Seis a sete por cento dos americanos apresentam, em algum momento de suas vidas, sinais de dependência(F1x.2)Em termos gerais, o estado de necessidade ou dependência de alguma coisa ou alguém para apoio, funcionamento ou sobrevivência. Quando aplicado ao álcool e outras drogas, o termo implica a necessidade de repetidas doses da droga para sentir-se bem ou para evitar sensações ruins. No DSM-IIIR, a dependência é definida como “um conjunto de sintomas cognitivos, comportamentais e psicológicos que indicam que uma pessoa tem o controle do uso da substância psicoativa prejudicado e persiste nesse uso a despeito de conseqüências adversas”. Equivale aproximadamente à síndrome de dependência da CID-10. No contexto da CID-10, o termo dependência refere-se de maneira geral a qualquer dos elementos da síndrome. O termo é freqüentemente usado como equivalente de adicção e de alcoolismo.Em 1964 uma Comissão de Peritos da OMS introduziu “dependência” em substituição a adicção e hábito10. O termo pode ser usado de maneira genérica em relação a todas as drogas psicoativas (dependência de drogas, dependência química, dependência do uso de substância), ou referir-se especificamente a uma droga em particular ou a uma classe de drogas (p.ex., dependência de álcool, dependência de opióide). Embora a CID-10 descreva dependência em termos aplicáveis a todas as classes de drogas, há diferenças entre os sintomas de dependência característicos das diferentes drogas.De forma não qualificada, dependência refere-se a ambos os elementos físicos e psicológicos. A dependência psicológica ou psíquica refere-se à vivência de controle prejudicado sobre o beber ou o uso da droga (veja craving, compulsão), ao passo que a dependência fisiológica ou física refere-se à tolerância e aos sintomas de abstinência (veja também neuro-adaptação). Em discussões de orientação biológica, dependência é freqüentemente usada com referência à dependência física apenas.Ainda no contexto psicofarmacológico, emprega-se também dependência ou dependência física num sentido mais limitado para referir-se exclusivamente ao desenvolvimento de sintomas de abstinência que seguem uma interrupção do uso de droga. Neste sentido restrito, a dependência cruzada é vista como complementar a tolerância cruzada, e ambas definições referem-se somente à sintomatologia física (neuroadaptação). química (O'Brian e McKay, 1998, p.127). Nessa pesquisa, a palavra substânciaVeja droga psicoativa. foi usada no sentido estrito de substâncias como álcoolNa terminologia química, os álcoois constituem um numeroso grupo de compostos orgânicos derivados de hidrocarbonetos que contém um ou mais grupos hidroxila (-OH). O etanol (ou álcool etílico, C2H5OH) é um dos membros dessa classe de compostos, e é o principal ingrediente psicoativo das bebidas alcoólicas. Por extensão, o termo “álcool” também é usado para referir-se a bebidas alcoólicas.O etanol resulta da fermentação de açúcar produzida por lêvedos. Em condições normais, as bebidas produzidas por fermentação têm uma concentração de álcool que não ultrapassa 14%. Na produção de álcoois por destilação, ferve-se uma mistura fermentada e o etanol que se evapora é recolhido como um condensado quase puro. Além do seu uso para consumo humano, o etanol é também usado como combustível, como solvente e na manufatura química (veja álcool impróprio para o consumo humano).O álcool absoluto (etanol anidro) é o etanol contendo não mais do que 1% de água por massa. Nas estatísticas sobre produção ou consumo de álcool, o álcool absoluto refere-se ao conteúdo de álcool (como 100% de etanol) das bebidas alcoólicas.Do ponto de vista químico, o metanol (CH3OH), também conhecido como álcool metílico e álcool de madeira (ou de amido), é o mais simples dos álcoois. É usado como um solvente industrial e também como um adulterador para desnaturar o etanol e torná-lo impróprio para o consumo (bebidas metiladas). O metanol é altamente tóxico; dependendo da quantidade consumida, pode produzir turvação da visão, cegueira, coma e morte.Outros álcoois impróprios para o consumo, com efeitos potencialmente nocivos, são consumidos ocasionalmente, como, p.ex., o isopropanol (álcool isopropílico, freqüente em desinfetantes) e etilenoglicol (usado como anticongelante em automóveis).O álcool é um sedativo/hipnótico com efeitos semelhantes aos dos barbitúricos. Além dos efeitos sociais do uso, a intoxicação pelo álcool pode resultar em envenenamento e até morte; o uso excessivo e prolongado pode resultar em dependência ou numa ampla variedade de transtornos mentais orgânicos e físicos.Os transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de álcool (F10) são classificados como transtornos decorrentes do uso de substância psicoativa na CID-10 (F10-F19).Veja também:cardiopatia alcoólica; cirrose alcoólica; dano cerebral associado ao álcool; delirium; encefalopatia de Wernicke; escorbuto; fígado gorduroso alcólico; gastrite alcoólica; hepatite alcoólica; miopatia relacionada com álcool ou drogas; neuropatia periférica; pancreatite alcoólica; pelagra; pseudo-síndrome de Cushing; síndrome amnésica induzida por álcool ou droga; síndrome de deficiência de tiamina; síndrome fetal alcoólica., cocaínaUm alcalóide obtido das folhas de coca (Erythroxylon coca) ou sintetizado a partir da ecgonina ou de seus derivados. O hidrocloreto de cocaína era comumente usado como anestésico local em odontologia, oftalmologia e cirurgias de ouvido, nariz e garganta, dada a sua forte ação vasoconstritora que ajuda a reduzir as hemorragias locais.A cocaína é um poderoso estimulante do sistema nervoso central, usado sem indicação terapêutica para produzir euforia ou “ligação”; o uso repetido produz dependência. A cocaína ou “coca” é geralmente vendida como cristais brancos e translúcidos, ou em pó (“farinha” ou “pó”), freqüentemente adulterada com açúcares ou anestésicos locais. O pó é aspirado (“cheirado” ou “cafungado”) e produz efeitos imediatos (entre 1 a 3 minutos de latência) que duram em torno de 30 minutos.A cocaína pode ser ingerida oralmente, geralmente com álcool; os usuários de opióides e cocaína combinados geralmente os injetam por via intravenosa. Alguns elementos alcalinos (freebase) são utilizados para aumentar a potência da cocaína pela extração do alcalóide puro através da inalação dos vapores em cigarros ou narguilé (cachimbo de água). Uma solução aquosa de sal de cocaína é misturada com um álcali (como bicarbonato de sódio) e o extrato é obtido através de um solvente orgânico como o éter ou o hexano. O procedimento é perigoso uma vez que a mistura é explosiva e altamente inflamável. Um procedimento mais simplificado que evita o uso de solventes