários contextos. Desde o místico, associado aos rituais e à busca de transcendência, até o econômico, do qual a Guerra do Ópio e a economia paralela de países como a Colômbia são alguns exemplos (Totugui, 1988). Em nosso meio, praticamente todas as pessoas fazem uso de algum tipo de droga. Medicamentos, álcool e tabacoQualquer preparação das folhas da Nicotiana tabacum, uma planta nativa da América, Seu principal ingrediente psicoativo é a nicotina.Veja também:nicotina; fumar passivo. são drogas legalmente comercializadas. Cada cultura determina quais drogas devem ser consideradas legais e ilegais. Isso está mais relacionado a aspectos antropológicos e econômicos do que a morais ou éticos, ou mesmo aos efeitos ou características farmacológicas das substâncias em questão (Bucher, 1992).
O aumento verificado nos últimos anos no consumo de drogas dos países desenvolvidos é, sem dúvida, alarmante. Por um lado, o narcotráfico organizou-se de forma mais eficiente, expandindo a oferta de produtos; pelo outro, cresceu a demanda de psicotrópicos por uma parcela cada vez maior da população (Bucher, 1996).
A dimensão do problema no Brasil
Embora no Brasil o padrão de consumo de drogas não seja comparável ao que se verifica nos países desenvolvidos, sua evolução recente torna esse tema uma preocupação obrigatória dos profissionais da área de saúde.
O estudo mais amplo sobre o consumo de drogas no País (Carlini, Galduróz, Noto & Nappo, 2002) envolveu as 107 maiores cidades do Brasil (com mais de 200 mil habitantes). Foram entrevistadas 8.589 pessoas, com idades de 12 a 65 anos, de todas as classes sociais. Os objetivos desse estudo foram estimar a prevalência do uso e da dependência(F1x.2)Em termos gerais, o estado de necessidade ou dependência de alguma coisa ou alguém para apoio, funcionamento ou sobrevivência. Quando aplicado ao álcool e outras drogas, o termo implica a necessidade de repetidas doses da droga para sentir-se bem ou para evitar sensações ruins. No DSM-IIIR, a dependência é definida como “um conjunto de sintomas cognitivos, comportamentais e psicológicos que indicam que uma pessoa tem o controle do uso da substância psicoativa prejudicado e persiste nesse uso a despeito de conseqüências adversas”. Equivale aproximadamente à síndrome de dependência da CID-10. No contexto da CID-10, o termo dependência refere-se de maneira geral a qualquer dos elementos da síndrome. O termo é freqüentemente usado como equivalente de adicção e de alcoolismo.Em 1964 uma Comissão de Peritos da OMS introduziu “dependência” em substituição a adicção e hábito10. O termo pode ser usado de maneira genérica em relação a todas as drogas psicoativas (dependência de drogas, dependência química, dependência do uso de substância), ou referir-se especificamente a uma droga em particular ou a uma classe de drogas (p.ex., dependência de álcool, dependência de opióide). Embora a CID-10 descreva dependência em termos aplicáveis a todas as classes de drogas, há diferenças entre os sintomas de dependência característicos das diferentes drogas.De forma não qualificada, dependência refere-se a ambos os elementos físicos e psicológicos. A dependência psicológica ou psíquica refere-se à vivência de controle prejudicado sobre o beber ou o uso da droga (veja craving, compulsão), ao passo que a dependência fisiológica ou física refere-se à tolerância e aos sintomas de abstinência (veja também neuro-adaptação). Em discussões de orientação biológica, dependência é freqüentemente usada com referência à dependência física apenas.Ainda no contexto psicofarmacológico, emprega-se também dependência ou dependência física num sentido mais limitado para referir-se exclusivamente ao desenvolvimento de sintomas de abstinência que seguem uma interrupção do uso de droga. Neste sentido restrito, a dependência cruzada é vista como complementar a tolerância cruzada, e ambas definições referem-se somente à sintomatologia física (neuroadaptação). de drogas lícitas e ilícitas, além de avaliar a percepção da população sobre as drogas, a facilidade de obtê-las, seus efeitos e seus riscos.
Seus resultados retratam o comportamento dos brasileiros que moram nasVeja teor alcoólico no sangue. grandes cidades: para o álcool, o uso na vida2 foi relatado por 69% dos sujeitos pesquisados e a prevalência de dependentes foi estimada em 11%, maior nos homens (17%) do que nas mulheres (6%).
