Como pais não somos culpados pelo uso de drogas de nossos amigos e familiares, mas...

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Motivação, vias neuronais e drogas de abuso.
Enviado por Daniel, seg, 12/03/2007 - 05:43
Acredita-se que o estado motivacional de um organismo seja controlado, de modo importante, por processos reguladores homeostáticos básicos essenciais para a sobrevivência. O hipotálamo, por suas funções integrativas, parece ser uma estrutura ideal do centro de controle da motivação, assim como estruturas como o neocórtex e o sistema límbico. Um dos principais sistemas neuronais envolvidos no processamento de informação de recompensa é o sistema dopaminérgico. No contexto das drogas de abuso, muitos fatores de reforço contribuem para seu uso compulsivo durante o curso da dependência. As drogas de caráter abusivo são constituídas por aquelas que induzem uma sensação de desejo intenso (craving). Muitas drogas que apresentam alto potencial de abuso têm efeitos de provocar aumentos na viabilidade de neurotransmissão de monoaminas nas sinapses, aumentando a viabilidade sináptica da dopamina (DA), norepinefrina (NE) e serotonina (5-HT), principalmente pelo bloqueio da recaptação dessas monoaminas. A liberação da DA no nucleus accumbens (NAc) pode ser o fator preponderante para o desenvolvimento da dependência. O estímulo associado ao aumento de DA adquire um significado motivacional e emocional anormais que resultam na busca excessivo da droga sobre o comportamento do viciado, constituindo assim, a essência da adição (vício). Unitermos: Drogas de abuso; Dopamina; Motivação. IntroduçãoO uso de drogas de abuso é um problema comum e crescente em todo o mundo (Vaillant, 1999). Entretanto, pouco se conhece sobre os mecanismos neuronais envolvidos com a motivação para a auto-administração dessas drogas. Circuitos neuronais do sistema límbico e mesocortical, e neurotransmissores como dopamina e serotonina, parecem apresentar um papel importante no abuso de drogas (Di Chiara, 1995; Bear et al., 2002). O processo motivacionalO comportamento é reflexo daquilo que se necessita ou deseja fazer. A motivação, concernente às necessidades internas, vem nos esclarecer por que as pessoas fazem o que fazem (Kandel et al, 1997). Segundo Di Chiara (1995), motivação é o processo pelo qual o organismo desempenha determinado comportamento com o objetivo de controlar o ambiente, no qual está inserido de acordo com suas necessidades. Nesse processo, está envolvido o aprendizado da relação entre estímulo biologicamente significativo e, por outro lado, estímulos neutros que predizem sua ocorrência. Desta forma, o organismo aproxima-se e contacta estímulos alvos úteis, evita estímulos nocivos e ignora aqueles que são indiferentes. Os animais se tornam aptos para a mudança, seja ela interna ou externa, por um comportamento motivado. Muitos ajustes para a mudança integram respostas endócrinas, autonômicas e comportamentais, e são parte do processo de homeostase (Robbins e Everitt, 1999). Acredita-se que o estado motivacional de um organismo seja controlado, de modo importante, por processos reguladores homeostáticos básicos essenciais para a sobrevivência como: a alimentação, a respiração, o sexo, a regulação da temperatura e a autoproteção. As alterações desses estados de motivação são, portanto, produzidas por alterações da condição interna do animal em relação a um determinado ponto de ajuste dos processos de regulação (Kandel et al, 1997). Segundo Bear et al (2002), o sistema dopaminérgico mesocorticolímbico tem um importante papel na motivação de comportamentos, como por exemplo o ato de se alimentar e a compulsão pelo consumo de drogas de abuso. Assim, parece existir algum tipo de relação entre o aumento da neurotransmissão dopaminérgica nesta região e o aumento do comportamento motivacional à procura do alimento, ou por substâncias químicas, como o etanol. As vias neuronais relacionadas com a motivação e o abuso de drogasO hipotálamo, por suas funções integrativas, parece ser uma estrutura ideal de centro de controle da motivação, sequenciando e coordenando respostas motivacionais, assim como estruturas como o neocórtex e o sistema límbico (Robbins e Everitt, 1999). O hipotálamo também tem uma função importante no processo motivacional por exercer um controle no sistema nervoso autônomo (SNA) e endócrino. Assim, durante um comportamento motivado, o hipotálamo comanda as respostas do SNA ou endócrina para ajudar na execução desse comportamento. ConclusãoO processo motivacional de um indivíduo depende de interações de vários sistemas de neurotransmissores centrais. Dentre esses, a dopamina e a serotonina parecem ter uma posição de destaque. O aumento de dopamina em uma região chamada nucleus accumbens parece ser o passo principal para o comportamento motivacional de um indivíduo. Drogas de abuso, como a cocaína e o álcool, possuem essa capacidade motivacional por aumentar os níveis de dopamina nesta região. Autores Referências bibliográficasBALFOUR, D.J.; BENWELL, M.E.; BIRRELL, C.E.; KELLY, R.J. & AL-ALOUL, M. Sensitization of the mesoaccumbens dopamine response to nicotine. Pharmacol Biochem Behav 59: 1021-1030, 1998. BEAR, M.F.; CONNORS, B.W. & PARADISO, M.A. Neurociência: Desvendando o Sistema Nervoso. 2. Ed., Editora Artmed. 2002. BERRIDGE, K.C.& ROBINSON, T.E. What is the role of dopamine in reward: hedonic impact, reward learning, or incentive salience? Brain Res Brain Res Rev 28: 309-69, 1998. BIENKOWSKI, P.; KOSTOWSKI, W. & KOROS, E. The role of drug-paired stimuli in extinction and reinstatement of ethanol-seeking behavior in the rat. Eur. J. Pharmacol 374: 315-319, 1999. CALABRESI, P.; LACEY, M.G. & NORTH, R.A. Nicotinic excitation of rat ventral tegmental neurons in vitro studied by intracellular recording. Br. J. Pharmacol. 98: 135-140, 1989. CARBONI, E.; ACQUAS, E.; LEONE, P. & DI CHIARA, G.5 HT3 receptor antagonists block morphine- and nicotine- but not amphetamine-induced reward. Psycopharmacol. 97: 175-178, 1989. DAVIS, M.; RAINIE, D. & CASSEL, M., Neurotramission in the rat amygdala related to fear and anxiety. Trends in Neuroscience. 17: 208-214,1994 DI CHIARA, G. & NORTH, R. Neurobiology oh opiate abuse. Trends Pharmacol. Sci. 13: 185-193, 1992. DI CHIARA, G. Alcohol and dopamine. Alcohol world and health research 21: 108-113, 1997. DI CHIARA, G. The role of dopamine in drug abuse viewed from the perspective of its role in motivation. Drug Alcohol Depend 38: 95-137, 1995. GONZALES, R.A. & WEISS, F. 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