orgânicos consiste em aquecer o sal de cocaína com bicarbonato de sódio; isto produz o crack.O crack ou “pedra” é uma cocaína alcaloidal (básica), um composto amorfo que pode conter cristais de cloreto de sódio. É um composto de coloração bege. Crack refere-se ao som de estalido provocado quando o composto é aquecido. Um efeito intenso ocorre de 4 a 6 segundos após a inalação do crack. Um sentimento de exaltação e de desaparecimento de ansiedade é vivenciado, junto com um exagerado sentimento de confiança e auto-estima. Há também uma perturbação do juízo crítico e o usuário tende a cometer atos irresponsáveis, ilegais ou perigosos, sem se preocupar com as conseqüências.A fala fica acelerada e pode se tornar desconexa e incoerente. Os efeitos agradáveis terminam em torno de 5 a 7 minutos, depois do que o humor rapidamente muda para depressão e o consumidor é compelido a repetir o processo de forma a recuperar a euforia do ápice. A superdose parece ser mais freqüente com o crack que com outras formas de cocaína.A interrupção do uso contínuo de cocaína é geralmente seguida por uma crise que pode ser vista como uma síndrome de abstinência, na qual a exaltação dá lugar à apreensão, depressão profunda, sonolência e inércia.Podem ocorrer reações tóxicas agudas tanto no consumidor de cocaína principiante quanto no inveterado. Essas reações incluem delirium semelhante ao pânico, hiperpirexia, hipertensão (algumas vezes com hemorragia subdural ou subaracnóide), arritmias cardíacas, infarto do miocárdio, colapso cardiovascular, convulsões, estado de mal epiléptico e morte. Outras seqüelas neuropsiquiátricas incluem uma síndrome psicótica com delírios paranóides, alucinações visuais e auditivas e idéias de auto-referência. “Luzes na neve” (snow lights) é o termo usado para descrever alucinações ou ilusões que lembram o brilho do sol nos cristais de neve. Foram descritos efeitos teratogênicos, incluindo anormalidades do trato urinário e deformidade dos membros. Os transtornos por uso de cocaína estão entre os transtornos por uso de substâncias psicoativas incluídas na CID-10 (classificadas em F14)., maconha ou ópio. A pesquisa excluiu a dependência de nicotinaUm alcalóide que é a principal substância psicoativa do tabaco. Tem efeitos tanto estimulantes quanto relaxantes. Produz um efeito de alerta no eletroencefalograma e, em alguns indivíduos, um aumento na capacidade de focalização da atenção. Em outros, reduz a ansiedade e a irritabilidade.A nicotina é utilizada sob forma de inalação da fumaça do tabaco ou como “tabaco sem fumaça” (tabaco de mascar), rapé ou goma de mascar com nicotina. Cada tragada de fumaça de tabaco inalada contém nicotina que é rapidamente absorvida através dos pulmões e chega ao cérebro em segundos. A nicotina provoca uma tolerância e uma dependência consideráveis. Devido ao seu rápido metabolismo, os níveis cerebrais de nicotina caem rapidamente e o fumante sente um desejo intenso (craving) de mais um cigarro, 30-45 minutos depois de fumar o último.No usuário de nicotina que se tornou fisicamente dependente, desenvolve-se uma síndrome de abstinência depois de algumas horas da última dose: necessidade imperiosa (craving) de fumar, irritabilidade, ansiedade, raiva, dificuldade de concentração, aumento do apetite, diminuição da freqüência cardíaca e, por vezes, dor de cabeça e perturbações do sono. O desejo intenso tem seu pico em 24 horas e declina ao longo de várias semanas, apesar de poder ser evocado por estímulos associados a hábitos de fumar anteriores.O tabaco contém várias outras substâncias além da nicotina. O uso prolongado do tabaco pode resultar em câncer do pulmão, cabeça ou pescoço, em doenças cardíacas, em bronquite crônica, em enfisema e em outros transtornos físicos.A dependência de nicotina (F17.2) está classificada na CID-10 como um transtorno por uso do tabaco em transtorno por uso de substância psicoativa. e cafeínaUma xantina, que é um estimulante leve do sistema nervoso central, um vasodilatador e um diurético. A cafeína é encontrada no café, chá chocolate, guaraná, coca cola e outros refrigerantes, em alguns casos juntamente com outras xantinas tais como a teofilina ou a teobromina. Denomina-se cafeinismo o uso excessivo crônico ou agudo (por exemplo, o consumo diário de 500 mg ou mais) com uma conseqüente toxicidade. Os sintomas incluem inquietação, insônia, rubor facial, contrações musculares, taquicardia, perturbações gastrintestinais incluindo dores abdominais, tensão, pensamento e fala acelerados e desorganizados e, algumas vezes, exacerbação de uma ansiedade pré-existente ou estados de pânico, depressão ou esquizofrenia. Os transtornos por uso de substâncias da CID-10 incluem os transtornos causados pelo uso e a dependência de cafeína (classificadas em F15)., bem como qualquer dependência comportamental, como o jogo compulsivo. Neste artigo, vamos focalizar o uso de substâncias; mas as mesmas intervenções funcionam também em qualquer outro problema de dependência. O álcool, sozinho, é responsável pela metade das fatalidades relativas ao trânsito, um quarto dos suicídios, um terço dos assaltos, e a causa de morte de 100.000 americanos por ano (Dorsman, 1997, p.2).
Ao tentar definir a dependência, os psiquiatras e outros se referem a mais do que o uso excessivo, e a mais do que à sensação psíquica de necessidade da substância (American Psychiatric Association, 1994, p. 108-9). Referem-se àquilo que os conselheiros chamam de ambivalência (Miller e Rollnick, 1991, p. 36-47), e ao que os Practitioners de PNL chamam de incongruência seqüencial (Bandler e Grinder, 1982, p. 179-188). A pessoa acessa sua parte neurológica que busca o uso da substância, e depois à parte que não quer usá-la, em seqüência contínua. Por exemplo, ela pode exceder a quantidade da substância que planejara usar. Pode fazer tentativas de parar, ou seja, ela deseja parar de usar tal substância, mas continua a usá-la. Pode abandonar outras atividades que são importantes para ela, em conseqüência do uso da substância. Pode continuar a usar a substância apesar de, na verdade, sofrer problemas penosos e persistentes devidos ao seu uso. Pode até ter procurado parar de usá-la, e experimentado extremo desconforto (chamado de recaídaO retorno ao uso de bebida ou de outra droga após um período de abstinência, freqüentemente acompanhado pela reinstalação de sintomas de dependência. Alguns autores fazem distinção entre recaída e deslize, este último denotando uma ocasião isolada do uso de álcool ou droga.). Em resumo, a dependência ocorre quando uma parte da pessoa quer parar, mas (e a palavra "mas" é usada intencionalmente) outra parte, aparentemente mais forte, não quer parar.