Em relação ao tabaco, o uso na vida é de 41%, e o número de dependentes chega a 9% da população. A maconhaUm termo genérico usado para denotar os vários preparados da planta de maconha (cânhamo), Cannabis sativa. Isso inclui a folha de maconha ou diamba (com variada sinonímia de gíria), o cânhamo-da-índia ou haxixe (derivado da resina dos extremos floridos da planta) e o óleo de haxixe.Na Convenção Única de Narcóticos e Drogas de 1961, a maconha foi definida como “as extremidades floridas ou frutificadas da planta de cannabis (excluindo as sementes e as folhas sem aquelas extremidades) das quais a resina não foi extraída”, enquanto que a resina da cânabis é “a resina bruta ou purificada, extraída da planta da cannabis”. As definições são baseadas na terminologia tradicional indiana como ganja (= cânabis) e charas (= resina). Um terceiro termo indiano, o bhang se refere às folhas. O óleo de cânabis (óleo de haxixe, cânabis líquida ou haxixe líquido) é um concentrado de cânabis obtido pela extração geralmente através de um óleo vegetal.O termo marijuana é de origem mexicana. Originalmente um termo usado para o tabaco barato (ocasionalmente misturado com cânabis), tornou-se um termo genérico para as folhas de cânabis ou a cânabis em geral, em muitos países. O haxixe, inicialmente um termo utilizado para a cânabis nas áreas do Mediterrâneo oriental, é hoje utilizada para a resina da cânabis.A cânabis contém pelo menos 60 canabinóides, muitos dos quais biologicamente ativos. O componente mais ativo é o delta 9-tetrahidrocanabinol (THC), o qual pode ser detectado na urina várias semanas após seu uso (geralmente após ter sido fumado), bem como seus metabólitos.A intoxicação pela cânabis produz sensação de euforia, leveza dos membros e geralmente retração social. Prejudica a capacidade para dirigir veículos bem como para executar outras atividades complexas que requerem habilidade; prejudica a memória imediata, o nível de atenção, o tempo de reação, a capacidade de aprendizado, a coordenação motora, a percepção de profundidade, a visão periférica, a percepção do tempo (a pessoa geralmente tem a sensação de passagem mais lenta do tempo) e a detecção de sinais. Outros sinais de intoxicação podem incluir ansiedade excessiva, desconfiança ou idéias paranóides em alguns e euforia ou apatia em outros, juízo crítico prejudicado, irritação conjuntival, aumento de apetite, boca seca e taquicardia. A cânabis às vezes é consumida com álcool, o que aumenta os efeitos psicomotores.Há registros de que, em casos de esquizofrenia, o uso da cânabis pode precipitar recaídas. Estados de ansiedade e de pânico agudos, e estados delirantes foram também relatados na intoxicação por cânabis; estes geralmente regridem em alguns dias. Os canabinóides são às vezes usados terapeuticamente para glaucoma e para as náuseas em tratamentos quimioterápicos do câncer.Os transtornos por uso de canabinóides estão incluídos nos transtornos por uso de substância psicoativa na CID-10 (classificados em F12)Sinonímia: ceruma; diamba; erva; fumo; liamba; maconha; suruma; marihuana; marijuana.Veja também:síndrome nolitiva. já foi utilizada por 7% dos entrevistados, os solventesVeja substâncias voláteis. por 6% e a cocaínaUm alcalóide obtido das folhas de coca (Erythroxylon coca) ou sintetizado a partir da ecgonina ou de seus derivados. O hidrocloreto de cocaína era comumente usado como anestésico local em odontologia, oftalmologia e cirurgias de ouvido, nariz e garganta, dada a sua forte ação vasoconstritora que ajuda a reduzir as hemorragias locais.A cocaína é um poderoso estimulante do sistema nervoso central, usado sem indicação terapêutica para produzir euforia ou “ligação”; o uso repetido produz dependência. A cocaína ou “coca” é geralmente vendida como cristais brancos e translúcidos, ou em pó (“farinha” ou “pó”), freqüentemente adulterada com açúcares ou anestésicos locais. O pó é aspirado (“cheirado” ou “cafungado”) e produz efeitos imediatos (entre 1 a 3 minutos de latência) que duram em torno de 30 minutos.A cocaína pode ser ingerida oralmente, geralmente com álcool; os usuários de opióides e cocaína combinados geralmente os injetam por via intravenosa. Alguns elementos alcalinos (freebase) são utilizados para aumentar a potência da cocaína pela extração do alcalóide puro através da inalação