As Pessoas conseguem livrar-se naturalmente da maioria das dependências
Existe um grande número de programas que oferecem assistência para interromper o uso de substâncias por pessoas viciadas, inclusive o famoso programa de "12 passos" como o dos AA (Alcoólicos Anônimos). No entanto, contrariamente à crença popular, a maioria das pessoas livra-se da dependência por si mesmas. Diversas pesquisas da Institution for Health and Aging (Universidade da Califórnia) mostram que os problemas de bebida, até o nível em que ocorrem os blackouts, quase sempre desaparecem antes da meia idade, sem assistência médica; como acontece com a maioria dos viciados em drogasUm termo de uso variado. Em medicina, refere-se a qualquer substância com o potencial de prevenir ou curar doenças ou aumentar o bem estar físico ou mental; em farmacologia, refere-se a qualquer agente químico que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos. Portanto, droga é uma substância que é, ou pode ser, incluída numa farmacopéia. Na linguagem comum, o termo se refere especificamente a drogas psicoativas e em geral ainda mais especificamente às drogas ilícitas, as quais têm um uso não médico além de qualquer uso médico. As classificações profissionais (por exemplo: “álcool e outras drogas”) normalmente procuram indicar que a cafeína, o tabaco, o álcool e outras substâncias de uso habitual não médico sejam também enquadradas como drogas, na medida em que elas são consumidas, pelo menos em parte, por seus efeitos psicoativos. na adolescência (Peele, 1989, p. 66). Mais de dois terços dos viciados que param de beberIngestão de bebida; especificamente, neste contexto, uso de bebida alcoólica. álcool o fazem por si mesmos. 95% dos 30 milhões de Americanos que deixaram de fumar na última década o fizeram sem auxílio médico do estilo AA. (Prochaska et alia, 1994, p. 36). Essas pessoas têm mais sucesso em longo prazo do que aquelas que escolhem programas de tratamento: 81% dos que param de beber por conta própria permanecem abstêmios durante mais de 10 anos, comparados com apenas 32% dos que vão aos AA. (Trimpey, 1996, p.78; Ragge, 1998, p.24).
O mesmo parece acontecer com as dependências que fazem parte de um estilo de vida. Em 1982, Stanley Schachter publicou os resultados de um estudo em longo prazo sobre a obesidadeObesidade, nediez ou pimelose (tecnicamente, da língua grega pimelē = gordura e ose processo mórbido) é uma doença na qual a reserva natural de gordura aumenta até o ponto em que passa a estar associada a certos problemas de saúde ou ao aumento da taxa de mortalidade.Apesar de se tratar de uma condição clínica individual, é vista, cada vez mais, como um sério e crescente problema de saúde pública: o excesso de peso predispõe o organismo a uma série de doenças, em particular doenças cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 2, apnéia do sono e osteoartrite.. No início dos anos 70, ele formou a idéia de que enquanto a maioria das pessoas com excesso de peso podem emagrecer, muito poucas conseguem manter o peso. Em duas comunidades estudadas, o que ele realmente descobriu foi que 62% das pessoas obesas conseguiram perder uma média de 15 kg. e manter esse peso em média por 11,2 anos. Aqueles que nunca haviam entrado em programas de perda de peso obtiveram mais sucesso em longo prazo. Casualmente, ele descobriu que muitos fumantes deixam de fumar por si mesmos. Ele acompanhou também esta variável, e descobriu novamente que aqueles que já haviam feito programas de tratamento não foram tão bem sucedidos como aqueles que deixaram por si mesmos! (Schachter, 1982, p. 436-444).
E a respeito das chamadas "drogasDrogas pesadas"? Em um estudo de 1982 sobre o uso da morfinaVeja opióide., 50 pacientes de cirurgiaCirurgiaé a parte do processo terapêutico em que o cirurgião realiza uma intervenção manual ou instrumental no corpo do paciente.A cirurgiaé caracterizada por três tempos principais:
O cirurgião geral realiza a maior parte das cirurgias e assume o comando do paciente politraumatizado grave, indicando se e onde cada especialista precisa atuar. A cirurgia do trauma (entendendo-se aqui trauma como toda lesão corporal causada por queda, capotagem, colisão ou ferimentos por armas brancas ou de armas de fogo)é uma dasáreas de atuação do cirurgião geral. foram submetidos ao uso de morfina, sem controle, durante 6 dias. Embora eles usassem muito mais do que a quantidade usada por um dependente usual, todos eles diminuíram o uso da droga e o interromperam, sem problema algum, após a saída do hospital. Dos soldados americanos que usaram heroínaVeja opióide. na guerra do Vietnam (e a maior parte deles o fez) 73% ficaram viciados e livraram-se da dependência após o retorno. As autoridades ficaram apavoradas, esperando um enorme aumento do número de viciados. Na verdade, 90% simplesmente parou assim que voltou para a América. Os pesquisadores observaram: "Geralmente, acredita-se que após recuperar-se da dependência, a pessoa deve evitar qualquer contato posterior com a heroína. Pensa-se que experimentar a heroína, mesmo uma só vez conduz rapidamente à volta para a dependência... A metade dos homens que ficaram viciados no Vietnam usaram heroína na volta, mas somente um em cada oito retornaram ao vício da heroína”.(Peele, 1989, p. 167-168; Trimpey, 1996, p.78).
Como a medicação reforça a dependência.
O vício tem sido descrito pelos AA como uma doença física incontrolável, e os alcoólatras são informados de que apenas uma bebida restabelece o processo da doença incontrolável. A pesquisa invalida consistentemente essa afirmação. Em 1973, a psicóloga Alan Marlatt ofereceu bebida com forte aroma de álcool, e descobriu que - enquanto eles acreditavam que as bebidas não continham álcool - bebiam somente quantidades normais. Por outro lado, os alcoólatras a quem foi dito que suas bebidas continham álcool começaram a beber compulsivamente, embora a bebida não contivesse álcool. Tais estudos foram repetidos numerosas vezes, sob condições variáveis. Aqueles que acreditam que não têm mais força depois de beber um drink contendo álcool mostram resultados muito piores nos estudos a longo prazo. Um estudo acompanhou, durante quatro anos, 548 alcoólatras diagnosticados e tratados inicialmente em oito diferentes centros de AA, e descobriu que enquanto apenas 7% deles conseguiram manter a abstinênciaA abstenção do uso de droga ou (particularmente) de bebidas alcoólicas, por questão de princípio ou por outras razões.Quem pratica a abstinência de álcool é chamado de “abstêmio” ou “abstêmio total”. A expressão “atualmente abstinente”, freqüentementeempregada em inquéritos populacionais, geralmente define uma pessoa que não ingeriu bebidas alcoólicas nos últimos 12 meses; esta definição não coincide necessariamente com a descrição que o próprio indivíduo faz de si como um abstêmio.O termo “abstinência” não deve ser confundido com “síndrome de abstinência” ( Deve-se, no entanto, diferenciar “abstêmio” (pessoa que não bebe ou não usa drogas) de “abstinente” (pessoa que presentemente não está bebendo, que não está usando drogas).Veja também: sobriedade; temperança., 18% eram agora bebedores sociais sem nenhum caso de embriaguezVeja intoxicação.[Estado transitório de intoxicação aguda (F1x.0), que segue a ingestão de drogas ou álcool, e que resulta na mudança de padrões das funções e das respostas fisiológicas e psicológicas,com comprometimento da consciência e do controle do comportamento.]. Nesse estudo, aqueles que concordaram mais fortemente com o modelo de doença do alcoolismo dos AA foram os que apresentaram maior tendência a enfrentar problemas quatro anos mais tarde (Ragge, 1998, p.32-34).
Considere os 90% dos usuários veteranos do Vietnam que abandonaram o uso da heroína após seu retorno. O que causou a dependência, em primeiro lugar? Tinham uma doença que outros americanos não tinham? Não; eles foram colocados em uma situação que produzia extrema incongruência. Uma parte deles os mantinha numa zona de guerra, enquanto outra parte enfrentava uma grande dor. Eles suprimiam a consciência dessa dor com a heroína, da mesma maneira que os pacientes acima mencionados de cirurgia no hospital suprimiam sua dor com a morfina. Após seu retorno para os Estados Unidos, 90% dos veteranos descobriram que não mais sofriam da dor. Apenas 10% deles ainda tinham grandes necessidades não satisfeitas, ao retornarem. Os outros simplesmente pararam, porque a necessidade havia parado. Eles nunca foram "fracos" antes da droga. Eles estavam suplantados pelas suas próprias necessidades internas, notavelmente saudáveis e compreensíveis. Não é preciso uma "doença" para explicar esse processo.
Stanton Peele enfatiza: "Quando o narcóticoUm agente químico que induz estupor, coma ou insensibilidade à dor. O termo refere-se, em geral, a opiáceos ou opióides chamados analgésicos narcóticos. Na linguagem comum ou na terminologia legal é muitas vezes usado com pouco rigor para significar drogas ilegais independentemente de sua farmacologia. Por exemplo, a legislação que controla os narcóticos no Canadá, Estados Unidos e alguns outros países inclui a cocaína e a maconha, além dos opióides (veja também convenções internacionais sobre drogas). Devido a estes vários significados, é preferível usar termos de conteúdo mais específico (por exemplo, opióide). diminui a dor, ou quando a cocaína produz um sentimento de alegria, ou quando o álcool ou o jogo cria um sentimento de poder, ou quando fazer compras ou comer indicam à pessoa que ela está sendo cuidada, é à sensação que a pessoa fica viciada. Não é necessária outra explicação - sobre laços químicos ou deficiências biológicas. E nenhuma dessas outras teorias fazem sentido perante os mais óbvios aspectos da dependência." (Peele, 1989, p. 151). A medicação do vício tem efeitos colaterais até mais graves quando a pessoa realmente pára de usá-la e acaba o tratamento. A informação que lhe é passada é de que o fato de estar completamente bem agora é uma prova de que ela realmente tinha uma doença! Essa é uma faca de dois gumes, contradita pela grande maioria dos viciados que se recuperam por si mesmos.
Como o "Confronto" reforça a dependência.
Imagine um psicoterapeuta trabalhando com um cliente que apresenta incongruência seqüencial, em que ele se embriaga mas depois deseja não tê-lo feito. O terapeuta acha que à parte dele que quer parar é a "certa" e começa a argüir e "confrontar" o cliente a partir desse ponto de vista. O resultado é previsível. O cliente também apresentará o seu lado da argumentação. Isso tem conduzido à crença de que a "negação" e a "racionalização" são características da personalidade de pessoas viciadas. Cinco décadas de pesquisa mostram que não existe correlação entre a negação e o vício. (Miller e Rollnick, 1991, p.9-10). De fato, o único problema de caráter associado com o vício é a ambivalência sobre a substância a ser usada! No entanto, a negação tem aumentado, em função dos programas de tratamento baseados no confronto. Na verdade, quanto maior o tempo em que uma pessoa permanece no programa de "12 passos" para viciados, tanto mais aumenta seu grau de culpa, depressão, medo, e outras características de personalidade geralmente associadas ao vício (Ragge, 1998, p. 25).
Reafirmamos a pressuposição básica da PNL: a resistência indica simplesmente falta de rapport! Diversas meta-revisões de estudos de pesquisa mostram que o estilo do terapeuta é mais importante do que o conteúdo da terapia na previsão dos resultados em relação à dependência. O estilo mais eficaz é menos confrontador, mais enfático, e usa mais habilidades de comunicação (Finney e Moos, 1998, p. 160; Miller e Rollnick,d 1991, p. 4-7). Está provado que, se mesmo numa única sessão for usado o "confronto" e o rótulo (Encare isso: você é um alcoólatra!"), isso aumenta a argumentação e negação do cliente (Miller e Rollnick, 1991, p. 9-10). É extremamente importante compreender isso. Pelo menos um livro orientando o uso da "abordagem Ericksoniana" no aconselhamento sobre dependência enfatiza o uso da confrontação extrema (Lovern, 1991). A dependência não é, por si mesma, uma evidência de personalidade baseada na negação e racionalização argumentativa, e as abordagens agressivas como a de John Lovern na verdade geram o problema que desejam resolver.
Transformando a Recaída: A dependência e a PNL - II
O que funciona?
Relatórios entusiastas sobre o sucesso obtido em centros de tratamento da dependência freqüentemente dissimulam o fato de que mais de 80% dos clientes não completam tais programas (Trimpey, 1996, p. 78). Uma vez que a própria publicidade é tão divulgada, o programa de 12 Passos tende a parecer bem sucedido, mas esse sucesso tem sido difícil de demonstrar na pesquisa. O Dr. Keith Ditman, responsável pela ClínicaClínica médica, no Brasil, também conhecida como Medicina Interna e Clínica geral, é a especialidade médica que trata de pacientes adultos, atuando principalmente em ambiente hospitalar. Inclui o estudo das doenças de adultos, não cirúrgicas, não obstétricas e não ginecológicas, sendo a especialidade médica a partir da qual se diferenciaram todas as outras como Cardiologia e Pneumologia.No Brasil, o especialista em Clínica médica deve cumprir, além do curso de Medicina, dois anos de Residência médica.Em Portugal, trata-se de um termo actualmente a cair em desuso. Em sua substituição, surgiu a Especialidade de Medicina Geral e Familiar, mais abrangente e de natureza diferente. de Pesquisa sobre o Alcoolismo da Universidade da Califórnia, estudou aleatoriamente três grupos de transgressores alcoólatras mandados por um Juiz a uma organização AA, a uma clínica médica e os que ficaram sem tratamento. No período de acompanhamento, 69% dos clientes da AA cometeram novos delitos, e 68% dos da clínica também. Somente 56% daqueles que não fizeram tratamento voltaram a praticar transgressões. (Ragge, 1998, pp. 21-22). Dois estudos de 1997 indicam que os grupos de AA tiveram o mesmo sucesso que os de abordagem comportamental cognitiva, mas não há justificativa para a afirmação de que os grupos de 12 Passos se constituem na melhor solução para a cura da dependência.