dos vapores em cigarros ou narguilé (cachimbo de água). Uma solução aquosa de sal de cocaína é misturada com um álcali (como bicarbonato de sódio) e o extrato é obtido através de um solvente orgânico como o éter ou o hexano. O procedimento é perigoso uma vez que a mistura é explosiva e altamente inflamável. Um procedimento mais simplificado que evita o uso de solventes orgânicos consiste em aquecer o sal de cocaína com bicarbonato de sódio; isto produz o crack.O crack ou “pedra” é uma cocaína alcaloidal (básica), um composto amorfo que pode conter cristais de cloreto de sódio. É um composto de coloração bege. Crack refere-se ao som de estalido provocado quando o composto é aquecido. Um efeito intenso ocorre de 4 a 6 segundos após a inalação do crack. Um sentimento de exaltação e de desaparecimento de ansiedade é vivenciado, junto com um exagerado sentimento de confiança e auto-estima. Há também uma perturbação do juízo crítico e o usuário tende a cometer atos irresponsáveis, ilegais ou perigosos, sem se preocupar com as conseqüências.A fala fica acelerada e pode se tornar desconexa e incoerente. Os efeitos agradáveis terminam em torno de 5 a 7 minutos, depois do que o humor rapidamente muda para depressão e o consumidor é compelido a repetir o processo de forma a recuperar a euforia do ápice. A superdose parece ser mais freqüente com o crack que com outras formas de cocaína.A interrupção do uso contínuo de cocaína é geralmente seguida por uma crise que pode ser vista como uma síndrome de abstinência, na qual a exaltação dá lugar à apreensão, depressão profunda, sonolência e inércia.Podem ocorrer reações tóxicas agudas tanto no consumidor de cocaína principiante quanto no inveterado. Essas reações incluem delirium semelhante ao pânico, hiperpirexia, hipertensão (algumas vezes com hemorragia subdural ou subaracnóide), arritmias cardíacas, infarto do miocárdio, colapso cardiovascular, convulsões, estado de mal epiléptico e morte. Outras seqüelas neuropsiquiátricas incluem uma síndrome psicótica com delírios paranóides, alucinações visuais e auditivas e idéias de auto-referência. “Luzes na neve” (snow lights) é o termo usado para descrever alucinações ou ilusões que lembram o brilho do sol nos cristais de neve. Foram descritos efeitos teratogênicos, incluindo anormalidades do trato urinário e deformidade dos membros. Os transtornos por uso de cocaína estão entre os transtornos por uso de substâncias psicoativas incluídas na CID-10 (classificadas em F14). por 2% dos sujeitos estudados.
Chamam a atenção as diferenças de comportamento entre homens e mulheres. Embora todos sejam expostos da mesma maneira ao consumo de drogas, com o tempo, os homens passam a usar muito mais essas substâncias do que as mulheres. No caso do álcool, um em seis homens torna-se dependente. Já para as mulheres, essa razão é de uma para dezessete.
As drogas mais usadas pelos estudantes brasileiros
O estudo de Galduróz, Noto e Carlini (1997) reúne os resultados obtidos nos quatro levantamentos sobre o consumo de drogas psicoativas por alunos do ensino médio e fundamental em dez capitais brasileiras, realizados pelo CEBRID (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas) em 1987, 1989, 1993 e 1997.
Segundo esse estudo, o álcool é a droga mais amplamente utilizada pelos estudantes, muito à frente do segundo colocado, o tabaco. O uso de álcool tem início bastante precoce na vida desses jovens - cerca de 50% dos alunos entre 10 e 12 anos já fizeram uso dessa droga. O uso freqüente e o uso pesado3 vêm aumentando na maioria das capitais estudadas. Quase 30% dos estudantes já utilizaram bebidas alcoólicas até embriagar-se. No último levantamento (1997), 11% da população pesquisada relatou ter brigado e 19,5% faltado à escola depois de beberIngestão de bebida; especificamente, neste contexto, uso de bebida alcoólica.. Quando comparado a drogas como maconha, cocaína, heroínaVeja opióide. ou tabaco, o álcool é a substância cujo uso crônico leva a maior risco orgânico, entendendo-se como risco não só a probabilidade de ocorrência de problemas, mas também a sua gravidade (Masur & Carlini, 1989). Os principais danos orgânicos associados ao uso crônico de álcool são gastrite (em geral, é o problema que aparece mais cedo), aumento da pressão arterial, pancreatite, miocardite, hepatite e cirrose