Lembremo-nos de que muitas pessoas livram-se da dependência por si mesmas. O que acontece na vida dessas pessoas? Uma pesquisa feita com 2.700 fumantes ingleses mostrou que, na época em que eles pararam, geralmente mudaram de emprego, mudaram um relacionamento ou, de alguma forma, resolveram algum problema do seu estilo de vida. Também, eles param quando "deixam de acreditar naquilo que pensavam que o cigarro podia fazer por eles", enquanto criam "novas crenças poderosas a respeito das vantagens de não fumar - crenças de que não fumar lhes oferece um estado desejável e digno de recompensa." (Marsh, 1984). O programa que mostra a maior eficiência na metanálise da pesquisa sobre a dependência é o de treinamento em capacitação social (treinamento do tipo oferecido em nosso curso sobre Comunicação que Transforma; veja Bolstad and Hamblett, 1998). Usando-se a dramatização e a orientação, esse treinamento ensina os indivíduos como expressar claramente e sem culpa as suas preocupações, como ouvir efetivamente às preocupações dos outros, e como trabalhar em busca de soluções que sirvam tanto a eles quanto aos outros. A abordagem mais eficaz da dependência não é, na verdade, lidar com "a dependência", mas resolver os problemas interpessoais existentes na vida da pessoa (Finney and Moos, 1998, p.157). Para usar uma analogia, a maior parte dos tratamentos da dependência é como estabelecer clínicas de AA para os soldados no Vietnam. O que funciona é trazê-los para casa.
O segundo tratamento de maior sucesso é o Brief Motivational Interviewing (Pequena Entrevista Motivacional) (Finney and Moos, 1998, p. 157). Esse tratamento é baseadoUm termo genérico usado para denotar os vários preparados da planta de maconha (cânhamo), Cannabis sativa. Isso inclui a folha de maconha ou diamba (com variada sinonímia de gíria), o cânhamo-da-índia ou haxixe (derivado da resina dos extremos floridos da planta) e o óleo de haxixe.Na Convenção Única de Narcóticos e Drogas de 1961, a maconha foi definida como “as extremidades floridas ou frutificadas da planta de cannabis (excluindo as sementes e as folhas sem aquelas extremidades) das quais a resina não foi extraída”, enquanto que a resina da cânabis é “a resina bruta ou purificada, extraída da planta da cannabis”. As definições são baseadas na terminologia tradicional indiana como ganja (= cânabis) e charas (= resina). Um terceiro termo indiano, o bhang se refere às folhas. O óleo de cânabis (óleo de haxixe, cânabis líquida ou haxixe líquido) é um concentrado de cânabis obtido pela extração geralmente através de um óleo vegetal.O termo marijuana é de origem mexicana. Originalmente um termo usado para o tabaco barato (ocasionalmente misturado com cânabis), tornou-se um termo genérico para as folhas de cânabis ou a cânabis em geral, em muitos países. O haxixe, inicialmente um termo utilizado para a cânabis nas áreas do Mediterrâneo oriental, é hoje utilizada para a resina da cânabis.A cânabis contém pelo menos 60 canabinóides, muitos dos quais biologicamente ativos. O componente mais ativo é o delta 9-tetrahidrocanabinol (THC), o qual pode ser detectado na urina várias semanas após seu uso (geralmente após ter sido fumado), bem como seus metabólitos.A intoxicação pela cânabis produz sensação de euforia, leveza dos membros e geralmente retração social. Prejudica a capacidade para dirigir veículos bem como para executar outras atividades complexas que requerem habilidade; prejudica a memória imediata, o nível de atenção, o tempo de reação, a capacidade de aprendizado, a coordenação motora, a percepção de profundidade, a visão periférica, a percepção do tempo (a pessoa geralmente tem a sensação de passagem mais lenta do tempo) e a detecção de sinais. Outros sinais de intoxicação podem incluir ansiedade excessiva, desconfiança ou idéias paranóides em alguns e euforia ou apatia em outros, juízo crítico prejudicado, irritação conjuntival, aumento de apetite, boca seca e taquicardia. A cânabis às vezes é consumida com álcool, o que aumenta os efeitos psicomotores.Há registros de que, em casos de esquizofrenia, o uso da cânabis pode precipitar recaídas. Estados de ansiedade e de pânico agudos, e estados delirantes foram também relatados na intoxicação por cânabis; estes geralmente regridem em alguns dias. Os canabinóides são às vezes usados terapeuticamente para glaucoma e para as náuseas em tratamentos quimioterápicos do câncer.Os transtornos por uso de canabinóides estão incluídos nos transtornos por uso de substância psicoativa na CID-10 (classificados em F12)Sinonímia: ceruma; diamba; erva; fumo; liamba; maconha; suruma; marihuana; marijuana.Veja também:síndrome nolitiva. num modelo desenvolvido por James Prochaska, John Norcross e Carlo DiClemente, que entrevistaram 200 ex-fumantes, para descobrir o que aconteceu (Prochaska et alia, 1994). Eles fizeram o acompanhamento de pessoas que haviam abandonado outras dependências, e encontraram os mesmos padrões. Surpreendentemente, a Entrevista Motivacional é feita em quatro sessões, o que a torna o tratamento mais breve disponível nessa área! A metodologia da Entrevista Motivacional não focaliza o conteúdo da dependência (ex.: educando as pessoas a respeito dos perigos da bebida), mas sim o processo de motivação para deixar o vício.
Os Seis Passos da Mudança
Prochaska e DiClemente (Prochaska et alia, 1994; Miller and Rollnick, 1991, p. 14-18) descobriram que mudanças pessoais bem sucedidas passam por um ciclo de seis estágios. Ajudar uma pessoa num estágio requer uma abordagem completamente diferente da abordagem usada em outro estágio (Ex.: tratar uma pessoa no estágio da contemplação como se ela estivesse pronta para a ação). Os estágios são os seguintes:

Entrevista Motivacional.
O modelo da Entrevista Motivacional baseia-se na pesquisa, mostrando que aqueles que conseguem mudar passam pelos seis estágios acima antes de deixarem a dependência. Pré-contemplação, Contemplação, Determinação, Ação, Manutenção e Reciclagem do processo.
Pré-contemplação.
Neste estágio a pessoa não está consciente da incongruência seqüencial que os outros podem considerar "uma dependência". Eles não "dominam o problema". Uma ajuda útil nesse estágio busca criar uma situação em que a ajuda seja aceitável. A pessoa que ajuda pode:
Obter permissão para oferecer informações e agir como consultor. Um consultor eficiente conhece os fatos, compartilha respeitosamente as informações, ouve as respostas da pessoa, e deixa a tomada de decisão para ela.
Evitar falar sobre a incongruência para a pessoa, antes de "convencê-la" a agir sobre a mesma. O objetivo é simplesmente assistir à pessoa para que se torne mais consciente sobre aquilo que está acontecendo. O uso de habilidades eficientes de comunicação pelos assistentes e pelas pessoas envolvidas com o cliente é crucial neste momento. Isso inclui a habilidade de enviar uma clara mensagem "Eu..." (ex.: Quando você chegou em casa duas horas mais tarde do que havia programado, isso fez com que EU perdesse o filme que nós íamos assistir. EU fiquei realmente frustrado porque estava esperando ir com você.") e ser capaz de responder à reação da pessoa ouvindo reflexivamente (ex.: "Você acha que estou super reagindo. Você simplesmente esqueceu e sente muito por isso.") antes de reafirmar sua preocupação numa nova mensagem "Eu ..." Essas habilidades são discutidas profundamente em nosso livro Transforming Communication (Comunicação que Transforma) (Bolstad e Hamblett, 1998).
Encontrar maneiras de apresentar à pessoa as vantagens de mudar, ao invés de usar simplesmente a motivação "para longe de". A pesquisa mostra que a motivação "em direção a" é extremamente importante na mudança, da pré-contemplação para a contemplação, enquanto reduz o conflito interior, e é mais importante na passagem da contemplação para o compromisso real. (Prochaska et alia, 1994, p. 162-171).
Contemplação.
Este é o estágio em que a incongruência é muito óbvia. A pessoa agora está engajada na mudança do processo, e oscila entre querer mudar e querer ignorar o problema. Ela pode dizer: "É uma luta; mas acho que posso administrar isso." A finalidade do assistente, neste estágio, é ajudar a contemplação. É uma tentativa de levar a pessoa através de todo o processo de mudança, mas o sucesso não aparece. Onde existe uma incongruência severa, a pessoa pode apresentar freqüentemente uma demonstração plausível de prontidão para a ação durante os 30-60 minutos de consulta; mas ainda demonstra completo desinteresse fora da sessão. Principalmente quando a pessoa teve experiência anterior com programas de recuperaçãoA manutenção de qualquer forma de abstinência de álcool e/ou de drogas. O termo é particularmente associado com os grupos de ajuda mútua; entre os Alcóolicos Anônimos (AA) e outros grupos dos doze passos refere-se ao processo de atingir e manter a sobriedade. Posto que a recuperação é vista como um processo que dura toda a vida, um membro do AA é sempre visto internamente como um alcoólico “em recuperação”, embora o termo alcoólico “recuperado” possa ser usado fora do grupo. por meio de confronto, ela já aprendeu a apresentar apenas à parte que deseja a mudança, durante a consulta. Para ajudar, a sessão precisa contatar ambos os lados de sua ambivalência.
Eliciar valores e estabelecer objetivos ajuda a pessoa a identificar o que ela deseja fazer com relação ao problema.
Explorar, sem tentar forçar uma decisão, os riscos de continuar com o comportamento problemático (eliciar a motivação "para longe de") e reduzir o risco que percebe para mudar.
Fazer com que a própria pessoa diga porque a mudança seria útil; isso pode ser feito apontando-se todas as vantagens de continuar usando, e perguntando por que a pessoa deseja mudar.
A esta altura, o processo de Integração das Partes pode capacitar a pessoa a acessar e integrar ambos os lados de sua ambivalência sobre a mudança (o que se constitui num passo à frente no uso do método para uma mudança real!).
Compromisso.
Muitas vezes, abre-se uma janela de oportunidade dentro do estágio da contemplação quando a pessoa mostra evidência de compromisso. Essa evidência pode incluir:
Parar de apresentar razões pelas quais o comportamento problemático seria normal.
Fazer afirmações motivadoras (ex.: "Eu preciso mudar isso!").
Discutir como será quando tiver mudado.
Experimentar o processo da mudança ou a interrupção do comportamento problemático.
O assistente pode reforçar o compromisso de diversas maneiras:
Identificando e utilizando as estratégias normais de motivação da pessoa e os seus meta programas. Carol Harris oferece um excelente guia de avaliação e utilização no contexto de perda de peso (Harris, 1999), que lida com mais de dez meta programas da PNL. Ela sugere passar cada um deles, à medida que se projeta o objetivo e a visualização.
Capacitar a pessoa a estabelecer objetivos para a mudança. Perguntas focalizando a solução são muito úteis (ex.: De que maneira você saberá que esse problema foi resolvido? Quando foi que você notou que esse problema não era tão grande? ... O que estava acontecendo então? O que você fez de diferente?")
Ressignificar o problema como passível de mudança, talvez usando algumas informações dadas neste artigo.
Negociar uma estratégia de mudança.
Estabelecer tarefas que possam ser atingidas, e que pressuponham compromisso. Essas tarefas podem incluir o monitoramento do comportamento para identificar com que freqüência ele ocorre e quando não ocorre. A reação da pessoa a essas tarefas permite que você avalie se ela está pronta para o estágio da ação (ver Overdurf and Silverthorn, 1995 A, pp.29-32).
Ação.
Uma vez evidenciado que a pessoa está agindo, o estágio da ação envolve a substituição da antiga estratégia do "problema" da pessoa por uma nova (chamada de "ação contrária" por Prochaska). Isso pode ser feito em níveis diferentes, como:
Projete um swish visual da imagem do Gatilho para uma imagem de uma pessoa com recursos que não fuma mais. O poder e o risco deste método são demonstrados pelo caso de um homem que nos procurou porque fumava enquanto tocava piano. Após um swish da imagem do piano, ele contou que não sentia mais o desejo de fumar enquanto pensava no antigo gatilho. Um ano depois nós o encontramos e soubemos que ele nunca mais havia fumado enquanto tocava piano (ele encontrou outros lugares!). É importante liberar todos os gatilhos possíveis.
Altere diretamente a estratégia de alguma maneira importante, como a pessoa fumar um cigarro antes da refeição, ou fumar dois cigarros quando fumaria somente um. Qualquer coisa que destrua a estratégia tende a funcionar, se a pessoa realmente decidiu parar. Milton Erickson, reconhecendo que um alcoólatra precisava ser "sincero" antes de obter sucesso na terapia dá diversos exemplos. Num caso (Lankton and Lankton, 1986, pp. 26-27) ele trabalhou com um homem que veio buscar tratamento para o alcoolismo. Erickson eliciou sua estratégia para beber, e descobriu que ele sentava num bar e bebia um cerveja, seguida por um whiskey, e depois repetia esse processo até embriagar-se, uma bebida por vez. Erickson disse a ele que, na próxima vez que fosse a um bar, ele devia pedir três whiskeys e três cervejas, e colocar os copos em fila. À Medida que bebia cada copo, ele devia maldizer Erickson, da maneira prescrita (sendo a mais suave: "Esta é para o desgraçado do Dr. Erickson; que ele se afogue com a própria saliva!" ) Esse foi o fim da terapia. O homem voltou três meses depois para agradecer Erickson por tê-lo curado do vício. Ele não conseguia beber com essas alterações em sua estratégia.