alcoólica(K70.3)Uma forma grave de hepatopatia alcoólica caracterizada por necrose e deformação permanente da arquitetura do fígado devido à formação de tecido fibroso e de nódulos regenerativos. Esta é uma definição estritamente histológica; o diagnóstico, porém, com freqüência, é clínico.A cirrose alcoólica acontece principalmente na faixa etária de 40 a 60 anos, depois de no mínimo 10 anos de uso arriscado de álcool. Os indivíduos apresentam sintomas e sinais de descompensação hepática tais como ascite, edema de tornozelos, icterícia, hematomas, hemorragia gastrintestinal procedentes de varizes esofágicas e confusão ou estupor devido à encefalopatia hepática. Por ocasião do diagnóstico, em torno de 30% dos pacientes estão “compensados” e relatam queixas inespecíficas tais como dor abdominal, perturbações intestinais, perda de peso e de massa muscular e fraqueza. O câncer de fígado é uma complicação tardia da cirrose em aproximadamente 15% dos casos.A cirrose alcoólica é algumas vezes designada de “cirrose portal” ou “cirrose de Laennec”, embora nenhum destes termos implique necessariamente uma causa alcoólica.Em certos países não tropicais nos quais o consumo de álcool é substancial, o uso do álcool é a principal causa da cirrose. Devido à deficiência de registros de consumo de álcool, a soma global de mortalidade por cirrose – mais que “cirrose com menção de alcoolismo” – é freqüentemente usada como indicador de problemas ligados ao álcool.Veja também:fórmula de Jellinek., distúrbios neurológicos graves, alterações da memória e lesões no sistema nervoso central.
1 Embora o termo "droga" tenha um sentido mais geral, referindo-se a qualquer substância exógena que altere a fisiologia normal do organismo e os termos "droga psicotrópica" e "substância psicoativa" refiram-se especificamente àquelas substâncias que interferem com o funcionamento do sistema nervoso central, os três termos são utilizados normalmente como sinônimos.
2 Uso na vida: quando a pessoa fez uso de uma droga pelo menos uma vez em toda a vida (World Health Organization, 1980).
3 Uso freqüente : quando a pessoa utilizou droga seis ou mais vezes nos trinta dias que antecederam a pesquisa; uso pesado: quando a pessoa utilizou droga vinte ou mais vezes nos trinta dias que antecederam a pesquisa (World Health Organization, 1980).
AUTOR
Hilda Regina Ferreira Dalla Déa
Professora titular do Depto. de Psicologia do Desenvolvimento e coordenadora do Aprimoramento Clínico Institucional O Psicólogo e a Prevenção ao Abuso de Álcool e Outras Drogas (PUC-SP).
Elcio Nogueira dos Santos, Erick Itakura & Tatiana Bacic Olic
Psicólogo(a), (as) aprimorando(a), (as)
Obtido em: Revista Psicologia Ciência e Profissão ANO 2004 VOLUME 24 NUMERO 1- ISSBN 1414-9893 p.108 - 115 http://scielo.bvs-psi.org.br/
Mais Acessados Hoje
Hoje:
- Quais os efeitos imediatos (agudos) do uso da cocaína?
- Filhos adolescentes e as dificuldades que os pais enfrentam. Quem precisa de ajuda?
- Drogas Estimulantes (Anfetaminas)
- Tratamento da dependência de álcool com Naltrexona: a droga que mata a sede de álcool
- Quem é o co dependente
- O dependente químico em recuperação
- Tabaco
- Portais de Jornais e Revistas de Psiquiatria no Exterior
- Uso, abuso e dependência de cocaína
- O que é um adicto e 12 Passos
- Recaída, fase nove: Reconhecimento da perda de controle
- Marcadores biológicos do alcoolismo
- Tratamento para indivíduos com abuso ou dependência de cocaína e crack
- A metanfetamina, droga mais poderosa que o crack, pode "invadir" o Brasil
- O Tratamento da Família na Dependência Química
- Por que as pessoas usam alucinógenos
- Recaída, fase três: Impedimentos e comportamento defensivo
- Drogas ilícitas e esquizofrenia em adolescentes.
- Cocaína.
- Cocaína e a família
- As autoridades começam a tratar o problema das drogas mais como questão de saúde do que como caso de polícia.
- Cocaína e crack entre adolescentes
- Cocaína e mulheres
- Rever o programa de recuperação
- Recaída, fase um: Sinais (internos) de aviso de recaída.
- Família em recuperação e direitos pessoais
- Grupos de mutua ajuda e a (re) construção da subjetividade
- Recaída, fase oito: Perda de controle do comportamento
- Bibliografia e créditos
- Uso e abuso de drogas na adolescência: o que se deve saber e o que se pode fazer



Comentários
Comentar