Forneça habilidades de ressignificação e metamodelo mais úteis, para que a pessoa possa desafiar suas reações auditivas em qualquer das operações de polaridade ou na saída. Ao invés de falar a si mesma sobre os males do fumo, ela deve, por exemplo, aprender a falar sobre como seria bom ter pulmões saudáveis; ou, ao invés de dizer: "Por que eu deveria sentir-me mal?" ela pode perguntar a si mesma: "Como eu poderia me sentir ainda melhor do que quando fumo?" O uso dessas habilidades leva a estratégia para uma direção completamente diferente. A terapia comportamental cognitiva focaliza plenamente esse tipo de desafio auditivo. (Lewis, 1994, pp. 117-146). O sistema de Recuperação Racional para cura de dependências faz a pessoa identificar as submodalidades internas da voz com a qual a "parte" viciada fala (ex.: quando ela diz: "Droga, por que eu deveria me sentir mal!"). Essa voz é chamada de "besta" na Recuperação Racional. A pessoa aprende a identificar que quando ela diz: "Por que eu deveria me sentir mal," é a parte que deseja permanecer na dependência que está falando, muito mais do que a pessoa. Esta é uma técnica que depois dissocia a pessoa da parte viciada. A única razão para se fazer isso em PNL é preparar para a próxima intervenção, ou seja ...
Transforme a comparação numa integração das duas partes conflitantes. Use o processo da PNL para integração das partes a fim de integrar a parte que se sente culpada por fumar numa mão, com a parte que aprecia o sentimento de fumar na outra. Isso também pode ser feito linguisticamente, usando os padrões Quantum Linguistic de Tad James' (James 1996, p.58). Por exemplo, uma Practitioner de PNL perguntou-me como poderia deixar de fumar, pois já havia tentado algumas vezes. Perguntei a ela qual era a intenção da parte que fumava. Ela disse que era para relaxar. Então, eu disse a ela: "Por favor, ouça cuidadosamente. Essa parte compreende que qualquer coisa menos do que parar completamente de fumar não está proporcionando a você o relax que você deseja?" Ela realmente não podia ouvir o que eu havia dito (porque para compreender a pergunta é necessário acessar simultaneamente ambas as partes conflitantes). Depois que repeti diversas vezes a pergunta, ela saiu sem ter compreendido conscientemente, mas informou, alguns meses depois, que não havia mais fumado desde aquele momento. A estrutura daquilo que eu disse: "Qualquer coisa menos do que deixar completamente de fumar (problema de comportamento) não está lhe trazendo aquilo que você deseja (intenção positiva mais alta desse comportamento)." Um terceiro método de PNL para resolver as partes conflitantes é a antiga Ressignificação em Seis Passos, descrita num contexto de 12 passos por Chelly Sterman (1991).
Use a Terapia da Linha de Tempo ou a Reimpressão para eliminar a causa da dependência da linha de tempo da pessoa. John Overdurf e Julie Silverthorn cobrem três coisas: a representação do primeiro uso da substância, a causa-raiz da dependência, e a decisão inconsciente de se tornar um viciado (1995B, pp.31-32). Tudo isso pode ter ocorrido no mesmo momento, ou pode ter acontecido em momentos diferentes do tempo. Nós tivemos a experiência de simplesmente atingir a causa-raiz do vício, sem que a pessoa atingisse mais profundamente a necessidade de fumar.
Ensinar as habilidades para a solução de conflitos (Bolstad and Hamblett, 1998), inclusive: 1) apropriação do problema, 2) ouvir reflexivamente, 3) mensagens de Eu, 4) busca de soluções ganha-ganha, e 5) habilidades de resolver colisão de valores. Lembre-se de que essa intervenção é o programa de mudança mais bem sucedido que se conhece para terminar com a dependência.
Liberar todas as outras emoções prejudiciais e decisões ou crenças na linha do tempo, usando a Terapia da Linha do Tempo ou a Reimpressão. Albert Ellis aponta que a pessoa viciada pode ter limitações impostas por si própria em diversos níveis do modelo de níveis neurológicos de Robert Dilts (Lewis, 1994k p. 153). Isso pode incluir limitações do ambiente (só tem amigos que usam a substância), limitações comportamentais e de capacidade (ex. não saber como responder à sensação de necessidade), limitações de crença (ex.: "Não é justo que eu não possa beber álcool quando tenho vontade.") e limitações de identidade (ex.: "Eu sou um fracassado"). Essas crenças limitantes podem ser eliciadas, retiradas da linha do tempo, e/ou substituídas usando-se o processo de mudança de crenças da PNL.
Assistir a pessoa para criar um novo senso de missão para sua vida, e alinhar valores e objetivos para dar suporte a essa missão. A crença dos AA é que esse senso de missão precisa envolver uma ligação com um "poder superior". Em seu trabalho, que envolve os desafios do AA e seu programa de doze passos, Charlotte Davis Kasl (1992) convidou os clientes a reescreverem os doze passos. Alguns escritos sobre o último passo são muito semelhantes ao original (que era "Passo 12: Tendo atingido um despertar espiritual resultante desses passos, nós procuramos levar esta mensagem a outros e praticar esses princípios em tudo o que fazemos").
Ensinar a pessoa a estabelecer habilidades de mudança, como o uso de uma âncora de relaxamento. É importante verificar se a solução do vício vai realmente resolver os problemas da pessoa. É bem possível que uma pessoa tenha dificuldades de ansiedadeAnsiedade, ânsia ou nervosismo é uma característica biológica do ser humano, que antecede momentos de perigo real ou imaginário, marcada por sensações corporais desagradáveis, tais como uma sensação de vazio no estômago, coração batendo rápido, medo intenso, aperto no tórax, transpiração etc. ou depressão ao mesmo tempo em que sofre da dependência. Nesse caso, obviamente, o uso da cura de trauma da PNL para melhorar a origem da ansiedade pode resolver a dependência. Lembre-se de que 90% dos veteranos do Vietnam foram curados do vício da heroína simplesmente por voltarem para casa.
Ajude a pessoa a explorar como manter saudável o próprio corpo. Sentir-se saudável é um motivador positivo psicologicamente, e muitos escritores sugerem que problemas físicos de saúde podem encorajar a necessidade de substâncias prejudiciais (Kasl, 1992, pp. 186-211).
Repasse a antiga estratégia da pessoa em relação ao vício, com o novo conteúdo de saúde. Por exemplo, no caso acima, a estratégia do fumante após uma refeição era a de pensar como seria bom um cigarro, e depois o contrário. Depois, mesmo sentindo culpa, a comparação desse desconforto com o prazer imaginado de fumar, dizer: "Por que não?" e acender o cigarro. Para repassar essa estratégia saudavelmente, eu devo dizer durante uma indução hipnótica: "Às vezes, você pode se encontrar contando os sucessos de sua vida, e imaginando como será chegar a um estilo de vida mais saudável. Você pode reagir contra isso, dizer a si próprio que não deve pedir tanto da vida; mas quando você compara como essas limitações são sufocantes, você provavelmente dirá: "Azar; porque eu deveria me sentir mal por pedir mais da vida!" e começar a fazer seu planejamento diário!"
Organizar uma sessão de verificação, alguns meses mais tarde.
Planejar estratégias para lidar com eventos estressantes, inclusive fazer novos contatos com você, em busca de auxílio.
Projetar resssignificações para lembrar a pessoa de que ela pode facilmente recomeçar sua nova vida com a força que vem de seu novo aprendizado.
Estado de Recursos para o Practitioner (Pré-contemplação). Neste estágio, o consultor de PNL precisa ser contactado. Ele precisa ter uma visão clara de sua própria posição, e garantir a permissão antes de oferecer assistência.
Estabelecer Rapport (Contemplação). Enquanto a pessoa alterna com ambivalência entre querer mudar e não querer mudar, o consultor de PNL reflete principalmente sua experiência e ambivalência ao ajudar no esclarecimento da decisão de mudar.
ESPECIFICAR o Resultado (Compromisso). Uma vez que a pessoa diga que realmente deseja mudar, o consultor de PNL é capaz de ajudar a estabelecer objetivos, e oferecer tarefas para a pessoa verificar sua intenção.
Abrir o Modelo de Mundo da Pessoa (Ação: A). Uma vez que a pessoa esteja pronta para agir, o consultor pode eliciar e alterar sua antiga estratégia de uso.
Liderança (Ação: B). A essência dos tratamentos de dependência é integrar as partes conflitantes que criaram a incongruência seqüencial na vida da pessoa.
Verificar a mudança (Manutenção). O sucesso desta mudança é verificado ao longo do tempo à medida que a pessoa constrói um novo estilo de vida, integrando a mudança em nível de missão, valores, e linha de tempo. Se for necessária mais assistência, o consultor de PNL pode ensinar habilidades interpessoais, estabelecer habilidades de mudança e habilidades para um viver saudável.
Saída (Reciclagem). Finalmente, o consultor pode fazer a ponte ao futuro através de possíveis lapsos, para a descoberta e o prazer.
Incluir a estratégia/estratégias da pessoa para usar a substância aditiva (Overdurf and Silverthorn, 1995A, pp. 32-34). Essa é a seqüência de pensamentos que geralmente ocorrem a partir da hora em que a pessoa não estava pensando em usar até o uso efetivo. Essa estratégia envolve o gatilho de algum evento externo que a pessoa vê ou ouve, ou por uma sensação física. Freqüentemente, isso envolverá alguma incongruência seqüencial (ex.: dizer a si próprio que não deve usar a substância, e depois acrescentar pressão até que se sinta "justificado" para satisfazer seu desejo). Usando a notação de estratégia da PNL, e tomando como exemplo alguém que fuma após cada refeição, a estratégia pode ser vista mais ou menos assim:Ve ® Vr÷ Ki® Ad÷ Ki® Ki / Ki ® Ad® Ke
Gatilho | Operação | Operação de Polaridade | Teste (comparação) | Saída (A) | Saída (B) |
Ve | ® Vr÷ Ki | p® Ad÷ Ki | ® Ki / Ki | ® Ad | ® Ke |
Vê que terminou a refeição | Lembra-se do cigarro e sente prazer | Diz a si próprio: "Não é bom fumar! Isso é terrível!" e sente-se culpado | Compara o sentimento de culpa à sensação de fumar | Diz a si próprio: "Azar! Porque eu deveria me sentir mal!" | Fuma um cigarro. |
| Essa estratégia pode ser interrompida em diversos lugares, conforme abaixo descrito: | |||||
Manutenção.
A manutenção da mudança requer habilidades diferentes daquelas necessárias para a mudança inicial. Por exemplo, uma pessoa pode parar congruentemente de ingerir álcool no escritório do Practitioner de PNL, e depois encontrar-se sem nenhum recurso para enfrentar conflitos em casa. Esta é a razão porque o ensino das habilidades de comunicação e solução do conflito é uma técnica tão eficaz para acabar com a dependência. A manutenção envolve a construção de uma nova vida sem o processo de dependência. As pessoas que ajudam podem:
Reciclagem.
Na PNL, não é comum recomendar a reciclagem de um processo de mudança no futuro. Contudo, isso é exatamente o que é sugerido para o tratamento da dependência, por Richard Bandler (Bandler, 1989, Fita 3) e por John Overduf e Julie Silverthorn (1995 B, p. 33). Fazer a ponte ao futuro com a pessoa, para além da possibilidade de um "lapso" futuro consiste em ressignificar todas as vezes que a pessoa "usar" novamente, como parte de seu sucesso a longo prazo. O próprio conceito de "lapso", aponta Bandler, sugere que a pessoa não vai usar por algum tempo. James Prochaska (1994, p.227) simplesmente diz: "Um lapso não é um relapso. Se uma andorinha não faz um verão, um escorregão não significa uma queda." Leia novamente a última frase. Para ser bem sucedido na ponte ao futuro, você pode:
A ponte ao futuro é uma coisa, mas o contexto da mudança bem sucedida acontece quando você olha para trás e tem a sensação de que foi uma bobagem ter-se preocupado com a maneira de manter a mudança. Os 95% de fumantes que deixam de fumar sem qualquer auxílio não gastam o resto de suas vidas em "recuperação". Eles têm coisas melhores para fazer. Charlotte Davis Kasl diz que ela prefere o termo Descoberta para este estado final, mais do que Recuperação. Diz ela: "Descobrir sugere abertura, expansão e crescimento."
Resumo
A pesquisa mostra que a assistência bem sucedida a alguém que deseja vencer uma dependência é muito diferente da abordagem infindável, confrontadora, rotuladora da indústria da recuperação. Os estágios do modelo de Entrevista Motivacional faz um paralelo com o modelo RESOLVE da PNL. (Bolstad and Hamblett, 1998, pp.107-108). Em resumo, esses estágios são:
Dr. Richard Bolstad e Margot Hamblett
Publicado em: http://www.metas.com.br/drogas/drogas1.htm
Definição de Dependência. Transformando a Recaída: A dependência e a PNL - I e II
Richard Bolstad e Margot Hamblett são Trainers de Pnl e desenvolveram o seminário de Comunicação para Transformação. Podem ser contatados em: 26 Southampton Street, Christchurch 8002, New Zealand.
Tel./Fax: 64(03)337-1852. E-mail: nlp@chch.planet.org.nz Home Page http://www.cybermall.co.nz/nz/nlp/
Anchor Point .. March/2000
Publicado no Golfinho nº 66 - JUL/2000
Tradução: Hélia Cadore. . E-mail: lcadore@uol.com.br
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